« AVISO : Ideolologia à la Western Union | Entrada | A eurovisão em 68 »

abril 30, 2008

Notas sobre um certo e determinado sindicato por ocasião do Dia do Trabalhador - déjà vu é para betinhos

Niguém me contou. Não ouvi dizer nem corresponde a ideias feitas e reproduzidas por mim ou por outros. Não é boato mentiroso, nem sequer boato verdadeiro. Eu assisti, enquanto trabalhadora.

Eu fui a um plenário convocado pelo sindicato e comissão de trabalhadores (aqui entre nós, só não foi convocado também pela DORL porque era um bocado demais) onde os mesmos explicariam aos presentes os "resultados das auscultações" dos trabalhadores em cada serviço sobre a inexistência de aumentos salariais decretada aqui pelo patronato, digamos assim, sem que o sindicato tivesse, nessa altura, apresentado qualquer contra-proposta. Tinham também um "projecto de resolução" que não tinham distribuído aos trabalhadores presentes enquanto faziam as magníficas intervenções iniciais sobre a condição proletária e situação política nacional e local por, e cito, "uma razão táctica" mas que, de seguida, "aprovaríamos" a dita e dávamos por terminado o plenário.

A dita "proposta de resolução" que "aprovaríamos" não continha nenhuma contra-proposta negocial sobre aumentos salariais e não apresentava qualquer tipo de plano estratégico para a resolução do problema, apesar de, claro está, falar na "luta".

Bem, percebeu-se logo no início duas coisas: que o processo de "auscultação" tinha esquecido as propostas reais que os trabalhadores tinham feito. Foram pedidos esclarecimentos e não tinham resposta. É que discordavam, porque sim, porque não-sei-o-quê do "trabalho colectivo". Foram, de novo, feitas essas propostas, ao que o coordenador do sindicato responde qualquer coisa como (e vou tentar reproduzir ipsis verbis):

"Eu quando era novo e comecei nestas lides sindicais também tinha esse purismo" e blá-blá-blá paternalista, sexista, autoritário, "mas eu não vou defender essa proposta".

Depois dos "Ai vais, vais!", dos "Era o que faltava!", passando pela verdadinha toda do "Esse sindicato não nos representa", os trabalhadores - pelo menos os que falaram - exigiram uma votação.

Os da mesa resistiram, insistindo em fazer outras propostas estúpidas que seriam "consensualizadoras" (sic). Fala-se, nesse caso, numa votação em alternativa.

Ruborizam os da mesa, saltam-lhes perdigotos de saliva que o que é preciso é resistir às regras da democracia burguesa. Perdem-se as estribeiras, as eloquências e o asseio e os trabalhadores só não foram ainda mais revolucionários porque o sindicato recuou.

Recuou mas desconfio que não deu a mão à palmatória, corre o diz-que-disse (que, como qualquer diz-que-disse, é subreptício sem que se saiba em definitivo se é boato ou inconfidência senil - mas, quanto a mim, déjà vu é para betinhos!) que aquilo estava tudo era "organizado", presume-se que pela burguesia, pelo patronato, pelas forças do mal infiltradas nos trabalhadores.

É por estas e por outras que amanhã desfilarei com os precários.

Publicado por [Joystick] às abril 30, 2008 06:13 PM

Comentários

Um caso-estudo. Aprende-se é na luta, já dizia Cunhal.

Espero que concorras para a comissão de trabalhadores para a próxima.

Publicado por [Saboteur] às maio 1, 2008 12:19 PM

É uma chatice. Os trabalhadores são, por vezes, demasiado desordeiros, têm opinião própria, querem ver as suas propostas discutidas, etc. São chatos, pá! Tratam-se claramente de desvios burgueses. A luta não pode permitir essas coisas, camarada.

Publicado por [JRV] às maio 1, 2008 07:50 PM

tambem acho, devias concorrer para a CT com a M. e outr@s burgueses disponíveis para a luta.

Publicado por [renegade] às maio 3, 2008 04:21 PM

Comente




Recordar-me?

(pode usar HTML tags)