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maio 03, 2008
Vocês não ouviram uma só vez a Internacional eu ouvi três: quando grupos de extrema esquerda nos oferecem uma viagem ao século passado no 1 de Maio...
Há uns meses, inicio do ano 2008, estava eu um dia em casa, quando um membro secreto com uma capa escura bate à minha porta. Seria um domingo, fim da tarde, encontrava-me num imbróglio de reflexões associadas à minha intimidade. O membro secreto revelou ser um homem charmoso. O seu objectivo era claro, vender o jornal l’internationaliste. Tendo um belo homem à minha frente os sorrisos da minha parte desabrocharam facilmente!!! Ele pergunta-me também rapidamente qual a minha nacionalidade. Respondo-lhe, antes de ser Portuguesa sou Internacionalista. Encantado com a minha resposta pede-me o meu telefone. Encantada com o seu charme revolucionário dei-lhe o meu número. E assim começa uma saga de telefonemas, às piores horas da minha intimidade, pela parte da controleira do grupo ao qual o membro secreto pertence.

Muitas vezes convidaram-me para conferências e reuniões. Perguntei outras várias vezes se teria que confirmar a minha presença, hesitante a controleira dava-me respostas bizarras. Insisti para que ela me desse a morada ao qual ela respondia que os camaradas poder-me-iam buscar à saída do metro. Digam-me se não estamos num processo de recrutamento clandestino? A minha curiosidade aumentou até que aceitei participar na última proposta que coincidiria com o 1 de Maio. Mais uma vez a camarada controleira insiste para que eu lhe desse a minha morada pois um outro camarada poder-me-ia buscar de carro. Desta vez fui eu que hesitei e insisti que o encontro fosse na estação de metro, foi ela que ganhou a luta de persuasão e lá lhe indiquei a minha nova morada. Sem dúvida que se trata de profissionais.
9h30 da manhã, 1 de Maio de 2008, tinha uma camarada estrangeira à porta da minha casa! Destino: não sabia. Missão: indeterminada. Conversas esquisitas... à pergunta se eles costumavam ir buscar as pessoas porta à porta, a camarada responde: antes era só para os idosos agora é para todos pois os jovens também podem estar cansados. Sobre a questão da condução ela assumiu que o carro era emprestado pelo camarada ydgqlADndklf, nada a fazer, já estava a caminho. Encontrava-me nos subúrbios... sou um bicho do intra-muros parisiense portanto aquele sitio não me dizia nada! A camarada indica-me o caminho para uma sala de conferências, era uma velha sala de cinema decorada com tecidos vermelhos e uma tribuna. Fui uma das primeiras a chegar. Outros camaradas todos vestidos com costumes acolheram-me de maneira simpática mas fantasmagoricamente. A sala pouco a pouco começa a encher, muitas famílias para ajudar à minha perplexidade. O som instrumental da Internacional entra repentinamente pelos nossos ouvidos. Os conferencistas não estariam ainda preparados o que resultou na segunda passagem da Internacional. No fim desta segunda passagem um camarada chama à tribuna um camarada estudante do liceu não sei quantas. Começa o seu discurso dizendo que tinha 16 anos. Fiquei admirada pela sua postura atrás da tribuna, a imitação dos gestos do camarada Lenine (que me fez lembrar a imagem que aqui apresento) conjugada com a fluência do discurso deixou-me congelada no tempo.

Um tempo que recuou pelo menos de um século... ouvia os discursos... o vocabulário girava em torno da ditadura do proletariado, da burguesia, do socialismo cientifico, do capitalismo, da luta de classes e toda a gíria que todos nós conhecemos. Também eu defendo a utilização do termo da luta de classes na actualidade mas de forma articulada e problematizada com os temas de hoje.
Em França os estudantes do secundário têm estado nas ruas todos os dias para protestarem contra a redução de professores na escola pública. Pensei eu, que o miúdo de 16 anos, apresentado como “lycéen”, nos metesse a par destas lutas! Nada disso, enrodilhou-se numa retórica que conheço desde que o meu avô me ofereceu um livro de crianças sobre o mito da revolução russa. Para terminar o acontecimento, a organização ofereceu-nos o discurso do camarada mais experiente da mesa, porque mais velho, e que veio revelar-se a cereja em cima do bolo desta magnifica matinée. Uma hora e meia de discurso terminado ao som da Internacional, mais poderosa do que nunca.
Ainda a tremelicar, saio porta fora com o rebanho de ovelhas. A camarada que me foi buscar a casa corre entre as pessoas, apanha-me, e pergunta-me se tinha alguma questão sobre a conferência. Disse-lhe que para além de ser Comunista, Internacionalista, Marxista e tudo o que ela quisesse, também era Feminista! Foi a primeira coisa que me veio à cabeça... toda a sessão me tinha parecido bastante masculinizada. Ela responde-me friamente: a nossa organização não é feminista, a luta de classes é a nossa prioridade. OK! Obrigadinho vou para casa em transportes públicos.

Publicado por [Shift] às maio 3, 2008 12:10 PM
Comentários
Isto é verdade?
Publicado por [Party Program] às maio 3, 2008 12:25 PM
Ficção ou realidade eis a questao!!! é sim senhor, estamos em 2008, e eu encontrei-me na maquina do tempo!!! Depois dos cursos ideologicos algures na outra margem pensei que nao passaria por outra que tal!
Publicado por [shift] às maio 3, 2008 12:30 PM
como diria o outro: shit happens...
Publicado por [Anónimo] às maio 3, 2008 03:29 PM
Je vois ta décéption sentimental, mais vu l'âge des orateurs ça se fait que le vendeur de journaux n'avait peut être pas encore le permis de conduire ;) . Je ne l'avais pas non plus à l'époque de Lutte Communiste (LC). C'était bien ça?
Ton éxperience m'a renvoyé justement à LC, un parti communiste extra-parlamentaire, marxiste-léniniste (avec tiret, question de continuité...), internationaliste, anti-staliniste. Evidemment, tu avais un -isme de trop pour dialoguer avec eux. Ils avaient un -isme de moins pour parler avec toi. Le drame de la gauche.
Le parti fut fondé à la fin de la 2ème Guerre Mondiale par des partisans du Group Anarchique d'Action Prolétaire qui avaient initialment refusé de deposer les armes, dégoûtes par les accords de Yalta . Son siège principal se trouvait à Genova, où le noyau dur s'était bâti autours des ouvriers des docks. La structure de l'organisation, sur le modèle des cellules léninistes (hiérarchique et secrète), leur avait permis de passer indemnes les rafles des années '70 contre les groupes terroristes, auxquels n'étaient pourtant pas associés.
Leur théorie est inebranlable, construite autour du marxisme scientifique; leur ennemi idéologiqe se situe encore quelque part entre le réformisme de Kautsky à la deuxième Internationale (1889) et Bogdanov (1905). De toute façon, tout ce qui suit "Comment réorganiser l'ispection ouvrière et paysanne" (1923) du jamais assez regretté Vladimir Ul'janov est consideré faux, trompeur ou tout simplement incorrect...
Ils attendent la Révolution avec le même éspoir qu'on a de voir arriver le plombier un jour d'été : pas aujourd'hui, pas demain, mais un jour. Et entre temps? Ils analysent la realité -ils ont le plus parfait des instruments:le matérialisme sciéntifique!- comme les astrologues le ciel pour decerner les signes révélateurs et en outre ils font du prosélitisme pour preparer les masses.
Ils ont pourtant quelque point favorable, a partir de leur histoire: leur vision de Moscou était à l'époque plus corrrecte que celle des parti communistes européens. Deuxièmement, il faut reconnaitre que, contrairment à la plupart des marxistes actuels, ils ont lu Marx. Troisièmement ils connaissent la signification de "Internationaliste" et ils évitent de crier (comme souvent la gauche aujourd'hui) une théorie du "droit des peuples" (question irlandaise, abkhaze etc...) qui est encore plus vieille que Marx. Quatrièmement: ils ne font pas du simple "activis-bière" mais à leur manière s'engagent vraiement.
Bref, je me demande si une confrontation avec eux ne serait-elle pas utile à faire tomber quelque "-isme" de trop, comme ces bibelots qu'on garde sans savoir d'où viennent ou qu'on jette sans savoir à quoi servent-ils.
"C'est la lutte finaaaale..." (1888)
Publicado por [gab] às maio 5, 2008 10:37 AM
Sur l'air de "la digue du cul"
La ligue à Léon, Je milite à Nanterre,
La ligue à Léon, Je milite à Nanterre,,
Mais j'habite à Neuilly, la Ligue, la Ligue
Mais j'habite à Neuilly, la Ligue à Léon Trotsky !
La ligue à Léon, j'ai déclenché une grève,
La ligue à Léon, j'ai déclenché une grève
Dans l'usine de mon père, la Ligue, la Ligue
Dans l'usine de mon père, la Ligue à Léon Trotsky !
La ligue à Léon, mon père a trois usines,
La ligue à Léon, mon pères a trois usines.
Ca m'aide à militer, la Ligue, la Ligue
Ca m'aide à milier, la Ligue à Léon Trotsky !
La ligue à Léon, j'aime bien la couleur rouge,
La ligue à Léon, j'aime bien la couleur rouge
Celle de ma Ferrari, la Ligue, la Ligue
Celle de ma Ferrari, la Ligue à Léon Trotsky !
La ligue à Léon, j'aime pas les communistes,
La ligue à Léon, j'aime pas les communistes
Car y'a trop d'ouvriers, la Ligue, la Ligue
Car y'a trop d'ouvriers, la Ligue à Léon Trotsky !
La ligue à Léon, À deux c'est une tendance,
La ligue à Léon, à deux c'est une tendance
À trois c'est la scission, la Ligue, la Ligue
À trois c'est la scission, la Ligue à Léon Trotsky !
La ligue à Léon, j'ai lu le Capital,
La ligue à Léon, j'ai lu le Capital
En bandes déssinées, la Ligue, la Ligue
En bandes déssinées, a Ligue à Léon Trotsky !
Publicado por [Anónimo] às maio 6, 2008 01:06 PM
