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fevereiro 17, 2010

"Ou há moralidade ou comem todos"

A realizadora e deputada socialista Inês de Medeiros, também já visada pelo "caso Face Oculta" [para quem não saiba, o Correio da Manha - não, não me esqueci do acento - noticiou que ela recebeu da PT um apoio para um festival de cinema no valor de 50 mil euros e que depois «estreou-se na política». O título da notícia era “PT financia campanha do PS”], Inês de Medeiros, dizia, disse há pouco na TSF que, na audição parlamentar de hoje, sobre a liberdade de expressão, vai colocar um requerimento para que se debata não só os casos que têm vindo nos últimos dias nos jornais mas também assuntos mais globais como a propriedade dos meios de comunicação social, o poder e a autonomia das comissões de redacção, a precariedade dos jornalistas (cito de cor porque o site da TSF está em baixo :P) e também casos como o da notícia da última campanha eleitoral sobre as escutas ao Presidente da República.

Uma provocação, é certo, mas uma provocação que me parece bastante saudável, dado o presente estado da arte.

José Manuel Fernandes, grande mártir da liberdade de expressão em Portugal e o primeiro personagem a ser ouvido pela Assembleia da República, já reagiu hoje na TSF, indignado, claro, a dizer que o PS queria era fugir do debate para «discutir o sexo dos anjos».


José Manuel Fernandes e Mário Crespo, são dois dos profissionais da comunicação social que têm sido vítimas da falta de liberdade de expressão em Portugal. Remetidos há vários meses para a blogosfera, onde escrevem sobre pseudónimo, são obrigados a viver de donativos. Saiem agora finalmente à luz do dia para visitar o palácio de S. Bento, e testemunhar o que sabem.

Publicado por [Saboteur] às fevereiro 17, 2010 10:08 AM

Comentários

Tambem ouvi hoje de manha (nao me esqueci dos acentos, o teclado é que é espanhol...)as declaraçoes da deputada socialista na TSF e ocorreu-me imediatamente um pensamento: onde está esta preocupaçao com a liberdade (nao só de expressao mas também de existência digna) quando se fala da precariedade dos jornalistas?

é que, reconhecendo o problema da liberdade confrontada com a segurança laboral, este nao é um problema exclusivo da classe profissional em questao, é um problema transversal à sociedade portuguesa: é a liberdade do trabalhador nao qualificado -no fundo da pirâmide- que nao pode falar, nem contestar e a quem -em tempo de crise, muito mais (porque a crise tem costas largas)- sao exigidos esforços adicionais sem compensaçao.

É a falta de liberdade de ser sindicalizado, de poder contestar a organizaçao da empresa, é a falta de liberdade de ter de trabalhar doente porque, apesar de ter direito a baixa, o contrato (quando nao é recibo) acaba daqui a uns meses.

É o ter de esconder uma gravidez o máximo de tempo possível porque a natalidade é um objectivo nacional, nao empresarial. É o ter de ser confrontado com as preocupaçoes da entidade patronal por irmos ser pais e a forma como isso se pode reflectir na nossa prestaçao.

Fico muito contente pela preocupaçao dos socialistas com a precariedade laboral dos jornalistas, parece-me hipócrita que essa preocupaçao nao se estenda a todos os trabalhadores...

Publicado por [rafael] às fevereiro 17, 2010 01:05 PM

Estou totalmente de acordo, rafael. É isso mesmo!

Publicado por [Saboteur] às fevereiro 17, 2010 02:09 PM

That's the best aswner of all time! JMHO

Publicado por [Jimbo] às maio 26, 2011 02:28 AM

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