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setembro 26, 2008

O caso dos Azulejos de Maria Keil – Um case study sobre a sociedade de informação na era da www

Já receberam um mail de indignação com a destruição dos azulejos de Maria Keil por parte do Metro, não foi? E esquerdalhos como são, com certeza que reencaminharam para os vossos endereços de mail e com certeza que fizeram um postzinho no vosso blog, contra a Administração do Metro, o Governo, o ministro da cultura e a Câmara…

Quem leu os vossos mails e blogs, comentou e indignou-se ainda mais, criando uma imparável bola de neve, que ninguém sabe onde começou, como é habitual nestes casos.

Ora, aconteceu que neste caso é diferente: “quem começou” foi uma camarada nossa – a Júlia – que vem agora esclarecer que o post inicial dela foi só para relembrar, a pretexto do aniversário da artista, uma polémica que tinha havido há anos, quando das obras na estação dos restauradores, e que na altura o assunto foi sanado e ultrapassado.

Este caso vai continuar. Ainda ontem, Helena Roseta, apresentou na Câmara uma moção a exigir do Metro e do Município, não sei o quê… Nas eleições autárquicas de 2009 falar-se-á, com toda a certeza, dos azulejos e o Santana ou o Seara, chorarão lágrimas de crocodilo pelo património perdido.

No entanto, alguns frequentadores da blogosfera saberão mais… aliás, como sempre ;)


Publicado por [Saboteur] às setembro 26, 2008 07:00 AM

Comentários

no miradouro de santa luzia faltam muitos azulejos (centenários?)? é fácil encontrá-los, basta ir às lojas de souvenirs um pouco mais abaixo na rua.

e falando em azulejos, na estação de metro da cidade universitária ainda está uma tela com projector à frente de um original de vieira da silva?

vemo-nos às 18:30, espero

Publicado por [Tárique] às setembro 26, 2008 10:25 AM

Não estava a contar ir porque me tinha esquecido da data...mas vou.

Quero contar aos amigos como as bicicletas de uso partilhado não íam sendo aprovadas em câmara, porque, segundo Helena Roseta e Ruben de Carvalho, só se pode pensar em sistemas como estes depois da cidade estar preparada para as bicicletas: Ciclovias, acalmia de transito, etc.

Felizmente, ao fim de algumas horas, conseguiu-se ultrapassar o diferendo, metendo na proposta alguns paragrafos propostos... (para jornalista ver, claro)

Publicado por [Anónimo] às setembro 26, 2008 11:42 AM

Hoje o Expresso fala sobre o tema... ainda? ahahaha

Publicado por [Anónimo] às setembro 28, 2008 02:47 AM

"Em que mundo é que vivemos, que põem coisas assim na Internet sem falar com ninguém?", interroga Maria Keil, a pintora, ilustradora e ceramista, actualmente com 94 anos. Mais de três mil pessoas já subscreveram na Internet uma petição que a apresenta como vítima do Metropolitano de Lisboa, por este ter destruído alguns dos seus painéis de azulejos. Só que ninguém falou com a artista, que há muito chegou a acordo com a empresa. "A petição é um perfeito disparate", comenta, abismada com a história, "foram pegar nisto agora para quê? Quem querem atingir? É horrível". O documento apresenta como recente um caso com mais de uma década. A sua criação é um autêntico fenómeno de 'bola de neve' típico da Net e dos blogues. Um pequeno comentário dá origem a um texto inflamado que deturpa os factos e cuja informação todos dão como certa. Em causa está a destruição de alguns dos painéis de azulejos de Maria Keil durante as obras de alargamento e remodelação de estações de Metro ocorridas nos anos 80 e 90. Especialmente em foco está a intervenção na estação dos Restauradores (em 1997), cujos azulejos foram irremediavelmente destruídos, enquanto que os da estação de São Sebastião serão repostos, mantendo o seu aspecto original, de acordo com o estabelecido entre a transportadora e a artista.

Os painéis de azulejos foram criados, a partir dos anos 50, por Maria Keil, que os ofereceu para as primeiras 19 estações do Metro, concebidas pelo seu falecido marido, o arquitecto Francisco Keil do Amaral. Em 1999 a artista criticara, em entrevista ao jornal 'Público', a destruição dos seus painéis dos Restauradores, sem que a empresa lhe tivesse comunicado sequer o que ia fazer. "Agora não posso refilar por me andarem a picar as paredes porque, de facto, dei tudo".

Foi uma referência a essa entrevista — a 9 de Agosto passado, por ocasião do 94º aniversário da artista —, no blogue de Júlia Coutinho ('As Causas de Júlia'), que veio a provocar uma cadeia de reacções. Samuel Quedas leu o «post» e desenvolveu o assunto no blogue 'Cantigueiro', insurgindo-se por, "ao contrário de quase todos os arquitectos, engenheiros, escultores, pintores e quem quer que seja que veja uma obra pública alterada ou destruída sem o seu consentimento, Maria Keil não tem direito a qualquer indemnização". O bloguista acrescentou que no "Metro de Lisboa há juristas muito bons, que descobriram não ser obrigatório pedir nada, nem indemnizar a autora, de forma nenhuma exactamente porque ela não cobrou um tostão que fosse pela sua obra".

O atear da polémica O texto não passou despercebido aos autores do blogue 'A Face Oculta da Terra', Carlos Alberto Augusto e Rui Mota, que, o transformaram numa petição.

Entre os signatários da petição — disponível em http://www.petitiononline.com/MK2008PT/petition.html — surgem nomes como o da médica Isabel do Carmo ou da coreógrafa Vera Mantero. Ambas referiram ao EXPRESSO não fazer ideia de que Keil se opõe à petição e que, caso soubessem, muito provavelmente não a teriam apoiado.

O número de signatários continua a crescer, assim como uma onda de críticas à administração do Metro ou à autarquia de Lisboa. Há mesmo um bloguer que já pediu a demissão do actual ministro da Cultura... Contactado pelo EXPRESSO, Rui Mota diz que vão manter a petição tal como está, porque se trata de "um acto de cidadania" contra o "atentado ao património", independentemente da posição da ceramista sobre o assunto. Samuel Quedas afirma que não é responsável pela petição, que é inteiramente constituída pelo seu texto.

Publicado por [Expresso] às setembro 28, 2008 04:09 PM

Trata-se, com efeito, de uma oportunidade para, quem quer ser conhecido, se mostrar (refiro-me ao (s) autor (res) da petição.
Eu próprio já tive 1/2 dúzia de painéis daqueles azulejos à venda, sendo certo que os comprei ao Metropolitano, EP que mos vendeu acompanhados de um certificado de autenticidade.....
O respeito pela Cidadania pressupõe o respeito pelas liberdades individuais....

Publicado por [Miguel Morbey] às outubro 9, 2008 12:03 PM

Eu também assinei a petição. Seja sob que motivo for, é a destruição gratiuta de uma obra de Arte. O que eu, deveras, desconhecia é que uma obra «oferecida» pelo autor perde toda a espécie de direitos ! E quem beneficia com essa obra? O Autor ofereceu a «X» ou «Y» com determinada finalidade.Finalidade essa que não se verificou, ao desmantelar ou destruir a obra. Então como é legal que outrem beneficie da venda «a retalho» de uma obra autenticada com Autor, ainda que este não tenha cobrado? Desconhecia esta lei de «direito de Autor»!

Publicado por [Antonieta Janeiro] às fevereiro 5, 2009 06:38 PM

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