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setembro 27, 2008
A segunda vez que votei
Quem tenha estado alguma vez envolvido em qualquer sub/contracultura sabe que acaba por chegar um momento em que as suas subjectivídades culturais ou desaparecem ou são absorvidas pelo mainstream. Normalmente o segundo processo é acompanhado por um clamor critico que acusa os que tenham triunfado segundo as regras hegemónicas de se terem vendido, de terem prostituido a sua criatividade à indústria cultural, de terem sacrificado a sua integridade ao capital. Por quanto sejam pertinentes as questões, na cena hardcore de onde vêm os vicious 5 essa discussão sempre assumiu contornos ridículos e puristas, tendo sido preocupações mais rituais do que criticas, e pouco relevantes para quem tenha um minimo de bom senso.
Pessoalmente a música dos vicious 5 diz-me pouco sem que me desgoste ou incomode, parece-me, como inúmeros outros grupos, uma versão portuguesa de X, Y e Z e acho que os vicious 5 sempre encarnaram voluntariamente o seu papel de serem os primeiros a estrear em Lisboa as modas de fora, algo que é comum confundir com criatividade. Qualquer um dos projectos paralelos dos membros da banda me parece infinitamente mais interessante do que esta: CAVEIRA é das duas únicas bandas portuguesas das quais gostei realmente, a par com Pee Wee Montana, O Xinobi detrás dos pratos é brutal e mesmo The Youths ma parece fixe, mas isso porque sempre tive um certo prurido com o imaginário dos vicious 5.
Aqui há meia dúzia de anos as cerca de 150 pessoas que formavam a cena hardcore perceberam que no estrangeiro os seus congéneres já não adoptavam os mesmos códigos estéticos que eles e de um mês para o outro estas 150 pessoas mudaram radicalmente de estilo. Entre as substituições feitas foi a troca dos livros que liam: se antes os livros que recomendavam entre eles eram clássicos como os livros do Osho e o asqueroso “A profecia celestina” agora, graças à celeridade da amazon.com, todos fingiam ler “A Sociedade do Espectáculo” e o muito mais digerível “Tratado do saber viver blah blah blah” do Vaneigem. De repente toda a gente era subversiva e insurrecional, pro-situ e pantera negra honorária, claro que aparte de formar colectivos pro-situs de qualidade muito discutível e duração ainda mais curta, daqui não saiu nada de minimamente relevante. Excepto os Vicious 5.
Os Vicious 5 são gajos porreiros, alguns são amigos, outros meros conhecidos sem que isso implique qualquer hostilidade, um deles fundou comigo a primeira célula insurrecional em que estive envolvido, o já distante “caminho de ferro”. Mas quando saem entrevistas em que afirmam que os vicious 5 nasceram nas “festas subversivas das okupas de lisboa” toda a gente que alguma vez tenha estado numa festa subversiva numa okupa em lisboa ri-se porque nunca viu ninguém dos vicious 5 lá, quando dizem que o som deles é o som das ruas selvagens de lisboa ou coisas do género fica-se a pensar que ruas selvagens serão essas...evoca um tipo de vaidade voluntariamente quixotesca em que se confunde o lux com o Forte Prenestino e o burburinho do bairro alto com as barricadas do quartier latin.
No entanto eu espero sinceramente que ganhem o prémio da MTV e que isso lhes permita sobreviver sem ter que trabalhar em call-centers. É também irónico, e dai talvez não, que a primeira vez que apele ao voto na minha vida seja para as eleições da MTV.
Vota nos V5 (seguir o link, carregar no "vota", a seguir no "best portuguese act", os vicious 5 são os rapazes com os óculos escuros guays, podem votar as vezes que quiserem)
Publicado por [Party Program] às setembro 27, 2008 01:22 PM
Comentários
ah ganda pp, se escrevesses no Y ou no Blitz até era capaz de comprar esses pasquins. Quem lhes dera escrever assim, foda-se.
Aproveito a tua sugestão mas vou votar no Sam the kid: é que canta em portuguÊs e isso dá-lhe logo 20 km de avanço sobre os outros todos.
Publicado por [renegade] às setembro 27, 2008 08:08 PM
epá esse argumento do canta em português é bastante fraco, ainda por cima não é que cante muito bem.
quanto aos senhores do Y já sabem, se quiserem aumentar a circulação é falar comigo.
Publicado por [Party Program] às setembro 27, 2008 08:49 PM
Desculpa lá... Votei Buraka, obviamente.
Publicado por [Saboteur] às setembro 28, 2008 03:03 AM
E qual foi a 1ª vez que votaste?
Publicado por [Anónimo] às setembro 28, 2008 12:10 PM
Ainda procurei o Leonel Nunes e como não encontrei decidi não votar em nenhum. Dos vicious 5 o que me lembro melhor, para lá da presunção constante, é de no superbock super rock o Quim ter perguntado ao público: "Então agora o que querem ouvir?" A resposta foi um ululante : "Tool!Tool!".
Publicado por ["Paco" Manendéz] às setembro 28, 2008 12:16 PM
é verdade que não canta bem, mas fala portuguÊs. nesse sentido é diferente e melhor que os outros pelo teu próprio critério (não copia o que vem de fora, usa os seus próprios recursos e não muda para vender mais discos, como fazem os outros). É que é muito difícil fazer coisas em português com qualidade enquanto mandar uns fuck the system ou i love you baby qualquer gajo faz.
Publicado por [renegade] às setembro 28, 2008 04:40 PM
não analises tudo ao minímo detalhe, porque quando eu falho, todos pro caralho que isto não é um ensaio
Publicado por [Sam] às setembro 28, 2008 06:55 PM
Dá para votar várias vezes do mesmo computador!! :P
É ver quem é que clica mais, se a Almada Crú, ou a Buraka Crú
Publicado por [Anónimo] às setembro 29, 2008 01:13 AM
Há uma enorme diferença entre copiar e trabalhar dentro de um género. Não disse que os v5 copiavam, mas que era a representação portuguesa deste ressurgimento de rock em linha directa dos stooges e do punk.
Bom e se há algo mais copiado em portugal sem ponta de originalidade é precisamente o hip hop
Publicado por [pp] às setembro 29, 2008 10:07 AM
Mas na primeira vez votaste em quê? Estou curioso... Sim à despenalização da IVG?
Publicado por [Anónimo] às setembro 29, 2008 04:01 PM
foi no salazar para português do século.
claro que foi referendo do aborto.
Publicado por [pp] às setembro 29, 2008 05:29 PM
tens razão. mas continuo a perguntar-me por que é que um género musical tem que estar vinculado a uma determinada língua...por que é que os vicious five não escrevem/cantam em português, espanhol, portunhol, francês ou suaíli? no momento de tomar essa decisão está-se a pensar em quê?
Publicado por [renegade] às setembro 29, 2008 07:45 PM
Nuca votei!! Para mim os politicos são todos iguais. Apenas muda a "cor". Os politicos, são apenas os "paus mandados" das grandes empresas económico-financeiras portuguesas. F dam s tds.
Publicado por [Apostador] às setembro 29, 2008 08:24 PM
Não percebo muito bem a tua indignação camuflada. Como se houvesse alguma inocência perdida em tudo isto. No domínio estético onde se movem, escolheram o fato que melhor lhes ficava. Há quem acredite em tudo o que lhe dizem e ache absolutamente brutal e original, so what? Se dá para beber copos e entrar à pála nas festas fixes, isso só pode ser um dos melhores usos de sempre da Sociedade do espetáculo
Publicado por [Rick Dangerous] às setembro 30, 2008 06:29 PM
"Como se houvesse alguma inocência perdida em tudo isto."
e não há?
Publicado por [Anónimo] às setembro 30, 2008 07:08 PM
Até pode haver. Mas isso não é bom?
Publicado por [Rick Dangerous] às outubro 2, 2008 06:54 PM
JNjudL h1! nice site! oxyutelno
Publicado por [mario] às março 4, 2009 07:46 PM
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