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dezembro 09, 2007
O outro movimento operário (III)Racaille

Em França, no Outono de 2005, na sequência da morte de dois jovens que fugiam a uma busca policial, milhares de pessoas enfrentaram a polícia e desafiaram o recolher obrigatório. Com destaque para os subúrbios de Paris, mas um pouco por toda a parte, foram incendiados inúmeros espaços associados à autoridade do Estado e às estruturas de controlo social (Centros de formação profissional, esquadras, centros de emprego, câmaras de vigilância) ou a grandes empresas (nomeadamente grandes superfícies comerciais).
Não havia representantes, nem porta-vozes, nem um programa ou um objectivo que fosse claramente reivindicado pelo conjunto dos envolvidos. E quase todos os observadores concordaram que «aquilo não era política»:"Those who wondered what French youth had to gain by taking to the streets should ask what they had to lose. Unemployed, socially excluded, harassed by the police and condemned to poor housing, they live on estates that are essentially open prisons. Statistically invisible (it is against the law and republican principle to collect data based on race or ethnicity) and politically unrepresented (mainland France does not have a single non-white MP), their aim has been simply to get their plight acknowledged. And they succeeded. [...]
Amid the charred chassis and broken glass there is a vital point of principle to salvage: in certain conditions rioting is not just justified but may also be necessary, and effective. From the poll tax demonstrations to Soweto, history is littered with such cases; what were the French and American revolutions but riots endowed by Enlightenment principles and then blessed by history?"

As vozes dos que iluminaram a noite de Paris vão-se fazendo ouvir e os relatos na primeira pessoa circulam. Há qualquer coisa neles de profundamente universal, de comum, de partilhável. Muitos mais podem dançar ao som dessa música.
Todos os subúrbios são parecidos na mesma medida em que todas as prisões são semelhantes. Paris foi apenas o cenário provisório de um acontecimento que pode vir a circular tão depressa como um fluxo de capital.
Criticar os revoltosos por não terem objectivos claros ou criminalizá-los por se servirem da violência contra a violência a que são quotidianamente sujeitos é assumir o ponto de vista do Estado. Compreender a dinâmica do que se passou e se passa naquelas ruas implica, pelo contrário, reconhecer que existe política para além do Estado.
Motivada pela repressão policial, a revolta dos subúrbios de Paris teve como cenário envolvente a divisão social do espaço efectuada pelo urbanismo moderno segundo os mesmos princípios e métodos da divisão social do trabalho. Omnipresença do aparelho repressivo do Estado, militarização do espaço metropolitano, sofisticação dos dispositivos de controlo social, arquitectura desumanizada, organização capitalista do mercado de trabalho. As seguradoras calcularam os prejuízos totais causados em 200 milhões de Euros. Tal é, daqui em diante, o preço a pagar por actos repressivos.
Enganaram-se porventura os revoltosos parisienses nos seus adversários principais? Que outros métodos lhes trouxeram melhores «resultados»?

Publicado por [Rick Dangerous] às dezembro 9, 2007 02:40 AM
Comentários
trés bien!
e qd vamos "incendiar" um balcão da cgd?
Publicado por [Jó] às dezembro 10, 2007 02:07 PM
_L_
Publicado por [hjggfhgh] às abril 22, 2008 07:31 PM
Haha. I woke up down today. You’ve ceheerd me up!
Publicado por [Kassi] às maio 26, 2011 04:45 AM
