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fevereiro 26, 2012
Recusamos este apadrinhamento publico, somos indivisíveis

Cerca de 5 milhões de espetadores encontravam-se em frente do televisor quando Marine Le Pen anunciou que se ganhasse as eleições (presidenciais 2012 em França) iria festejar a vitória "Chez Tonton, um restaurante português muito simpático que se situa em Nanterre ao lado da sede do partido Front National (FN)". Esta resposta inscreve-se numa bateria de perguntas que o programa do canal France 2 - “Des paroles et des actes” - repete a cada candidato convidado a participar na mesma emissão. Primeira ilação: a resposta de Le Pen foi bem estudada e constitui o pontapé de partida de um programa político perigoso e admitamos “por vezes” inteligente. Esta inteligência, que é talvez mais inteligível que inteligente, pode tanto passar pela “desconstrução ordeira do euro” como pela atitude contra a “imigração como arma ao serviço do grande capital” (projeto presidencial do FN).
A referência ao tonton (tio) português ramifica-se numa tríade de significações, sobre a qual seria possível desenvolver uma complexa teoria semiótica. No entanto, como a minha capacidade no domínio da semiologia é relativamente limitada, reduzirei a minha analise da mensagem de Le Pen à banalidade seguinte: o discurso é gerador de sinais e por sua vez produtor de sentidos. Veremos, neste caso, que através de uma simples frase (não arbitrária), cujo conteúdo demonstra uma idiossincrasia partidária, Marine Le Pen faz eco à génese da fabricação de um estrangeiro aceitável. Interessante será assim compreender e desmontar a extravagância do discurso do FN através da analogia que se pode alinhavar com a retórica oficial francesa vis-à-vis da imigração portuguesa desde os anos 60. Nessa tríade de significações encontramos: 1) a recepção visada pela mensagem; 2) o “obreirismo” implícito na mensagem; 3) um programa eleitoral bastante centrado na problemática da imigração.
1) O reconhecimento social é uma reivindicação “assídua” quando se fala numa colectividade imigrante ancorada num país hostil ao reconhecimento da diferença, como é o caso da França. Marine Le Pen ao elogiar um só imigrante português em França, um só restaurante português em território francês está a piscar o olho a toda a colectividade portuguesa (quase 600 000 nascidos em Portugal segundo o ultimo censo (sem contar com a imigração recente), sem duvida mais de 1 milhão se tivermos em conta os descendentes de portugueses com um forte sentimento de pertença em relação ao país natal dos pais). Le Pen chega, portanto, pelas suas palavras aos corações mais sinceros do orgulho de ser português desenvolvido em situação migratória. Marine Le pen oferece-nos assim, no horário nobre televisivo, o reconhecimento publico e perceptível tao alemejado do nosso esforço dedicado na construção da pátria francesa. Mas não sejamos naïfs, Marine filha e herdeira de Le Pen não está tão interessada nos portugueses como está nos franceses de “raça” e na prioridade nacional. Ela visa o eleitorado francês humanista ainda não completamente convencido na unidade nacional, porque afinal existem estrangeiros bons e estrangeiros indesejáveis, estrangeiros brancos e estrangeiros não brancos. Os segundos constituem e constituirão sempre um “veneno contra a coesão nacional” (projeto presidencial do FN).
2) Ao referir um restaurante português em Nanterre, Marine Le Pen faz também referência à modéstia da escolha do seu partido em oposição às grandes festarolas de elite realizadas pelos seus concorrentes (por exemplo no Fouquet’s situado nos Champs Elysées). Modéstia de escolha que nos remete ao respeito da honestidade do trabalho dos operários. Que imagem poderia ser mais eloquente que o honesto e dedicado trabalhador português, que ao longo dos tempos conseguiu o lugar de chefia na construção civil? Esse mesmo bom imigrante que pelo seu inédito rigor laboral conseguiu um estatuto na hierarquia socioprofissional que faz dele inevitavelmente o carrasco dos outros imigrantes situados na cauda dessa hierarquia (Cf. Jounin, “Chantier interdit au public”). O restaurante português, onde se servem pratos fartos sem lugar para a insaciedade, reenvia a essa imagem de operário, onde o valor do trabalho manual grassa sem obstáculos superficiais ou imateriais. Um restaurante do povo para o povo, envolto e ancorado num bairro popular, onde os eleitores normais que não têm nada de especial podem auferir nem mais nem menos de uma refeição a 9 euros.
3) A referência aos Portugueses é por fim importante no esclarecimento de todo um programa político onde a omnipresença da imigração é a chave da “honra de ser francês” (projeto presidencial FN). O problema não são os portugueses que mais não fazem que oferecer-nos uma boa gastronomia e a sua sincera força de trabalho, não constituindo amiúde nem em regra o grosso da instabilidade da ordem nacional. O problema mesmo são “os conflitos interétnicos, as revindicações comunitárias e as provocações político-religiosas, consequências diretas de uma imigração massiva que interfere negativamente com a nossa identidade nacional e traz com ela uma islamização cada vez mais visível” (projeto presidencial FN). Voltamos portanto à clivagem utilitária do bom estrangeiro e do estrangeiro indesejável, e insiste-se nesta diferença pois a “dupla nacionalidade cessará de ser autorizada exceptuando os casos de dupla nacionalidade com um outro pais da União Europeia” (projeto presidencial FN).
A especificidade portuguesa que Marine Le Pen tenta introduzir e fazer passar na opinião publica não é inédita. Desde os anos 60/70 os discursos dos políticos franceses referem-se aos portugueses como os imigrantes “bem integrados” (Cf. Albano Cordeiro), tendo-se servido disto nos anos da imigração de massa (60/70) para dosear a necessidade da mão-de-obra argelina (imagem conflituosa e de alteridade extrema, embebida na dolorosa guerra de independência). Para além da racionalidade “racial” subjacente, a retórica hegemónica dos portugueses “bem integrados” é forjada no silêncio e esmagamento das experiências e heterogeneidade dos portugueses em França. Paralelamente, este tipo de discurso, seja proferido por Le Pen, pelo embaixador Português em França ou por Sarkozy, tem como consequência a estigmatização de uma população inteira em vários campos sociais, como exemplifica inesperadamente muito bem este exercício jornalístico no Le Monde : “Chez Tonton, le vrai QG du FN” (quartel geral)
E agora que dei mais espaço de antena do que aquele que devia ao projeto presidencial do FN, dizer que como imigrante portuguesa em França senti-me envergonhada e ofendida de ouvir a palavra português da boca de Marine Le Pen. Saí do meu “je” individual e apropriei-me do “nous” colectivo. Este “nous” que não é simplesmente o “nous” português, mas também o “nous” argelino, o “nous” senegalês ou o “nous” chinês. Nós estrangeiros em França, indivisíveis na nossa condição material de imigrantes, expostos impunemente à xenofobia explicita e institucional.
Publicado por [Shift] às fevereiro 26, 2012 10:27 PM
Comentários
Ola,
Não li tudo. Também moro em França e, infelizmente, não é por acaso que a fascista da Le Pen diz isto. Não ha muitos estudos feitos (pelas razões que sabemos) mas a minha experiência é que a população de origem portuguesa, que muitas vezes conseguiu chegar a uma pequena posição social (hierarquia intermédia nas empresas industriais ou nas empresas comerciais e de serviços, postos relativamente subalternos nos serviços hospitalares e na administração local, ou mesmo, mais raramente, na administração central, pequenos artesãos empresarios em nome individual ou numa micro-empresa, etc.) esta completamente no "alvo" da Frente Nacional. Rendida ao "complexo do capataz", é racista, como pode facilmente verificar qualquer pessoa que viaje com emigrantes Portugueses, e sente-se exposta a nivel fiscal ao mesmo tempo que continua a sentir barreiras (na escola com os filhos por exemplo) que a impedem de ascender plenamente à "verdadeira" França. Interioriza os dois complexos, o de superioridade em relação ao imigrante africano chegado mais recentemente e o de inferioridade em relação ao francês de gema (mas eles não passam das duas faces da mesma moeda) e votam Le Pen. O curioso é que, muito provavelmente, votam envergonhados, e votam apenas na medida em que as hipoteses da Le Pen ganhar são tidas como equivalentes às do regresso de Dom Sebastião.
Eu, que me envergonho todos os dias desta triste e deprimente realidade, digo que o estudo sociologico do Português emigrado em França é, com toda a certeza, um dos mais importantes e urgentes para compreendermos a forma como aparecem os fascismos.
Boas
Publicado por [joão viegas] às fevereiro 28, 2012 08:19 AM
Ola,
Não li tudo. Também moro em França e, infelizmente, não é por acaso que a fascista da Le Pen diz isto. Não ha muitos estudos feitos (pelas razões que sabemos) mas a minha experiência é que a população de origem portuguesa, que muitas vezes conseguiu chegar a uma pequena posição social (hierarquia intermédia nas empresas industriais ou nas empresas comerciais e de serviços, postos relativamente subalternos nos serviços hospitalares e na administração local, ou mesmo, mais raramente, na administração central, pequenos artesãos empresarios em nome individual ou numa micro-empresa, etc.) esta completamente no "alvo" da Frente Nacional. Rendida ao "complexo do capataz", é racista, como pode facilmente verificar qualquer pessoa que viaje com emigrantes Portugueses, sente-se exposta a nivel fiscal ao mesmo tempo que continua a sentir barreiras (na escola com os filhos por exemplo) que a impedem de ascender plenamente à "verdadeira" França. Interioriza os dois complexos, o de superioridade em relação ao imigrante africano chegado mais recentemente e o de inferioridade em relação ao francês de gema (mas eles não passam das duas faces da mesma moeda) e votam Le Pen. O curioso é que, muito provavelmente, votam envergonhados, e votam apenas na medida em que as hipoteses da Le Pen ganhar são tidas como equivalentes às do regresso de Dom Sebastião.
Eu, que me envergonho todos os dias desta triste e deprimente realidade, digo que o estudo sociologico do Português emigrado em França é, com toda a certeza, um dos mais importantes e urgentes para compreendermos a forma como aparecem os fascismos.
Boas
Publicado por [joão viegas] às fevereiro 28, 2012 08:19 AM
As referências especificas ao programa do FN rende o artigo ainda mais interessante.
O artigo vale como modo de atacar a tentativa de "vender" o cliché ("qui pointe par derrière") de cunhar "os portugueses" como "amigos do FN... isto é "gente como nos" e não como esses immigrés que recusam a integração...
Publicado por [Albano] às fevereiro 28, 2012 09:11 AM
Ce texte est documenté, tendu et drôle à la fois.
Il y a juste une chose que je ne comprends pas... L'allusion à l' "eleitorado francês humanista"...
Publicado por [Sarah] às fevereiro 28, 2012 09:13 AM
Chère Sarah,
par rapport à la référence de "l'humaniste"... je voulais dire ceux qui ont encore au fond de leurs coeurs l'idéal d'une France d'accueil,
mais l'"insécurité" (qu'on leur vend) dû à l'immigration devient pour eux insupportable! :)
Publicado por [Shift] às fevereiro 28, 2012 09:15 AM
Parabéns
É de facto um artigo necessário para desmascarar a estratégia grosseira da herdeira Le Pen, como se uma “fille à papa” de Saint-Cloud, depois de um “Fils à papa” de Neuilly, pudesse ter alguma legitimidade em pretender representar os trabalhadores e o povo.
Também porque salienta um dos aspectos que tem levantado muitos debates no interior do movimento associativo português em França mas que vem á ser posto em causa precisamente pelas novas gerações, seja por parte de novos emigrantes seja por parte dos que se costuma chamar luso-descendentes
Porque o paradoxo é constatar que quantas vozes na comunidade se queixam da “falta de consideração” das instituições francesas para com a comunidade portuguesa em França sem no entanto questionar a eventual responsabilidade nesta situação que pode ter a postura tantos anos reivindicada por muitos membros da comunidade de “não fazerem barulho” e de serem da “cor da parede” ! Tanto tempo orgulhando-se de “não dar nas vistas”, porquê queixarem-se das consequéncias dessa “invisibilidade”?
Essa questão ainda veio ao de cima aquando da importante movimentação na comunidade consequente ás escandalosas medidas de cortes orçamentais decididas em pleno ano lectivo pelo governo português que puseram professores de português na rua e deixaram quantos alunos sem professores.
Como se a primeira responsabilidade dessa situação não fosse a do governo português que desrespeita desta forma os direitos constitucionais dos portugueses radicados em França. Aliás os representantes deste governo português tentaram aproveitar logo essa retórica para “sacudir a água do capote” transferindo a responsabilidade do ensino do português em França para cima das autoridades francesas.
Nos anos de emigração maciça em França na década de 60, quantos trabalhadores portugueses foram instrumentalizados pelos patrões para lutar contra os movimentos sociais, intrumentalização facilitada porque grande parte dessa população chegava sem cultura política, oriunda de um país mergulhado há tantos anos na noite fascista mas também, na sua maior parte sem tradições de luta nem cultura sindical. Esse tal “bom povo português” tão badalado pelo Salazar para justificar a miséria destes anos negros.
O excelente filme do José Vieira “Chronique des années de boue” dá muito bem conta desse “décalage” entre a comunidade portuguesa e o movimento social em França.
E se felizmente muita coisa mudou desde esse tempo, á começar pelos laços construidos no terreno social e na vida social por muitos trabalhadores portugueses e de que testemunham as responsabilidades assumidas no terreno sindical por muitos portugueses ou lusodescendentes, é assaz lógico que subsistem restos dessa alienação, ainda mais num contexto de crise profunda onde a táctica de dividir os explorados para melhor perpetuar o sistema resulta habitual.
E pode se assentar ainda mais nos elementos da comunidade que, tendo conquistado um estatuto social devido no país de acolhimento, são ainda mais afoitos, para valorizar esse “estatuto”, á estigmatizar outras categorias de emigrantes, como para dar “gages” de “boa integração” na sociedade onde evoluem.
Levi-Strauss mostrou, com eloquéncia, quanto a proximidade pode exacerbar, em situações de tensão, a afirmação da diferença. Não é infelizmente inhabitual constatar-se que são por vezes os mais-recém chegados ao patamar do que eles ressentem como “integração” numa sociedade alheia a desenvolverem uma visão mais restritiva e “exclusiva”, no mau sentido da exclusão, da pertença á esta sociedade.
Como uma forma de “exorcismo” em relação ao tudo o que eles passaram e sofreram para chegar até este ponto.
Por todas essas razões e outras que não vou desenvolver agora, torna-se ainda mais importante exaltar os valores comuns que unem todos os explorados, franceses e estrangeiros, em França mas nos outros países nomeadamente da União Europeia para lutar contra os efeitos de um discurso racista que acalento o medo da diferença e do “outro” para melhor mascarar quem são os verdadeiros responsáveis desta situação de crise.
Esses valores que vão das palavras “Liberté, Égalité, Fraternité”, símbolos da República Francesa vindos da Revolução de 1789 até ao “25 de abril sempre, fascismo nunca mais” que continua em testemunhar da vivacidade dos valores de abril.
Para não esquecer que o discurso desenvolvida pela herdeira de Le Pen é um insulto á história tanto de França como de Portugal e que os portugueses que se deixam iludir por este discurso estão á pisar a memória dos povos de França e de Portugal!
Publicado por [Pedro Da Nóbrega] às fevereiro 28, 2012 05:13 PM
Boas e vivas aos presentes,
Gostaria de agradecer a imagem proporcionada pela shift na clarificação da mensagem política da Marine que, como tão bem argumenta, é mais uma teia semiótica corrompida que somente demonstra até que ponto está motivada a se servir de um pensamento "discretamente" vomitável, para atingir um fim que é para além de todo e mais algum adjectivo que me ocorrem neste particular momento.
Os meus ingénuos olhos só permitem constatar que o gentil "apadrinhamento" dos portugueses tido em consideração no seu discurso traduz-se nos seus olhos n'"um rebanho sem pastor" que, por tamanha ingenuidade, pode ser tingida na cor que lhe for necessária para manipulação.
Esta categorização de "portugueses bons rapazes" nem sequer é de sua autoria, até porque a Merkel tem a mesma opinião em relação à ausência de relutância que se vive em Portugal após o plano de austeridade.
(em relação a outros países, como a grécia, claro está)
A seguir, vão seguramente sugerir que a bandeira do país seja colocada meia-haste!
ah, esqueçam, porque também já foi dito.
A natureza de um povo não pode ser subjugada pela sua gentileza, e, embora tal seja tido como fraqueza - ainda que esta seja A suprema força, tal é a ignorância do mundo que vivemos - não se pode permitir um desvio desta envergadura lógica de um país dito democrático!
Para "mijar contra o vento" bastará re-eleger o Sarkozy...
Publicado por [Guillaume Vieira] às fevereiro 28, 2012 11:56 PM
apoio aos companheiros do chile e da colombia que foram "sacados"
aqui continuamos a viver a hipermedia
saudaçoes utopicas
Publicado por [capelarder] às fevereiro 29, 2012 02:52 AM
Joao Viegas, Pedro da Nobrega et guillaume Vieira agradeço a vossa contribuiçao. Os vossos comentarios sao importantissimos, na minha opinniao, para a continuaçao de um debate deveras urgente no seio da imigraçao portuguesa em França. Jà là vao 50 anos que os portugueses começaram a chegar em peso a França... a ruptura biografica, resultado dessa migraçao e dolorosa para uma grande parte, precisa de ser compreendida e debatida... o silêncio pode constituir uma ferida aberta.
Guillaume a relaçao que fazes entre a etiqueta dos "bons imigrantes" e "bons estudantes"é particularmente reveladora de uma logica de dominaçao instituida no tempo.
Capelarder, estaria completamente de acordo consigo se este texto nao reenviasse a elementos muito menos mediaticos como é o caso das condiçoes de vida de milhares de pessoas na "invisibilidade".
Publicado por [Shift] às fevereiro 29, 2012 08:46 AM
Tambe9m acredito que o nfamero seja muito maior. Os dados que sapsam ce1 para fora se3o sempre "aligeirados".A melhor solue7e3o era acabar com o trabalho obrigatf3rio. O desemprego, que continua a ser noticiado como algo que pode ser remendado, ne3o tem solue7e3o. A tecnologia este1 a substituir o trabalho humano e as empresas este3o a perder o poder de investimento. Je1 ne3o he1 volta a dar, por muito que os Governos queiram pf4r mais medidas ridedculas de austeridade, que ainda fazem e9 pior.O trabalho e9 apenas um meio para obter outro meio para obter o que precisamos (trabalho - dinheiro - comida). Muito do que pagamos - casa, electricidade, comida - deviam ser gratuitos para todas as pessoas (porque he1 possibilidades disso, e exemplos disso se3o as toneladas de comida que se3o postas no lixo todos os dias ou as casas abandonadas que andam por aed) e ainda nos contentamos a pagar maus servie7os. Agora, com o desemprego a aumentar, as pessoas deixam de conseguir ganhar dinheiro para comprar a sua sobreviveancia. O que se gerou em torno do dinheiro e9 um dos maiores crimes aos direitos humanos. Isto hoje em dia este1 tudo mal. Tudo!A solue7e3o ne3o e9 arranjar trabalho para os desempregados. A solue7e3o e9 fazea-los ver que ne3o precisam de um emprego sob as ordens de um patre3o maldisposto mas sim de comida, uma cama e do carinho dos amigos e pais (que ate9 isso o emprego lhes tira).
Publicado por [Jose] às março 28, 2012 04:52 AM
Inês,
je viens de lire ton article, passionnant et éloquent de vérité !
Comment ne pas avoir honte de cette récupération ? C'est scandaleux !
Et j'ai honte de ne pas voir progresser vers plus de dignité humaine la communauté à laquelle j'appartiens culturellement, historiquement. J'ai honte parce que je sais les chemins encore longs et tortueux qu'ont à affronter nombres d'individus dans la communauté portugaise. Nombreux sont ceux qui n'ont connu que la plus profonde misère avant d'arriver en France, déjà humiliés là-bas, méprisés parce que pauvres ils ont fui le pays qui les vomissait. Arrivés en France, l'entre-soi fut la règle, un faisceau de petits pays hors du pays, avec une culture populaire déformée par la distance et pénétrée d'autres influences. Ces immigrés portugais, en majorité avec le certificat d'étude, et encore, pas tous, je me souviens de certains qui ne savaient que compter... sortaient de leur maltraitance pour embrasser le communautarisme. Pétris de douleurs diverses : dictature, guerre coloniale, société de servage, plus, l'esprit complètement forgé par une propagande séculaire contre le maure, autrement dit l'arabe, ainsi désigné en France, il n'est pas étonnant que bon nombre de Portugais soient racistes et islamophobes. Mais qu'ils trouvent dans la société française actuelle l'occasion de renforcer ces comportements xénophobes est inadmissible ! Le racisme c'est ignorance, on est raciste quand on ne connait pas, quand on n'a pas fait l'expérience de l'autre, quand on est limité à soi. Mais ce n'est pas tout, le racisme c'est surtout la haine de soi. C'est une notion effectivement plus subtile à comprendre, le sentiment négatif que l'on porte sur soi, le complexe d'infériorité, la soumission volontaire par acceptation de son infériorité... La haine de soi provoque le rejet de l'autre, son infériorisation, son mépris pour gagner l'estime de soi dans ce jeu maladif de comparaison ...
Ce que l'on craint des musulmans c'est leur fanatisme. Et combien de Portugais fanatiques ? Il faudrait d'abord se regard avant de juger les autres ! La religion est encore très présente au Portugal, mais ce n'est pas la religion que l'on connait en France, pas du tout, là-bas elle est fondamentaliste, très conservatrice. On pourrait dénoncer aussi la soumission des femmes au Portugal et dans la communauté même portugaise en France, elle est du même ordre que chez les musulmans, pourtant les femmes portugaises ne sont pas voilées. Ce que les Portugais racistes n'aiment pas chez les Arabes, ils peuvent eux-même le voir dans leur propre communauté. On n'est dérangé que par ce qui est en nous problématique.
Cette déclaration de Marine Lepen sonne pour moi comme une déclaration de guerre ! ça suffit de nous tirer vers le bas, d'attiser le feu sur les divisions. Nous sommes des êtres humains, tous, des Français puisque nous vivons en France, car on est de là où l'on vit. La France, c'est nous tous !
Je te recommande, L'invention de la France, Hervé Le Bras et Emmanuel Todd.
Publicado por [paola] às abril 1, 2012 03:52 PM
"Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro.
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário.
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável.
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei.
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo."
Brecht
Publicado por [maria] às abril 10, 2012 11:49 PM
