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maio 07, 2009

A irresistível atracção pelas "cidades delicodoces"

Abriu hoje, pela enésima vez em Portugal, "o maior centro comercial" não sei da onde…

Lembro-me que o da Portela era o maior da Península Ibérica e que o Colombo era o maior da Europa. Este, que abriu na Amadora – Dolce Vita Tejo – é outra vez "o maior da Península Ibérica", "o maior do País", "um dos maiores da Europa!"

O nosso país está habituado a estes records: O maior centro comercial, a maior feijoada, etc, etc… São símbolos do nosso atraso socio-cultural, mas também político.

A nossa comunicação social saúda o novo centro comercial: fala das 300 novas lojas, abertas em plena crise, do maior investimento privado deste ano, dos novos 2000 postos de trabalho criados (embora hajam jornais que falem em 5000… afinal o que é uma discrepância de 150% para jornalistas que são sempre tão rigorosos).

No entanto ninguém fala das lojas que vão fechar por toda aquela zona e dos postos de trabalho que se vão perder.

A abertura de centros comerciais, regra geral, "seca" todo o chamado "comércio tradicional" (ou comércio de rua) em volta. Ou o comerciante se sujeita a deslocar para o Centro Comercial ou pode estar condenado ao desaparecimento.

Nos centros comerciais as lojas estão todas juntas, há sempre lugar para estacionar, o ambiente é metodicamente climatizado, a luz é a ideal, a musiquinha é suave, não há gente “a pedir” e há videovigilância e funcionários da segurança por toda a parte.

Por outro lado, uma cidade sem "comércio tradicional" é uma cidade que morre. As pessoas deixam de andar pelas ruas, as ruas tornam-se desertas, menos vividas, mais inseguras…

É um ciclo vicioso de degradação: Haverá mais gente da Amadora a ir passar os finais de tarde ao Shopping porque as ruas são menos aprazíveis e cada vez mais estas “cidades delicodoces”, grandes superfícies privadas para o uso público, serão o centro de lazer das pessoas

Publicado por [Saboteur] às maio 7, 2009 11:35 AM

Comentários

falta dizer que quem ganha com estas parolices são os mesmos patos-bravos de sempre - Teixeira-Duarte, Mota-Engil, Bragaparques, ajudados pelos mesmos autarcas parolos de sempre. como sabes, moro a 50 metros de uma coisa dessas e vou lá 2 vezes por mês.
por outro lado não me choca nada que o comércio "tradicional" desapareça: nunca lhes ouvi um pio sobre as questões que enumeras (urbanísticas, de vivência urbana, de desemprego) e nunca os vi movimentarem-se para fazer algo contra estas coisas. Se calhar, também eles saõ símbolo de um certo ztraso socio-cultural

Publicado por [renegade] às maio 7, 2009 12:25 PM

Eu adoro o comércio tradicional.
Se não consumirmos nada de Portugal nem precisamos de produzir, continuamos escravos dos outros sem identidade nenhuma e cheissimos de cultura para proteger e conservar.

Sociedade consumista e futil esta... Dolce-vita . Vai dar alguns trabalhos aos jovens, mas significa um desiquelibrio para algumas familias mais pobres, com o desemprego e a crise.
Não me parece assim tão doce...

Sempre odiei centros comerciais, meiozinho pouco saudável esse, com os ares condicionados e com pessoas plásticas etc.

Mas a parte que mais me chateia são as gajas que passeiam os bébés ou crianças horas e horas, a criança ali não aprende nada de jeito.

Por isso acho que tens razão.

Publicado por [I.D. Pena] às maio 7, 2009 12:56 PM

moro na area metropolitana do porto, os centros comerciais nascem como cogumelos...... é a obra dos autarcas que temos. entretanto e o espaço publico degrada-se. o espaço publico é cada vez mais a internet, a tv cabo e os centros comerciais. um dia estamos todos a viver em simulacros...

Publicado por [pedro k] às maio 7, 2009 02:31 PM

A zona do comercio tradicional da Amadora é das mais animada do país (das que eu conheço, que já são algumas). ali encontra-se tudo e tudo se passa à volta do centro comercial Babilónia que merece ser visitado: na cave tem umas 40 lojas de telemóveis (não é exagero), onde trabalham mais de 50 primos do rick dangerous, só interrompidas por cabeleireiros de angola. naquele centro e nas ruas próximas compra-se tudo.E as ruas estao sempre movimentadas... Vale a pena passear na amadora.

Publicado por [catarinam] às maio 7, 2009 06:40 PM

se é o reflexo da vontade da população (e basta ver a balburdia que foi a inauguração) não vejo qual será o problema. impor modelos (por mais romanticos que fossem) sim seria um problema.

Publicado por [hugo] às maio 7, 2009 09:50 PM

hugo, terá sido mais a vontade dos construtores civis e da imobiliária.

Publicado por [renegade] às maio 7, 2009 11:17 PM

Concordo mas é preciso não esquecer outro problema sério que em parte está na base deste: o estrangulamento financeiro crónico dos municípios. Muito por má gestão, é certo, mas também pela continuada delegação de obrigações de prestação de serviços por parte da Adm. Central sem a correspondente transferência de fundos.

Nesta situação, contrapartidas, taxas, reconstrucção de estradas e acessos são $$$ a que a maior parte dos autarcas não podem dizer que não. Sob pena de serem corridos nas eleições seguintes por não terem dinheiro para assegurar os cada vez maiores serviços mínimos.

já agora, não é só nos centros comerciais que temos a mania das grandezas. no início dos 90 lembro-me de ouvir o mesmo sobre a praga dos escorregas aquáticos, para já não falar do "maior clube do Mundo" e a obcessao tuga pelo Guiness.

Publicado por [jacuzzi] às maio 8, 2009 01:54 AM

pelo menos no colombo não há carros em cima do passeio

Publicado por [PP] às maio 8, 2009 08:36 AM

o grande negócio é p o grupo (aqui o rei das cortiças a concorrer com o engenheiro Belmiro) económico que encomenda a obra. A mota-engil ou as teixeiras duartes encaixam agora(tb podiam encaixar com a construção de um equipamento ou com a reabilitação do edificado antigo da Amadora), quem fica a ganhar por décadas é o dono daquilo que cobra milhares de euros a cada uma das lojas. Sabemos que a d.Emília que tem a melhor boutique das redondezas, que emprega cinco ou seis pessoas razoavelmente bem pagas, não pode pagar uma renda de milhares de euros para estar no c.comercial. Quem pode são as Zaras e afins- que empregam as pessooas e exploram os recursos do planeta da forma q sabemos. A construção de um centro comercial é das actividades, juntamente com a especulação imobiliária e bolsista, menos produtivas e meramente parasitárias que existe.
A destuição de carrros devia subsituir-se à destruição destes templos de consumo climatizado.

Publicado por [Jó] às maio 12, 2009 02:42 PM

I bow down hmbuly in the presence of such greatness.

Publicado por [Nettie] às maio 26, 2011 09:55 AM

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