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abril 05, 2009
“Testemunho de bloggers em Gaza” by Najate Zouggari*
Com a cortesia e devido conhecimento da autora: tradução (inglês para português**) e publicação no Spectrum.
A relação entre “bloggers de guerra” e jornalistas não é uma relação pacífica. Ela é frequentemente caricaturada, como o encontro das frustrações dos jornalistas e outros indivíduos ciumentos dos seus privilégios. Donald Matheson e Stuart Allan*** no capítulo intitulado “war zone: the role of warblogs in Iraq” analisaram a colaboração entre o que eles chamam mediasfera e blogosfera. Os autores argumentam que os blogs não podem ser separados da mediasfera uma vez que é uma resposta a estes últimos. No caso do recente ataque a Gaza, parece que este fenómeno é diametralmente oposto, é a blogosfera que se tornou um impulso das notícias e a principal fonte de informação.
O modelo de Matheson e Allan, cujo esquema foi aplicado em 2003 no momento da invasão do Iraque, poderia ser agora claramente invertido se tivermos em consideração a ofensiva a Gaza em 2008.
Não obstante, a principal conclusão destes autores continua a ser válida:
‘the dominant model of the foreign war correspondent, developed during the relatively information-scarce nineteenth-century, relied upon the correspondent having a monopoly of information and the status of an expert by dint of being present on foreign soil and having general journalistic skills. Such a model becomes less tenable when news editors and readers have instant access to multiple voices, both journalist and lay, experiencing the news event in question from an array of perspectives in multiple locations.’ Matheson, Allan (2007, p.87)
Algumas destas “vozes múltiplas” são inseridas no “Global Voices” , uma plataforma fundada pelo Berkman Centre for Internet e a Society at the Harvard Law School. Ethan Zuckerman e Rebecca MacKinnon inauguraram este precioso ponto de encontro em 2004. Quatro anos mais tarde, este site tornou-se uma das fontes central e independente para todos aqueles que estejam interessados em ouvir outras vozes. Mackinnon diz na BBC:
‘If bloggers are out there creating media and talking about things that the mainstream media isn't covering, that may also help push the mainstream media to recognise that there are a lot of things out there that people care about that they've simply failed to cover.’****
“From Gaza, with love” é um blog –criado no Blogspot – por Mona Al-Farrah, uma médica activista pelos direitos humanos que se encontrava no Egipto quando os bombardeamentos começaram em Gaza. As suas mensagens revelaram então um testemunho autêntico, transmitindo directamente na blogosfera as informações que ela recebia dos seus amigos, antes mesmo de elas chegarem à mediasfera. Tendo tornado publico o seu número de telefone na eventualidade de alguém –jornalistas?- a querer contactar. Mohammed Fares Al Majdalawi, realizador e trabalhador social na Banda de Gaza, publicará um post no blog de Mona que diz (4/01/2008) :
‘There is a horror in every minute (...) I have two message to the world, (...) to the lovers of peace and freedom in the world. First message: Imagine your life with no electricity, destroyed homes, missiles night and day, no food. Imagine your children and your family telling you they are afraid of the missiles (...) My second message: End the siege and stop the killings, stop the demolitions of our houses.’ *****
As falhas dos media profissionais devem ser consideradas como inexactidões. Tecnicamente, por outro lado, o blogger torna-se completamente disponível quando mete o seu número de telefone on-line no fim do seu post. Ao invés, nenhum jornalista ou nenhum simples leitor é convidado a confirmar os factos. Muitos bloggers como Mohammed continuaram a escrever logo que tiveram acesso à internet. Felizmente, a mediasfera – não toda – deram eco aos gritos e histórias da blogosfera. A Al jazeera em inglês, a partir de Gaza, através do “twitter” deu ao público em geral a oportunidade de seguir – e confirmar – as informações quase ao mesmo tempo que cada novo post era publicado.
A passagem pela mediasfera e blogosfera é um caminho que pode levar a audiência a sentir-se envolvida no processo informacional em vez de ficar passivamente absorvida nos fragmentos divulgados pelo “mainstream media”. É uma oportunidade para os jornalistas profissionais partilharem o debate com este tipo de público activo, tanto com os “escritores” não-profissionais como com os testemunhos. Vale a pena sublinhar como a Al Jazeera em inglês, a um determinado momento, teve consciência da combinação perfeita entre blogosfera e mediasfera através de uma plataforma experimental chamada “War on Gaza. Experimental Beta” . Neste website, um mapa encontrava-se disponível e qualquer acidente podia ser assinalado pelo site, pelo “twitter” e por telemóveis (SMS). Subsequentemente, estes acidentes eram confirmados e possivelmente validados.
Em suma, “a verdade na zona de guerra” já não depende do monopólio da informação chegada através dos correspondentes estrangeiros. Esta “verdade” pode assim melhor resultar de um diálogo entre uma blogosfera activa e uma mediasfera aberta que mete em valor a inteligência da audiência, forjando um recentramento deste fenómeno no processo informacional – numa partilha de racionalidade.
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Referências:
Este texto foi publicado em inglês: arabdemocracy e Happy daggers
*Jornalista francesa em Londres
** Responsabilizo-me por todas as imprecisões de tradução, e qualidade linguística!!!
*** Maltby S., Keeble R. (2007) Communicating War. Memory, Media and Military. Bury St Edmunds: Arima Publishing
**** Boyd C., (2005). "Global voices speak through blogs," BBC NEWS Technology, April 6, 2005.
***** From Gaza, With Love (Mona El-Farra)
Publicado por [Shift] às abril 5, 2009 03:23 PM
Comentários
Back in shcool, I'm doing so much learning.
Publicado por [Ving] às setembro 30, 2011 06:45 AM
