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maio 16, 2010

A Bolha

Quem quer que seja o responsável por rebentar essa bolha, não só ficará fora do poder durante décadas, como terá que se esconder no bunker mais profundo que encontrar. É por isso que ninguém se atreve a ser o tipo que rebentou a bolha e é por isso que qualquer esquema de pirâmide será, até conseguirmos, substituído por um esquema ainda maior. Acho que foi o insuspeito Rui Tavares que disse que preferia salvar a economia e o sistema capitalista do que deixá-lo colapsar deixando centenas de milhões na miséria.

Remember how popular that made every politician in Washington? Still wondering why they coughed up a trillion bucks? They were scared for their lives; that’s why they voted for that bailout. You’d have done the same goddamn thing. But if we go after everyone guilty of fraud and theft, the market crash this country would see would make 2008 look like Sesame Street.

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Não há fraudes na economia financeira. As economia financeira é a fraude.

Publicado por [R-Type] às maio 16, 2010 02:46 PM

Comentários

O governo americano e provavelmente o de três ou quatro países europeus deve estar plenamente consciente disto. O da China também, mas isso é uma outra história. O que farão com esse conhecimento só podemos adivinhar.

Se eu quisesse escrever um artigo vendável no New-York-Something juntava a isto o cenário das alterações climáticas, que exigirão em breve tantos 'trillions' para adiar o naufrágio como esses de que se fala aqui.

E podíamos ainda notar que, à boa maneira da 'ingenuidade' americana, ao diálogo do texto subjaz o 'good guy' ianque amigo da família e do weekend, tão honesto como o pai do Calvin da BD, num mundo em que não existe a fetishização global das massas e a sua inerente paralisia, essa suspeita conversa de comunista europeu.

Quais devam ser as tácticas e estratégias do outro campo, não sei. À medida que o jogo se torna demasiado arriscado, o poder tentará um fascismo de tipo novo, um pouco mais perigoso do que o do século passado: pode prescindir do moralismo cristão, e deixar o povo brincar à 'liberdade sexual' made in Hollywood; não precisa de agitar sentimentos 'patrióticos' porque será potencialmente planetário, não 'ariano' ou 'germânico'; não enfrenta um proletariado clássico, mas apenas hordas de gente a quem Marx chamaria com desprezo 'lumpen'; não precisa de conquistar territórios, porque já estão conquistados; nem de derrubar governos, porque já estão comprados. Pode até ser 'clean', 'verde', defensor dos pinguins do Antárctico e dos gatos vadios de Lisboa. Pode deixar arder duas ou três sucursais bancárias, porque lá dentro, ao contrário do que sucedia nos tempos de Marx, já não há barras de ouro, ou seja, não há nada que valha a pena: graças à net, os 'depositantes' do famoso banco de Atenas que ardeu não foram de certeza beliscados. Talvez liberalizem a Marijuana, para não terem que admitir à mesa os traficantes não reconvertidos ou mais sujamente 'hispanicos'. Se as massas, entretanto, estiverem entretidas na perseguição aos últimos padres católicos, será um bónus suplementar.

Penso que o que se passa na Europa nestes meses (i.é, Grécia) pode ser uma experiência controlada, como a rebentação de armas atómicas obsoletas. Se é, está a ser muito bem sucedida.

Mas nada disto é razão para deixar de libertar a nossa cabeça, o nosso corpo, o nosso bairro, e desculpa outro longo comment.

Publicado por [xica] às maio 16, 2010 05:27 PM

Pelo contrário, acho que é uma excelente análise. Obrigado por te dares ao trabalho de ler e comentar.

Publicado por [R-Type] às maio 16, 2010 07:33 PM

http://www.youtube.com/watch?v=CKh1mOeXfqE&feature=related

Publicado por [H80] às maio 17, 2010 04:25 AM

O amor do Unabomber é de facto ilimitado.

Publicado por [xica] às maio 17, 2010 06:29 PM

contra estes fuckers,e os banqueiros e os governos, as organizações sindicais gregas, portuguesas e espanholas deveriam convocar e preparar uma GREVE GERAL SIMULTANEA, para mostrar a estes bandidos legais que estão a brincar com o fogo. Apoio total dos partidos e movimentos de ESQUERDA

Publicado por [migmaya] às maio 17, 2010 06:49 PM

Querida Xica,

Então e não é porquê? porque matou 3 pessoas?
olha o D Pedro foram 2 ... O vasco da gama foram centenas (se não milhares), só os prémios nobeis da paz têm uma lista bem maior.
O que é que uma coisa tem a ver com a outra?! melhor, até tem muito... ou não?
Quem ama não mata?

O que o Unabomber diz, e com razão é que por mais direito a cobertores, melhorias de ordenado à criação de casinos e o direito ao broche livre serem assuntos relevantes e justos, nada disso interessa ao se observar uma civilização que se afunda a olhos vistos e sem esperança alguma de inverter caminho. Também diz (para quem teve a paciência ler o manifesto em vez de ver as noticias) que a esquerda, esses os super-socializados, estão no centro da negação do real.

mas deixando o kasinsky, e pegando noutros que a esquerdalhada costuma bater palminhas, inclusive tú, querida xica, aqui fica umas bocas do comité invisível.


"There’s no “clash of civilizations.” What we have here is a clinically dead civilization that a whole plethora of artificial survival apparatuses are deployed on, to keep it spreading its characteristic pestilence throughout the planet’s atmosphere. At this point no one believes in a single one of that civilization’s “values;” in fact, anyone who affirms them is considered insubordinate, and their affirmation a provocation it feels it must cut to pieces, deconstruct, and return to a state of doubt. Western imperialism today is the imperialism of relativism, of “that’s your point of view”; it’s
the little sideways glance, the wounded protestation, at anyone who’s stupid,
primitive, or presumptuous enough to still believe in something, to affirm anything at all. You can see the dogmatism of constant questioning give its complicit wink of the eye everywhere in the universities and among the literary intelligentsias. No critique is too radical among postmodernist thinkers, as long as it contains a little nothingness of certitude. Scandal for the past century has come from any too noisy negation; today scandal bursts from any affirmation that does not tremble."

Baijos e Abraços

Publicado por [H80] às maio 17, 2010 08:19 PM

Querido H80,

O broche livre, na sua dimensão mais funda (LOL), é muito mais do que um assunto justo, é a fronteira, realmente simbólica e simbolicamente real, entre a civilização e todos os seus simulacros históricos. De modo que não temos uma 'clinically dead civilization' senão no sentido em que a falsa civilização que nos ensinaram a julgar 'nossa' se estendeu até ocupar as dimensões da vida que ela sempre considerou como a sua 'parte atrasada' e 'inferior' (camponeses, 'incultos', 'ralé', 'colonizados', 'infiéis). Essa 'civilização civilizada' não morreu, porque nunca foi nem quis ser uma coisa viva. E a ela não vale a pena referirmo-nos: não é bom dialogar com os mortos.

O amor mata, sim, e não é preciso ir ao Vasco da Gama (!). O amor dos leões pelas zebras, lá na tua floresta dos Mbuti, é um bom exemplo disso.

Por isso, e por muitas outras coisas, a nossa posição é curiosa, apaixonante, terrível e inaudita, tudo ao mesmo tempo: e podemos sempre usar o Comité Invisivel, se queres. Não somos pós-modernistas angustiados pela dúvida, muito menos pelo absolutismo da dúvida, porque os nossos mundos são mundos múltiplos feitos de evidências e não um mundo gigante que se alimenta só da negação de si mesmo, feito só de suspeitas auto-alimentadas; talvez matemos, e talvez morramos, e talvez isso não importe muito se a vida nossa e à nossa volta entretanto se mantiver viva; mas olharemos, porque a vista se nos não fechou em números ou em arquétipos de inimigos, e sentiremos, porque as mãos se nos não transformaram em máquinas, e julgaremos, porque estamos no meio do caos ou do pandemónio mas não nos escravizaram ainda esse pensamento que se partilha entre o cérebro e o coração.

Estamos diante de um mundo, ou de uma aparência de um mundo, em que o valor se reduziu ao fantasma de um fantasma, ao dinheiro que nem já o ouro representa; em que o valor, que só pode ser aquilo que se não pode traduzir num número, se deixou quantificar e por isso por todo o lado se fez igual ao zero e tornou em zero todas as coisas. Contra esse mundo nada se pode erguer senão a nossa própria valoração, o nosso próprio julgamento e a nossa própria acção; e essa valoração e essa acção nascem e têm efeitos na nossa relação com as coisas e os lugares, e com esses lugares tão estranhos (tão evidentes) que são os outros, cada um e cada uma.

Esta conversa nasceu da Grécia, e da acção do 'movimento' grego, e da morte de 2 ou 3 (como o D. Pedro?) e do valor de uma acção cega. Não me esqueci. Nasceu da discussão sobre tácticas e estratégias, sentimentalismos e fidelidades à 'causa', dureza das 'vanguardas' e danças poéticas à luz das chamas. Quanto disso é abstracção e fetichismo, fascinação e psicopatia, mimetismo verdadeiro e falsa consciência revolucionária é coisa a que se não responde com slogans ou com frases tiradas do Zorgan ou do Marx ou do Buda; e também se não responde só no momento terrível da acção, seja no atirar do Molotov ou no escrever de um pobre comentário a um post do spectrum.

No tempo do teu Vasco da Gama, houve um rei que disse que havia tempos de voar de coruja e tempos de voar de falcão; hoje, que todos os tempos se consumiram neste vórtice e neste beco a que o deserto nos reduziu, os tempos e os voos são simultâneos. Isso é também uma evidência, pelo menos para mim, que não creio que as evidências sejam incompatíveis com a contradição. E não há fórmulas para o discernimento.

Beijos

Publicado por [xica] às maio 17, 2010 09:41 PM

As bichas estão todas excitadas com o tipo da foto, olho azul já tão todas loucas.

Publicado por [Inquisição] às maio 18, 2010 02:30 AM

só uma dúvida, quando é que a xica vem jantar connosco?

Publicado por [Chuckie Egg] às maio 18, 2010 12:28 PM

acho que a xica devia começar a postar neste blog.

Publicado por [Anónimo] às maio 18, 2010 02:13 PM

Querida Xica,

Umas acho que sim outras que não e também acho que um anjo te inspirou no fim do texto.
Depois falamos. Isto de andar aqui a postar dá muito trabalho e já passei por essa fase há uns anos aqui no spectrum. Tenho que ser económico. Não deixar que a canalha me xupe o sangue. Á mais coisas na vida. Vai mas é namorar! Dar umas por nós todos!

Abraço
H80

Publicado por [H80] às maio 18, 2010 03:55 PM

O que entende por economia financeira? Por que motivo a considera uma fraude?

Publicado por [Paulo] às maio 19, 2010 12:41 PM

Aposto como não vou ter resposta às perguntas anteriores.

Publicado por [Paulo] às maio 19, 2010 03:15 PM

eu tb. aposto uma imperial (mas numa imperial com tremoços)

Publicado por [Paradise Café] às maio 19, 2010 07:35 PM

Paulo, lê o artigo ligado, ganha por milagre 50 pontos de QI e depois falamos, ok? Beijo.

Publicado por [R-Type] às maio 20, 2010 12:24 AM

"Paulo, lê o artigo ligado, ganha por milagre 50 pontos de QI e depois falamos, ok? Beijo."

Ina Men que fuleiro!!! fodasse...

Caga nisso Paulo, só está a contribuir para a tua mística.

Publicado por [H80] às maio 20, 2010 03:35 PM

El-rei D. João II afirmou que "Há tempos de usar o olhar da coruja e tempos de voar como o falcão."
Um pouco antes do Vasco da Gama ter chegado à Índia, já no reinado de D. Manuel.
Acho que também há uma citação dele a propósito da pertinente questão do broche livre. Mas agora não tenho tempo.

Publicado por [Rick Dangerous] às maio 20, 2010 06:19 PM

Oh sim está escrito em estrangeiro, foi por isso que ganhou 50 pontos no seu QI? Quem me vai pagar a imperial com tremoços? Ou ainda me querem explicar o que é a economia financeira e por que motivo a consideram uma fraude? Estou sempre pronto para aumentar o meu ínfimo QI (o que não aconteceu quando li o artigo recomendado).

Publicado por [Paulo] às maio 20, 2010 08:07 PM

"Um broche livre implica um mercado livre". Mas acho que é do Milton Friedman, não do D. João II.

Publicado por [xica] às maio 20, 2010 08:43 PM

Não implica nada, o broche (por enquanto) ainda se encontra sem ser na forma de mercadoria. Não tens razão nenhuma.

Publicado por [H80] às maio 21, 2010 02:46 AM

o tesão e o artesão induzem as pré-formas da mercadoria

Publicado por [xica] às maio 21, 2010 09:45 AM

tava hoje a lêr na cama, e como sei que gostas do tema, transcrevo aqui par ti.

"...Todas fizeram. Até à ultima. Mesmo as tipas velhas, as sagradas avozinhas, até mesmo as relíquias retorcidas que parecem papagaios de pub ao canto da sala de visitas... todas o fizeram. Caraças! Todas o fizeram, ou farão em breve... quero dizer daqui a 10 anos, 20, todas o terão feito, entretanto, todas as mulheres vivas. Irmãs, mães, avós: senhoras, que andam vcs a fazer? O que têm andado a fazer?

Não estou chocado, só desapontado. O meu tom não é de zanga. O meu tom é de preocupação, ternuta, agravo. Imaginem, por favor, a minha gorda cara suada, o meu cenho franzido e confiante. Estremeço e encolho os ombros. Mostro-me tal qual penso. Muitas de vcs raparigas me fizeram aquela coisa. Obrigado. Gozei-o completamente - fiquei grato, comovido. Obrigado de novo. Não, a sério. Mas que andam vcs a fazer? O que andão vcs a fazer?

Por outro lado, olhem o que a boca humana tem de suportar. Inimaginaveis montanhas de comida do Terceiro Mundo são encafuadas e descem em espiral através daquele delicado computador - gado das pampas, léguas de mar vivente, horizontes de rebentos e legumes, bem como correias transportadoras de Wallys e Blastburguers, tinas de corantes e conservantes, mais cigarros, passas, termómetros, brocas de dentista, tesouras de médicos, drogas, linguas, dedos, tubos de alimentação. É maneira de se tratar a boca, apobre boca humana? E portanto, talvez depois de tudo isto, os constantes desenhos animados de pigmentos texturas e impactos, a pichota de um homem não pareça assim tão má.

Ah, que inferno! Em breve, a maioria dos rapazes terá feito o mesmo, e estaremos todos no mesmo barco, juntamente com vcs raparigas. Suponho que até eu própio poderei dar comigo a fazê-lo, um deste dias - não direi que desta água não beberei, em parte por causa destas ideias, destas colisões, que se passam na minha cabeça. Com as suas embalagens de leite na soleira da porta e os seus húmidos colchões conjugais no chão, todos os dias ganham confiança. Primeiro estavam nervosos, é certo, mas ningém tentou seriamente desalojá-los, e eles estão habituados à incerteza, estão habituados à vida dura. Há aí uma necessidade histórica, Uma certa necessidade histérica. A seu tempo as bocas de todos os homens terão abrigado as pichotas dos homens, também. Fá-lo-emos um dia, embora, de todos nós, devêssemos ser nós os imformados.

E vai ser de partir o coco a rir quando isso acontecer."

John Self (Martim Amis) - Money

Publicado por [H80] às maio 21, 2010 04:34 PM

Desculpem lá a seca, mas também vou transcrever outro bocado do mesmo livro para o PAULO.

"Ufa (pensamos nós), o que a vida custa a passar! Atingi a maioridade nos anos 60, quando havia oportunidades, quando tudo parecia estar à nossa espera. E agora a malta vai deixando a escola para...para quê? para nada, para o caralho. Os jovens (vê-se-lhes na cara), os desesperados de cabeleira peterodáctila, os falhados das cristas de papagaio encontraram uma resposta adequada para isto tudo, que é: nada. Quer dizer: está tudo fodido. A bicha do desemprego começa à saída do pátio da escola. As zaragatas são a sala de convívio. A sombria Londres é o seu ginásio. Outros levaram a vida consigo. O dinheiro está tão perto que quase lhe podes tocar, mas encontra-se do outro lado: a única coisa que podes fazer é encostar o rosto ao vidro. No meu tempo, se quiséssemos, podiamos cavar, deixar tudo. Agora já não há ninguém que o faça. O dinheiro encarregou-se de impedir essa possibilidade. - Não há para onde ir.
Não há quem se esconda do dinheiro. Por isso, de vez em quando, quando a noite está quente, eles destroem e roubam quanto podem."

Publicado por [H80] às maio 21, 2010 04:55 PM

Patético. Além de incompreensível.

Publicado por [Paulo] às maio 23, 2010 07:31 PM

LOL H80, é para mim? Mas nunca hei-de vir a ser uma sagrada avozinha.

Esse texto é incrivelmente reacionario. Como todo o Amis, aliás, e a maior parte da literatura.

Publicado por [xica] às maio 23, 2010 08:00 PM

Alguém é capaz de fazer um post com a definição de economia financeira? E a seguir explicar por que motivo é uma fraude? Ou é só porque é fixe dizer isso?

Publicado por [Paulo] às maio 23, 2010 11:44 PM

That's way the bseetst answer so far!

Publicado por [Jeanette] às maio 25, 2011 08:17 PM

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