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outubro 23, 2008
"Prisioner with inconformist behaviour"
Sendo que estou bastante longe de ter visto sequer dez por cento dos filmes do DocLisboa já vi bastantes desde que o festival começou, a maioria bastante bons, ou não estivesse a ser homenageado Frederick Wiseman. Mas o que mais me impactou no festival dos documentários é um filme que não é um documentário. Ou pelo menos não o é no sentido leigo do termo.

Hunger de Steve McQueen é impressionante em inúmeros aspectos. Trata da greve de fome de Bobby Sands, militante do IRA detido. A maioria dos documentários assume a sua vocação "social" ao providenciar uma catarse no espectador: da mesma maneira que a teenager cumpre a sua necessidade de romantismo charoposo a ver o titanic o jovem urbano com preocupações sociais sente-se um pouco mais próximo da verdadeira experiência proletária e da indignação de classe depois de ver o documentário da monsanto ou das fábricas argentinas. Mas Hunger inscreve a situação que retrata de um modo tão contundentemente fisico e orgânico que quase não permite uma textualidade para lá da marcada no corpo, sendo quase mais um exercicio escatológico do que uma denúncia escandalizada, e é precisamente por ai que pode ser apreciada enquanto documentario e não só enquanto obra de ficção.

Steve McQueen, o artista, não o actor.
Steve McQueen, homónimo do actor, é inglês e primeiramente conhecido enquanto artista, tendo sido colega geracional de outros nomes tão polémicos quanto Damien Hirst e Tracey Emin. O background artistico é evidente na linguagem filmica utilizada, no cuidado compositivo e na oniricidade da narrativa. O filme foi apresentado em Cannes e parece que quem não aplaudiu de pé foi porque tinha saido a meio. Ainda não estreou no Reino Unido.
E PASSA 25 DE OUTUBRO, SÁBADO, NA CULTURGEST. Quem foi ver xaropadas tipo o Frantz Fanon tem obrigação de ver isto.
Aqui o trailer, susceptivel de chocar os mais sensiveis
Publicado por [Party Program] às outubro 23, 2008 09:31 PM
Comentários
Fui dos que foi ver essa estopada do Fanon. Seguirei o teu conselho e vou ver este. Copos depois, pessoal? Pelo menos até ao filme do Kusturika... ainda espero arranjar bilhetes.
Amanhã vou ver Homeostética, claro. Vieira a Presidente!
Publicado por [Saboteur] às outubro 24, 2008 12:13 AM
O do Kusturica acho que também é sábado. Sabem dizer-me onde é? Gostava de ver ambos.
Publicado por [Robespierre] às outubro 24, 2008 02:56 PM
Eu vou ver o Missile. Pelas sinopses será um dos mais interessantes para mim.
os mbic ainda hoje são a arma mais total e impossível de deter à face da terra.
e há gajos com o dedo no "botão do armagedão" 24 horas por dia.
nadirdostempos.blogspot.com/2008/02/intercepo-cintica.html
upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/5/5f/Peacekeeper-missile-testing.jpg/380px-Peacekeeper-missile-testing.jpg
Publicado por [Tárique] às outubro 24, 2008 04:51 PM
O do Kusturika - que é como quem diz: o do Maradona - é na culturgest... mas creio que já está esgotado, companheiro. Mesmo este, vamos ver...
Publicado por [Saboteur] às outubro 24, 2008 05:49 PM
o Hunger encena a estética da violência, mas politicamente é neutro - o que significa que subliminarmente, reduzindo-se apenas a mero state of art toma partido pelo status quo - p/e omite que Bobby Sands foi eleito deputado ao Parlamento; e ninguém ao ver agora o filme faz a ligação: afinal mataram um deputado eleito! Tatcher é assassina, etc
mas isso não interessa a Steve McQueen, mais entretido a estudar filosoficamente o direito como culpa do individuo em se sacrificar por uma ideia colectiva
Publicado por [xatoo] às outubro 27, 2008 10:05 AM
"o único momento de felicidade para o espectador é a cena em que o polícia torturador leva um valente tiro nos cornos."
e é politicamente neutro?
além disso a informação de que bobby sands era deputado é dada numa vinheta no fim do filme
Publicado por [PP] às outubro 27, 2008 12:04 PM
é logo no início que dizem isso, numa espécie de preâmbulo contextualizador
essa parte ainda vi, fiquei até pouco depois daquela parte neutra em que lhes enfiam os dedos no cú durante mais uma valente carga de porrada a que se segue aquele debate insípido com o padre...
Publicado por [ce] às outubro 27, 2008 12:25 PM
