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dezembro 03, 2009
The boys are back in town
O Indymedia Portugal voltou.
A sua primeira encarnação foi, e digo isto com o maior respeito a quem nele tanto trabalhou e assumindo uma quota parte de culpa, um projecto falhado. A primeira questão e quiçá a principal é que fazer um indymedia em Portugal é algo semelhante ao que seria editar diariamente "A Bola" se só houvesse campeonato da terceira divisão: por quanto a realidade social e politica aqui confinada geograficamente merecesse todo o tipo de análise radical o Indymedia sempre se especializou em ferramente organizativa e não teórica. E na altura simplesmente não havia uma realidade "activista" suficientemente diversificada e dinâmica para proporcionar um fluxo de informação e discussão interessante ou sequer tângivel. Por outro lado Portugal tinha, e tem ainda, um mundo activista excessivamente protagonizado pelos partidos, que eram justamente excluidos do site e que pouco interesse teriam nele também. O Indymedia rapidamente descambou para uma pálida miragem daquilo que poderia ser, as noticias eram algo insipidas e por vezes repetições genéricas do que se podia ler nos outros sitios e a própria organização do site propiciava que se tornasse mais um forúm do que uma "agência de noticias alternativa".
Os activistas de Tactical Media têm sempre uma pinta uma beca nerd
E que fórum. O fórum do indymedia era um bocado os pregões do blitz do mundinho anarquista, um pouco como as caixas de comentários do spectrum mas com as paranóias e patologias especificamente anarquistas e não de extrema esquerda que mais aqui aparecem. Cliché atrás de cliché, argumentação de jardim escola (que aliás continua nos comentários do primeiro post do indymedia novo), personagens insanos e espatafúrdios e uma dose enorme de desperdicio de energia. Tinha ainda as opções estéticas mais infelizes da história mundial do movimento operário, o site era todo em tons de azul cueca, uma subjectividade cromática que nunca motivou ninguém para nada e uma tonalidade boa para pijamas de criança, não para rebeldes selvagens com um mundo novo nos corações e molotovs e bandeiras negras nas mãos, ansiosos por destruir para depois construir, e que equiparam o orgasmo sexual da orgia desenfreada com o orgasmo politico da destruição do sistema. Não. Azul Cueca não é cor de anarquistas.
O indymedia era azul cueca.
Tudo isto paralelamente ao fim da idade de ouro dos tactival media e do movimento anti-globalização, era comparar o Indymedia Português ao de Barcelona ou de Itália e perceber que a solução era emigrar ou especializar-se profissionalmente e tirar um doutoramento ou aprender um oficio. Seria discutivel a posição de que a existência de um espaço de discussão faria com que essa discussão surgisse, mas pelo menos a esta distância não foi isso que aconteceu.

Agora é em tons de amarelo torrado e negro como o Molotov que arde nos nossos corações e como as bandeiras rasgadas pelo vento que hasteamos nas barricadas
De alguma maneira as coisas mudaram entretanto. Há um minimo burburinho que vai do Gaia à Unipop e passa pelos anarquistas, pela Rádio Leonor e por mais uns quantos cantos que pode encontrar no Indymedia um espaço de encontro e de comunicação. Ainda que por agora seja ainda um burburinho e que seja extremamente discutivel o pouco que se pode ouvir não deixa de ser interessante. Mas o futuro do Indymedia não passa só pela qualidade das prestações e dos intervenientes mas acima de tudo pela capacidade que o Indymedia terá de se ajustar ao que ele necessita de ser.
Quando o primeiro Indymedia em Seattle apareceu a ideia de uma agência de noticias em que eram os interessados a fazer as noticias era algo revolucionário, passados dez anos e depois da web 2.0 o propósito original ficou totalmente obsoleto. Qualquer pessoa faz um blog ou um video no youtube ou diz aos X amigos no Facebook ou no twitter o que lhe for na cabeça e não precisa do Indymedia para nada. Para que faça algum sentido o Indymedia não pode ser uma agência de noticias que meramente repita comunicados pobres dos diversos colectivos mas uma plataforma onde se possa discutir de um modo mais orgânico e nada ortodoxo as tácticas de superação do presente.

Força Companheiro Favaios!
Publicado por [Party Program] às dezembro 3, 2009 07:09 AM
Comentários
Registo com agrado a aproximação do spectrum ao GAIA, depois deste ter sido caluniado tantas vezes aqui.
Por outro lado, registo também com interesse a vontade de debate entre marxistas do Spectrum e os libertários. Vindo de quem vem, é sinal de aproximação dos marxistas ortodoxos para perspectivas libertárias.
Mais un esforço, camaradas...
Publicado por [riders on storm] às dezembro 3, 2009 09:36 AM
bom, convém esclarecer que as inimizades entre o spectrum e o gaia são exageradas e prendem-se com menos de meia dúzia de posts sobre assuntos que nem sequer são propriamente o eixo central das actividades de uns e outros. estou à vontade para falar disso até porque um desses posts fui eu quem o escreveu. digamos que, se há um esforço a fazer (em que sentido?nós não somos inimigos de ninguém), ele não passará na internet. e que eu saiba eles nunca responderam, o que significa que tu é que levaste esses posts ainda mais a sério que eles.
quanto a marxistas ortodoxos deixo a questão aos fundadores do blog que te podem responder ainda melhor que eu. mas nunca vi cá nenhum. devo andar a dormir.
haverá blog mais libertário do que aquele em que toda a gente fala do que quer, quando quer, como quer? ou ser-se libertário é falar só de anarquistas e ter o blog decorado com fotos de black blockers mauzões?
mais um esforço, dizes bem...
Publicado por [Chuckie Egg] às dezembro 3, 2009 09:52 AM
azul cueca não é cor de anarquistas mas anarquistas de cueca azul já pode ser, ou não?
é que eu..
Publicado por [maria] às dezembro 3, 2009 10:34 AM
da mesma forma que um punk sério tem as calças rasgadas nem que viva no norte da finlândia, as tuas cuecas só podem ser azuis se tiverem rotas, maria.
Publicado por [Punkàchien] às dezembro 3, 2009 10:39 AM
muito boa noticia, esperemos realmente uma melhoria em relação ao ultimo que apesar de tudo teve os seus pontos positivos e era sem duvida um local essencial para encontrar noticias e comunicados que naquela altura nao se encontravam com tanta facilidade na net...
recordo as manifs e carga policial que aconteceu na Alfandega do Porto e que teve grande repercussao no indymedia, e mesmo Genova 2001 em que seguiamos minuto a minuto os acontecimentos atraves do site
aupa companheiros
ps.quando às discussoes... bem tb as ha no indymedia uk
Publicado por [anon] às dezembro 3, 2009 12:13 PM
e no entanto tu ias lá ler... por curiosidade mórbida certamente.
Publicado por [comentarios ha muitos] às dezembro 3, 2009 12:57 PM
Riders on the storm,
Poderiamos então inferir do teu comentário que o Gaia tem perspectivas libertárias enquanto o Spectrum é Marxista Ortodoxo?
O gaia tem organizado muitas coisas, é por isso que merece algum respeito, mas em geral tem um discurso, politico ou outro, extremamente pobre e baseado num "activismo" que retira muito mais inspiração de movimentos católicos e social-democratas que de tradições libertárias.
Já o Spectrum pode ser tudo, de reformista a imbecil, menos marxista ortodoxo, é que realmente essa é mesmo a única coisa que não é. Esta nova geração precisa de umas doses valentes de wikipedia. Primeiro o Appel é marxista-leninista e agora o Spectrum é comunista ortodoxo.
ainda um grande esforço, camaradas
Publicado por [PP] às dezembro 3, 2009 05:04 PM
Eu cá, confesso, tenho um fraquinho pelo GAIA ;)
Publicado por [Saboteur] às dezembro 3, 2009 05:21 PM
Seu marxista ortodoxo...
Publicado por [PP] às dezembro 3, 2009 05:26 PM
"baseado num "activismo" que retira muito mais inspiração de movimentos católicos e social-democratas que de tradições libertárias."
Na mouche. Infelizmente parece que é o que "pega" melhor em Portugal. Parece-me que por cá pode ser-se "orgulhosamente só" e ninguém alinha ou então ser mais "activista" e de brandos costumes e juntar algum quórum. Conheço alguma malta que se diz anarquista no GAIA e que cede para "ter quórum para conseguir fazer alguma coisa".
Nas bicicletas, aliás, temos o mesmo problema.
Publicado por [Tárique] às dezembro 3, 2009 07:42 PM
ó PP, essa dos movimentos católicos e sociais-democrata (UGT?) inspirarem o GAIA é boa. E não quero estragar a celebração do regresso do indymedia, mas se for o "burburinho" do teu ppl, da rádio leonor e unipop a animar a coisa estamos bem fodidos.
Imagina a delícia, vamos poder ter tertúlias com os unipops e discussões literárias com os antipáticos no indymedia. Vai ser uma animação.
(nota bem: não sou #riders on storm (à twitter)
Publicado por [storm on the ride] às dezembro 3, 2009 08:50 PM
Pelo que deduzo da chuva de comentários o novo Indymedia é... "baseado num "activismo" que retira muito mais inspiração de movimentos católicos e social-democratas que de tradições libertárias." (sic), enquanto o antigo Indymedia era mais da tradição libertária...!!!
Ou será que não percebi bem?
Já sobre os libertários, eles são tantos... até mesmo onde não se julga encontrá-los. No fundo,é tudo uma questão de não alimentar o purismo reaccionário... e estar aberto à revolta (Camus)...
Publicado por [Riders on storm] às dezembro 3, 2009 09:17 PM
O GAIA é libertário e o spectrum é marxista ortodoxo...
De facto, lê-se com cada coisa.
Publicado por [Rick Dangerous] às dezembro 3, 2009 10:05 PM
Se um gajo tivesse a espera de voçes nem q fosse pra uma acção simbolica tava tudo bem fudido, bem falantes e ironicos neteiros.
Publicado por [Anónimo] às dezembro 3, 2009 10:42 PM
Tenham lá dó de quem vem aqui para aprender, a sério. O que é isso dos movimentos católicos?!
PS. Não vale como resposta bibliografia do lenine...
Publicado por [Xica Darque] às dezembro 3, 2009 11:11 PM
tanto para dizer sobre o azul cueca. fica para quem me vir de pijama.
Publicado por [renagade] às dezembro 4, 2009 12:11 AM
De acção simbólica
em acção simbóloica
enche a galinha o PAP.
Publicado por [Rick Dangerous] às dezembro 4, 2009 05:04 AM
Com católico, passe a liberdade momentânea pouco rigorosa historicamente, queria dizer que em grande parte das acções do Gaia está implicito o discurso de que o sistema é feito por pessoas más e que a resistência a ele é feita por pessoas boas. Ou por outras palavras, que a base do sistema é o egoismo, a avareza e o orgulho e que portanto as ferramentas para o ultrapassar são a amizade, o amor e a boa-vontade.
E concordo totalmente que não é a RL ou a unipop a agitar o que quer que seja, mas também a expressão que utilizei foi burburinho e não cacofonia.
Publicado por [PP] às dezembro 4, 2009 07:12 AM
O Pintinha Carvalhão é que a sabia toda!
Publicado por [Vladz] às dezembro 4, 2009 09:40 AM
PP, obrigada pela resposta, percebi perfeitamente e é muito útil para eu pensar.
Ontem fui ver o 'indymedia' - encontrei lá uma frase que é algo como (cito de memória e não vou ser fiel) "somos contra este sistema que não tolera tudo o que ainda é bonito e selvagem no mundo" (o "bonito e selvagem" fixei).
Pergunto se "ser capaz de perceber que o mundo é bonito e selvagem" é uma forma poética de dizer o mesmo. E estou de acordo - não são os 'maus' que nos lixam, mas outra coisa que deve ter um nome científico, 'estruturas' ou 'sistemas'. E se não são os 'maus' que nos lixam, não serão os 'bons' que nos libertarão (?). Mas há aqui qualquer coisa de profundamente insuficiente.
Enfim, vou continuar a ler-vos. Obrigada.
Publicado por [Xica Darque] às dezembro 4, 2009 02:16 PM
Ponham os egozinhos no lixo e unam-se, porra!
Publicado por [anonimix] às dezembro 4, 2009 04:29 PM
alguem me explica afinal o que é um comunista ortodoxo?
Publicado por [anon] às dezembro 4, 2009 04:35 PM
Então PP agora a sério: tens um fraquinho pelo GAIA? de ficar corado e tal? :) Eu fico corada quando te vejo :) ahahaha
eu não percebo nada de marxismos ortoxos, o que é chato...falta-me a parte histórica, aprender conceitos teóricos....e nc percebo nd qd vocês escrevem estas coisas...mas, vou apreendo...
Sim, há pessoas no GAIA anarquistas.
E sim, o GAIA gosta de cooperação, não é mt individualista! Então se eu para ir ao poço e regar um talhão e ainda recolher pimentos no dia seguinte preciso de 3 pessoas é fixe que tds concordem com a acção de colher pimentos (independentemente de querer comê-los ou não...). Mas se a questão é só ir buscar água ao poço, para depois usar em algo...não é preciso consenso (nunca sei escrever bem esta palavra!). Ou seja, há acções que precisas de consenso porque precisas de mais de uma pessoa a concretizar! Também se forem 2,3,4 pessoas não fazes a rodinha do consenso. Quando só precisas de ti para concretizar algo, não precisas de consenso (ou precisas do teu consenso). Quando queres falar em nome de um grupo também precisas de consenso...Eu acho isto básico. Agora cooperar é díficil? estar dentro de grupos grandes é díficil? Opinião de grupos unidos têm mais força que 1 indivíduo...?
Venham lá as vossas teorias...conceitos! E digam que o que eu escrevi é uma falácia, PF! :)
Publicado por [Pimpinela] às dezembro 4, 2009 05:19 PM
Mas, o que eu queria mesmo dizer...é: porque não publicas este teu artigo no indymedia? Só para testar o sistema indie!
Publicado por [Pimpinela] às dezembro 4, 2009 05:22 PM
Eu como sou toina, só agora percebi que é o Saboteur q tem fraquinho pelo GAIA :))) ihihih estava a achar estranho esta declaração do PP. Bem! ná há forma de mudar estes comentários, como: Nome em cima e comentário do mesmo em baixo? ficava mais perceptível para os mecanismos do meu cérebro..
Mudando de assunto: estes comentários do spectrum são mto popopopop...bla bla bla...Uni...
Eu tenho um fracão pelo GAIA. Depois todas as pessoas do GAIA que falam aqui do GAIA, nunca as vi em nenhuma reunião, numa acção/ actividade...E o comentário segundo "o amigo que disse"...não pega muito. Na verdade o GAIA é muito heterógeneo (por isso, criticam tanto), mas há um sentido de amizade grande (bla bla bla) e isso é muito importante para haver liberdade e respeito (aqui vem o consenso) de movimentação dentro do GAIA. Também há um grande sentido de conteúdo político-mostrar alternativa...e deve haver muita dor de cotovelo (sorry) de algumas pessoas em relação a algumas coisas que o GAIA faz "do género, "organiza-te e mostra que é possível". Agora o GAIA também "erra", ou segue estratégias erradas...Mas, é muito fácil de criticar depois de estar feito. Por isso, a lógica de os movimentos unirem-se pelo que têm em comum e não destruirem-se a eles próprios com o que não concordam, parece "la la la-poético", mas tem a sua razão. Eu não gosto de andar em carneirada e ao mesmo tempo não quero andar sozinha e acho que há espaço para todos criarmos o nosso mundo, em grupo, sozinhos...as we wish...(e não comento mais este post...só queria falar mesmo do GAIA...dos marxismos-ortodoxomus tenho pouco a dizer, não percebo, nunca os experimentei de foice na mão.berbequim também não sou pró...cotonete, polui....cera derrete com o tempo...o indymedia o tempo dirá, como será.
Publicado por [Pimpinela] às dezembro 5, 2009 01:15 AM
e o quorum, significa fazer em grupo para mim. se fazes em grupo precisas do grupo para decidir/fazer. é por isso que é um grupo. eu acho muito lógico as decisões em grupo serem decididas em grupo, porque se fossem decididas só por uma pessoa dizia-se "no GAIA há umi fascisti/autoritári de merda" que decide as tudo sozinhi em prol de um grupo...enfim...tudo serve para criticar, não é?
Publicado por [Pimpinela] às dezembro 5, 2009 01:21 AM
e o quorum, significa fazer em grupo para mim. se fazes em grupo precisas do grupo para decidir/fazer. é por isso que é um grupo. eu acho muito lógico as decisões importantes em grupo serem decididas em grupo, porque se fossem decididas só por uma pessoa dizia-se "no GAIA há umi fascisti/autoritári de merda" que decide as tudo sozinhi em prol de um grupo...além que depois tinhas uma decisão que nem todos aceitavam e enfraquecia porque não a conseguias concretizar sozinho (provavelmente).enfim...mas, tudo serve para criticar, não é? vale!
Publicado por [Pimpinela] às dezembro 5, 2009 01:24 AM
granda mar..er pimpinela! Parece-me que a palavra chave é "acção". E é engraçado que num blog dito de "extrema esquerda", "marxista ortodoxo", "libertário", num post sobre o indymedia, o assunto acabe por ser o GAIA.. porque raio é que não saem do sofá? faz muita falta a Lisboa um centro social de verdade, libertário, okupado, com corretor ortográfico para os consensos. Ou dois! tomem a cidade, reduzam o GAIA à insignificancia. Custa, né? e a tese? De todo o modo, parece-me em parte lisongeira tanta atenção,mas sinceramente seria muito mais interessante viver numa cidade em que estas divergencias não ficassem nos blogs.
Já fui a algumas reuniões do GAIA e o que mais vi foi discordia. Portanto parece-me estranho ler num blog tantas simplificações de um grupo tão pouco homogeneo. Quanto a maniqueismos, enfim..não vai ser tão dificil encontrá-los aqui,né? esses mesmo dos bons contra aos maus. Dos gaiatos que conheço, a maior parte não acredita nessa dualidade rude, portanto se fica implicita nas acções..deve ser mão divina.
Publicado por [bruno] às dezembro 5, 2009 02:54 AM
Bom, bom, bom!!!
Tanta matéria-prima para processar...
Mas para simplificar, e não cair na douta ignorância de associar o GAIA aos movimentos católicos (!!!???) e sociais-democratas (!!!???) como é feito algures aí acima, podemos resumir pedagogicamente todo esta tempestade palavrosa em duas esferas mentais:
a) por um lado, os estruturalistas, marxistas mais ou menos ortodoxos, e tutti quanti que alimentam a fé em grandes ideais...
b) por outro lado, os interaccionistas, mais ou menos libertários, para os quais as pessoas são mais importantes que as estruturas e as categorias ideológicas construídas...
Na base destas premissas ( e nas constatações confirmadas nos comentários) mantém-se a clivagem referida no meu primeiro comentário, e a necessidade do Spectrum despir-se da pesada estrutura ideológica que o atolhe no mundo cibernético e molhar os pés na reinvenção do quotidiano.
Porque não basta mudar o sistema, é preciso também mudar de vida, como diziam os surrealistas mais libertários...
Publicado por [Riders on storm] às dezembro 5, 2009 12:07 PM
gostei dos posts morangos com açucar que vi aqui
Publicado por [anon] às dezembro 5, 2009 12:34 PM
Anona: Vou enfiar a capurapuça dos morangos do açucar...Mas, na verdade não posso responder porque nunca vi os Morangos com açucar. Talvez seja tenha um estilo parecido, mas não posso mesmo saber, porque n conheço os Morangos com açucar. Já ouvi falar pela rua, mas nunca prestei muita atenção.
Eu não curto muito quando dizem mal do GAIA no spectrum (quando o fizeram há uns tempos)...Mas, é mesmo muito fácil criticar como vocês fazem ;) às bolinhas, coloridos, palhaços, espigas de milho...Fiquem nas vossas tocas a comentar posts, que eu também não me espigo mais! :) Acho que não sou muito feliz a comentar posts, por isso, não o faço mais....
Como seria o espaço só com os comentadores do blog spectrum? Começariam eles a criticarem-se a eles próprios, como crítica-canibal? :)
Publicado por [Pimpinela] às dezembro 5, 2009 02:52 PM
Ups! Talvez tenha sido eu a puxar a cena do GAIA...mas, realmente vejo sempre o GAIA ali e acolá..e ontem apeteceu-me vomitar morangos! (é que é fruta fora desta época)...
Mas, já estou óptima! :)
Publicado por [Pimpi-Morangui-caneli-IUPI :p] às dezembro 5, 2009 03:45 PM
Epá agora é que nos apanharam. Descobriram finalmente o nosso segredo mais bem escondido. Decidicmos há muitos anos (cinco) que as estruturas e as categorias ideológicas construídasas são mais importantes que as pessoas. E não abdicamos desse ponto de vista... A sério. Muito mais importantes do que as pessoas. Aliás, para as pessoas mais atentas será claro que o spectrum não é feito por pessoas mas por estruturas e categorias ideológicas construídas.
Sinceramente, só me lembro de que o GAIA existe por causa das caixas de comentários deste blog.
Publicado por [Rick Dangerous] às dezembro 5, 2009 05:17 PM
Gaia é uma cidade bonita. Mas não acho piada ao Presidente da Câmara. Serei marxista ortodoxo?
Publicado por [Bomb Jack] às dezembro 5, 2009 05:32 PM
Pimpinela: infelizmente agora não tenho muito tempo para responder, é no entanto agradável alguém que consegue fugir ao confronto mais ou menos ácido em que facilmente caimos e que até cultivamos.
Bruno: Se não há okupas em Lisboa não por ninguém tentar. É porque é muito dificil, a única hipótese de ocupar em Lx será reencenar a situação que possibilitou que a praça de espanha durasse 7 anos. Um mayor PS e uma casa da Câmara. Claro que havia um ou dois outros detalhes mas esses já são mais subtis. Ou então entrar em acordos com proprietários. Mas para esse peditório já dei tantas vezes que quando saio do sofa não será concerteza para okupar uma casa
Publicado por [PP] às dezembro 5, 2009 06:23 PM
estou solidário com a Pinpinela. percebo a defesa sincera daquilo que é tão fácil criticar pelos de fora. (apesar de não perceber quase metade do que a pinpinela diz...).
e no geral o comentário do riders on the storm resume tudo, em absoluto.
tudo é criticavel mas o spectrum é que não. viver no casulo da análise anónima e retórica do mundo é giro, mas vazio de valor real.
Publicado por [picas] às dezembro 5, 2009 06:25 PM
Okupas ou centros socias ocupados em lx é para esquecer... as mentalidades e falta de cultura politica, a começar na população comum e passando pela policia e dirigentes camararios impede qualquer projecto duradouro do genero.
E não é só em Lisboa, veja-se no Porto onde a Casa Viva que nem sequer é uma "okupa" no sentido literal do termo (já que a casa tem uma proprietaria que que incentivou a criação do espaço) tem tido montes de problemas à custa da policia e dos vizinhos.
Publicado por [anon] às dezembro 5, 2009 06:29 PM
fazer a separação entre "achar importantes as pessoas" e "achar importantes as estruturas" é das ideias mais confusas que já li, ou melhor: é daqueleas frases que se dizem a pessoas que conhecem bem quem fala, e descodificam metade.
de resto, seria como dizer a um preso "não sais daí pelo teu pé porque achas, no fundo de ti, que o aço das grades é mais importante do que as tuas mãos"
e sim, grande retórica se poderia fazer, a partir do que acabei de dizer, sobre a "ilusão de estar preso" e a fácil auto-libertação dos que "reinventam o quotidiano", ou se reiventam nele. Não gosto da palavra 'invenção', que nasceu a par do nascimento desta coisa em que vivemos, império ou sistema.
por mim nunca fiz mais do que estar no sofá a ler; não sou do GAIA (de que quase só ouvi falar aqui) nem de nenhum partido, não sou marxista ortodoxa, não sei da vida dos okupas nem estive em manifs pela europa fora.
os vossos debates são demasiado esotéricos, e a alternativa que vou lendo é plantar umas coisas numa horta e sonhar com o estilhaçar dos bancos po se terem estilhaçado umas montras. é pouco, inacreditavelmente pouco, e isto é uma evidência, não é uma crítica.
de tudo o que aqui vi até agora o que mais apreciei foi o manifesto "Appel", que talvez seja mais fundo do que o que parece a uma primeira leitura. Cada vez gosto mais dos franceses.
pimpinela, não sei se tens razão porque não conheço as historias que vocês partilham. mas aqui gostei de te ler.
Publicado por [xica] às dezembro 5, 2009 07:31 PM
xica,
se continuares a elaborar a tua crítica a partir das evidência nunca vais precisar de nenhuma das coisas que acima citaste. um curriculum, por definição, só serve para ser exibido.
e sim, o appel é mesmo bom. haverá mais, brevemente, numa estante perto de ti.
Publicado por [Chuckie Egg] às dezembro 5, 2009 07:48 PM
Chuckie, posto assim claro que tens razão. Mas eu não peço curriculums nem disse que fico pelas evidências (sem prescindir delas, porque elas são eu).
Explico: encontrei por acaso o spectrum, por via dele outras coisas, como agora o indy ou a radioleonor. encontro textos como o appel (isto é, fundamentais ou de fundo) e textos sobre a 'actualidade' (brincando, as 'ciclovias' e coisas dessas - o saboteur que nao leve a mal); encontro entre vocês de vez em quando, nos comentarios e em posts, a permanente referência a 'libertarios', 'marx-orts', etc, e às diferenças tacticas a que isso conduz. não encontro tao facilmente a ponte entre os dois níveis; provavelmente para vocês, na medida em que são militantes, ou activistas, ou whatever, isso já é sabido e digerido: do mesmo modo, um velho marxista analisa uma pequena greve à luz de trinta volumes do lenine, e nada falha tudo bate certo - sabe todo o caminho que vai da crítica do hegel à melhor maneira de imprimir panfletos clandestinos. Mas nao sou um velho marxista, e o que leio é-me insuficiente.
Penso enquanto escrevo e apetece-me responder-me já - isto (vocês) não são professores de escolinha e se eu quiser pegue nos pés e comece a ir a uma reunião do Gaia ou à manif do Berlusconi Day (a essa fui) ou aos acampamentos do bloco e o resto virá por acréscimo.
Obrigada pela resposta, e vou rondar as livrarias, e a net. e este blog, claro.
Publicado por [xica] às dezembro 5, 2009 08:30 PM
" encontro entre vocês de vez em quando, nos comentarios e em posts, a permanente referência a 'libertarios', 'marx-orts', etc, e às diferenças tacticas a que isso conduz. não encontro tao facilmente a ponte entre os dois níveis; provavelmente para vocês, na medida em que são militantes, ou activistas, ou whatever, isso já é sabido e digerido: do mesmo modo"
é isto, aqui o Spectrum transforma-se tantas vezes num forum mais ou menos incompreensivel para quem está mais de fora porque muita gente que aqui vem tem um passado de militância mais ou menos semelhante e portanto daí que abundem as private jokes
Publicado por [anon] às dezembro 6, 2009 11:11 AM
Acho que devíamos fazer fórum reais, c cerveja tremoço, sol-primavera e bolo com um morango com açucar na ponta! AH sim! e um spectrum-portátil para podermos estar ao livre, se possível recarregado a sol....vento....
Publicado por [Pimpi] às dezembro 6, 2009 04:47 PM
só se for militancia a fumar charros e beber copos, ahahahah cambada de putos mimados de lx nunca fizeram nada, e isso ve-se no q é q hoje existe
Publicado por [subvert] às dezembro 6, 2009 08:27 PM
não fazer nada é escrever esse post que escreveste. tal como este que estou a escrever.
Publicado por [.] às dezembro 6, 2009 08:54 PM
"Mas o que mais perturba, no momento, não são as arrogâncias do império, mas antes a debilidade do contra-ataque. Como uma paralisia colossal." (Appel)
Publicado por [xica] às dezembro 6, 2009 09:25 PM
Adoro citações.
Publicado por [.] às dezembro 7, 2009 09:06 PM
Eu nem por isso.
Publicado por [xica] às dezembro 8, 2009 02:02 AM
AKAIK you've got the awnser in one!
Publicado por [Dell] às maio 25, 2011 11:46 PM
