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maio 02, 2007

Jusqu'ici tout va bien

O Nuno pergunta se uma sociedade mais justa surgiria do facto de toda a gente atirar bolinhas de tinta a lojas. É uma excelente forma de colocar a questão.
O Daniel dedica-me longos comentários, entre os quais encontro esta pérola: "Por isso, sim, não tenho qualquer respeito por quem gosta de dar umas porradas ou partir uns vidros nas manifestações. Até porque demasiadas vezes (na verdade quase sempre) só o fazem quando devidamente enquadrados ou próximos de mais manifestantes, não se preocupando especialmente se os restantes que ali fazem número concordam com aquele tipo de acção. Refiro-me às manifestações internacionais, onde invariavelmente estes manifestantes obrigam todos os demais a ser responsabilizados por actos para os quais não foram tidos nem achados."

O texto abaixo, que descreve a manifestação e tece acerca dela algumas considerações, defende-se bem de todas estas acusações. Quem o quiser comentar e criticar, mesmo que dura e violentamente, é bem vindo. Não escrevo neste blog para me fazerem cumprimentos e acho bom que se troquem ideias acerca de tudo isto.
Já me custa mais debater com quem atribui aos manifestantes intenções que estes nunca reivindicaram. O Nuno espanta-se por pessoal que queria "invadir a sede do PNR" se queixar da violência policial. Lê-se e relê-se e o que se tira de semelhante comentário? Ninguém disse que ia invadir a sede do PNR. Como nunca lá chegámos, nunca se saberá o que aconteceria. Claro que quem se arroga o direito de inferir as intenções dos outros pode sempre afirmar categoricamente que eu pretendia fazer isto e aquilo e ignorar quando eu o nego.
No mesmo comentário, o Nuno continua: "só assinalei um post do Ricardo, em que ele explicava que com eleições, partidos, sindicatos e movimentos sociais não se ia a lado nenhum. E dava como alternativa? os balões de tinta… "

Qualquer pessoa honesta poderá comparar aquilo que eu escrevi com o resumo feito pelo Nuno. Como não se pretende deter sobre a miséria da militância de esquerda, o Nuno prefere afirmar que eu lhe contraponho balões de tinta. Clarificando - cada um tem a militância que merece. Respeito tanto as pessoas que descrevi como qualquer outra. Até ao momento em que, do alto dessa militância, se apressam a denunciar quem propõe outras formas de activismo político como "um bando de adolescentes imberberbes" e "vândalos".
Eu não penso que exista um "caminho" para uma sociedade mais justa, porque não penso que "uma sociedade mais justa" seja um local onde se chega, um dia inicial inteiro e limpo onde livre habitaremos a substância do tempo. Eu desejo uma política que se encarregue de identificar as várias formas de dominação e lhe oponha outras tantas de luta e resistência. Uma política que faz do aqui e agora o seu espaço e tempo de intervenção. E aqui, como se quer, pergunto mais do que afirmo.

Eu não "gosto de andar à porrada e partir vidros em manifestações". E nunca me escondi entre manifestantes ou os utilizei como escudo humano contra a polícia. Esta tem vindo a ser aliás uma acusação recorrente e desonesta, que não tem qualquer cabimento neste contexto. Evidentemente a violência não é algo com o qual se brinque e não é correcto procurar refúgio entre quem se manifesta pacificamente. Mas lá está, como isso não aconteceu, esta é apenas uma figura fantasmagórica que se invoca para tornar tudo mais nebuloso. Acusa-se invocando o que não aconteceu para fugir ao debate sobre o que efectivamente aconteceu.

Parece-me inconcebível que o Daniel coloque a questão de saber se os outros manifestantes concordam todos com este ou aquele tipo de acção, como se as intervenções do Francisco Louçã para os media em cada concentração ou protesto fossem sufragadas por todos os manifestantes.
Caro Saboteur, eu não confundo quem aponta erros aos manifestantes com quem os acusa de "estar mesmo a pedi-las" ou lhes atribui as intenções mais disparatadas. Eu não confundo as pessoas que propõem um debate crítico, franco e honesto, acerca do formato de cada acção e respectivos resultados, com quem é incapaz de reconhecer a legitimidade desse debate e pretende encerrá-lo com uma condenação em absoluto de qualquer forma de protesto ilegal.
Eu não penso que estejamos aprisionados entre o bloco de esquerda e a militarização e contesto quem apresenta as coisas desse modo.

Digo apenas que as correlações de forças se constroem e se alteram. Para isso não é necessária a guerrilha urbana ou uma atitude paramilitar. Não se responde à violência policial constituindo um exército. Não é minha intenção fazer de cada ajuntamento um embate decisivo com o Estado. Até porque a vantagem é sempre do outro lado, que dispõe de vários meios e profissionais para esse efeito. Mas não acho que seja impossível furar e construir uma cultura de desafio à autoridade, à medida que esta vai assumindo uma forma cada vez mais repressiva e os estados de excepção se vão multiplicando.
A polícia não deve ter o poder de determinar que manifestações se podem fazer e quais não se podem fazer. A polícia não deve pensar que as pessoas estarão sempre amedrontradas por uma ameaça de carga e que por isso obedecerão a todas as ordens. A polícia deve habituar-se à ideia de que as manifestações são espaços de liberdade em que o seu poder ilimitado e repressivo é desafiado, e actos ilegais são praticados. As pessoas podem perder o medo e deixar de encarar a lei como o limite para toda e qualquer forma de protesto, aprendendo a jogar com as contradições e fragilidades do campo adversário. Colectivamente e conquistando a segurança para o fazer sem medo de revelar as suas caras.
Porque razão um espaço colonizado pelo consumo, pelas grandes marcas e por câmaras de segurança não poderá ostentar um grafitti contra a violência policial? Não convém? Não é bonito? Não vale a pena? Porque temos medo de uma carga policial?

Evidentemente podemos debater a utilidade que aqui assume ou não a destruição de propriedade privada. Não tenho uma opinião categórica a esse respeito. Que ela teve um lugar importante na história do movimento operário e por aí fora parece-me inegável.
Para o ano comemoram-se os 40 anos do Maio de 68 e já me estou a preparar para ouvir várias pessoas que condenam em absoluto qualquer forma de violência a reproduzir todos os lugares comuns acerca desse evento mítico e fundador, nada pacífico. Parece-me que foram as barricadas e as ocupações que permitiram a pintura (nas paredes claro está) de frases tão bonitas e o gozo de uma liberdade tão ilimitada. Parece-me também que deram uma ajuda à eclosão da maior greve geral da história. Mas provavelmente foram más porque muitos franceses ficaram alarmados e De Gaulle acabou por ser reeleito. Se ao menos o pessoal tivesse votado à esquerda e ficado caladinho...

Publicado por [Rick Dangerous] às maio 2, 2007 04:06 PM

Comentários

CAro Rick
recebi por mail,atraves de um amigo,o teu blog com a noticia da manif antifa do 25 de abril.
fiquei estupidificado quando fui ver os videos e as fotos tanto vossas como do Cravado No Carmo.
decidi postar no meu blog um excerto do que escreveste e tambem algumas fotos, tudo com a indicação das fontes e os respectivos urls...
vou ficar atento ao teu blog.

1 abraço

Publicado por [JT] às maio 2, 2007 06:00 PM

Rick, como te compreendo. E como sei que toda esta gente te compreenderia se tivesse estado lá. Eu nunca tinha assistido a nada assim, e a partir de agora vou ver com outros olhos a sociedade, os media e a polícia.

Reproduzo aqui a resposta que dei ao Nuno Ramos de Almeida no seu 5dias:

Olha que giro: o cinco dias tem finalmente um post acerca dos eventos da rua do Carmo. E mais giro ainda: condena os anarquistas por fazerem pintadas, mas não condena a polícia por ter varrido, sem aviso, uma rua movimentada, cheia de turistas e manifestantes à porrada indiscriminada. A quanto obriga a necessidade de demarcação dos míudos punks!

Nuno, estava muita gente na manifestação, que não era anarquista. Estava muita gente na rua que não era sequer interessada na política. Se estivesses, por acaso, a sair da H&M a essa hora, terias levado também. E não estarias agora a escrever um post sobre guerrilhas e míudos que pintam paredes à procura da utopia.

[...]

Até porque a manifestação já tinha passado na rua do carmo, 1 hora e meia antes. Se fosse para atacar a sede do PNR (que não é propriamente na rua do Carmo), já teriam tido oportunidade de o fazer, porque o caminho já tinha sido percorrido no sentido inverso.

Nisto tudo, estou a ver que esperta foi a senhora da PSP, ao frisar várias vezes e repetidamente que os manifestantes eram “extremistas” , “extrema esquerda”, que apreenderam material de “extrema esquerda”. Pois … faixas terroristas perigosíssimas como esta: http://portugal.sarava.org/cidades/c1/imgpublico/117763353184711d70ef.JPG “racismo é ignorância, nossa pátria é o mundo inteiro”.
A polícia não referiu uma manifestação ambientalista (mas estava mais gente de grupos ambientalistas do que anarquistas), a polícia não referiu uma manifestação pacifista (mas 99% das pessoas lá era pacifista). Fala-se sempre dos anarquistas, porque ninguém quer ser apanhado a defendê-los. Foi uma jogada mediática inteligentíssima. Mesmo que por descargo de consciência um comentador de esquerda escreva algo sobre o assunto será sempre precedido e seguido de uma exaustiva explicação da maldade e contraproducência intrínseca dos anarquistas.

Lembras-te daquela velha lengalenga: “primeiro prenderam os comunistas. Eu não era comunista por isso não fiz nada. depois os judeus, eu não era judeu … etc. etc. ”

Um senhor brasileiro que assistiu a isto comentava, no cimo da rua do Carmo: “mas qual é o problema de serem anarquistas? A democracia aqui não lhes dá direito a manifestarem-se?”

Eu sou novo. No espaço de dois anos já soube de uma carga policial em que os carregados foram acusados de “arrastão”, outra em que foram acusados de “desordem pública” (festa brasileira "não autorizada") e assisti a esta em que são acusados de “anarquismo” e “violência”.

"Ah, não fizeram nada mas tinha talvez a intenção de quiçá se dirigirem à sede do pnr para gritarem umas palavras de ordem e até possivelmente, quem sabe, fazerem um grafitti provavelmente horrível com, potencialmente palavras escabrosas como "viva a liberdade, racismo é ignorância", os vândalos."

É como os míudos negros da praia de carcavelos, que também foram perseguidos e depois vilependiados porque “não assaltaram mas se calhar até poderiam querer exprimir intenção de assaltar e não fosse a rápida e eficiente resposta dos valentes da psp teria sido bem pior”

Por fim uma informação: o paisano do boné que começou isto tudo é o meu herói. Então ele cabeceia destacado uma carga policial (a policia de choque a fazer barreira atrás dele) contra uma horda sanguinária de manifestantes que lhe lançavam cocktails molotov, verylights e propaganda anarquista enquanto se iam divertindo agredindo transeuntes e masturbando-se com bíblias? Granda valentão, só de bonézito e calça de ganga, com um mero cacetete descartável na mão fazer frente destacado a tal perigo.


ps.: então não é que o diabo dos manifestantes são mesmo burros: Além de já terem passado exactamente na mesma rua da sede do PNR e não terem feito nada, esperando por ser mais tarde e por estarem completamente rodeados de polícia de choque para planear o tal "assalto" ainda se dirigiam no sentido CONTRÁRIO ao da sede do PNR!!! Epá que malta desorientada ...

Publicado por [João] às maio 2, 2007 06:29 PM

resposta ao nra, no 5dias.net

O NRA é sem dúvida a personagem mais infame que já conheci nos ambientes de esquerda. há outros terriveis no bloco, mas pelo menos esses nunca fizeram o jogo duplo de este.

Um dia está a pedir aos "anarquistas" que lhe dêm consulting para organizar manifs como as que viu no g8 no outro está a brincar ao militante responsável do bloco, ironizando demagogicamente e desonestamente acerca de tinta nas lojas. E cada vez que abre a boca, pelo menos naquelas em que falou comigo, insiste em afirmar a sua ida a chiapas. Nuno: já sabemos todos que foste a chiapas. não foste nem o primeiro nem o último, mas terás sido dos que menos aprendeu, olha nuno, é que ao invés de te dar credibilidade só te faz parecer um cretino ainda maior...

No passado escreveria aqui um chorro de insultos intermináveis aos que provavelmente responderias do modo jocoso e bem disposto que disfarça a raposa velha que és. Mas nada disso. contraponho à tua pergunta ao rick com uma série de outras. Acaso sairia a sociedade mais justa da manif de palhaços (sic) que querias organizar? acaso sairá a sociedade mais justa do franchise que o bloco comprou do mayday (e suscitou incredulidade e risos quando contado aos organizadores do italiano)? acaso sairá dos links a inúmeros movimentos sociais extraparlamentares que punhas no outro blog?

o que é que se poderá dizer mais? olha nuno continua gordo e panhonha cioso de toda essa mediocridade que é o mundo de activismo que criaram...

tmao

Publicado por [tmao] às maio 2, 2007 09:11 PM

Muito bom o texto, é isto que pouco se faz por aqui: reflectir sem demagogia.
Infelizmente, grande parte está longe de aceitar o que afirmaste, como deu para perceber após estes acontecimentos. Só por se procurar expor o que se passou, criticar a atitude da policia e mesmo a dos políticos, as pessoas assumem logo uma postura de profundamente ofendidas, considerando que o que é importante determinar é quem sujou a parede e não quem levou umas bastonadas ou foi preso.
No entanto, não deixa de ser legitimo questionarmo-nos: hoje em dia, num evento que se tornou puramente simbólico como as manifestações, na maioria dos casos sem outros fins que não o mero mediatismo, fará sentido agir desproporcionalmente como aconteceu com alguns indivíduos presentes na manifestação? É também importante reflectir sobre isto. É importante pensar sobre o porquê de se atirar tinta ou partir montras, sobre em que circunstâncias não é absurdo ou prejudicial fazê-lo, e todas estas coisas.
Seja como for, deixo aqui um parte de uma letra de International Noise Conspiracy que pode ajudar a pensar sobre o assunto:
“Hey I don’t mind breaking Starbucks windows cause it’s more fun
Than waiting around for better days to come
Hey I can envision more radical times, no more just waiting around”, in Dead Language of Love

Publicado por [Diogo Duarte] às maio 3, 2007 12:25 AM

ó camaradas... sejam amigos...

Publicado por [Anónimo] às maio 3, 2007 01:25 AM

vá lá, camaradas... Sejam amigos...

Publicado por [Anónimo] às maio 3, 2007 01:59 AM

Olá Rick,

Estou particularmente de acordo com tudo o que dizes aqui. Neste post. No outro, anterior, nem por isso. Não é que haja um conteúdo muito diferente mas a forma (estamos sempre no mesmo) é outra. E não é uma questão de ser mais "ponderada". É uma questão de ser mais radical na sua "ponderação". (Dou conta do meu tom paternalista, mas como estou quase a ser doutor, aceita-o).

Acho, entretanto, que muita coisa na manif anti-autoritária, que acompanhei lateralmente numa primeira parte, me desatrai. E acho que valia a pena discutir essas coisas. As "caras tapadas", por exemplo. Compreendo a questão da segurança e a questão de atitude que tal significa (é como não ir de gravata para o parlamento mas ao contrário). Só que tenho dúvidas se isto é um bom caminho na tal "sociedade mais justa, democrática e livre" que, para ti como para mim, não é um sítio onde se chega mas um modo de luta.

Quanto ao mais. Acho que a criminalização de expressões como "simbologia anarco-libertária" e "simbologia de extrema-esquerda" pela chefe da polícia é de uma gravidade (voilá, estou pronto para ir para a AR) extrema. E sobre isso deveria fazer-se algo. Por exemplo, reunir uma boa dezena de autores de extrema-esquerda e libertários - mais uns quantos editores e umas quantas revistas - e ir entregar livros com tal teor à chefe da PSP, para que ela os aprisione devidamente.

um abraço
zé neves

Publicado por [Anónimo] às maio 3, 2007 10:57 AM

Excelente ideia

Publicado por [Anónimo] às maio 3, 2007 12:14 PM

ignorantes

Publicado por [Anónimo] às maio 3, 2007 12:46 PM

ó tmao, então os luso-punkitos-anti-H&M foram fazer queixinhas aos papás italianos que lhes tinham roubado o copyright do mayday? e eles desataram-se a rir nas vossas trombas? Ora bolas (de tinta preta, claro!). O Mayday é de tod@s os que dão a cara pelo combate à flexi-exploração! Abaixo a propriedade privada!!!

Publicado por [mayday©] às maio 3, 2007 06:37 PM

Está visto que há algum pessoal que não gosta de ver escapar das mãos um controlo que algum dia julgou ter sobre o movimento social e o que sobre ele se diz. E também não gostam de ser contestados na sua ignorância, no seu hábito de falar de cor de coisas que não sabem. A coisa mexe, e é gratificante ver isso. Força aí.

Publicado por [renegade] às maio 3, 2007 06:51 PM

Gostei. É interessante o caso desta rua

http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=oranienstrasse&meta=

palco de 1ºs de maio violentos e etc... por anos a fio e agora nas mãos dessas mesmas pessoas que tiveram a sorte de acalmar com o tempo. É curioso que é o tipo de sítio que faria as delícias da maior parte dos esquerdalhos que se demarcam dos "putos punk"

Publicado por [rosa] às maio 4, 2007 12:19 AM

não, os pápás italianos não se riram de terem roubado o mayday aos punkitos, porque os punkitos nunca foram muito à bola com o mayday. O Mayday surge da área pós-autonoma, que é tão alheia aos anarquismos como aos partidos. Como é algo que não existe em portugal, claro que explicar isto a alguém do bloco é o cabo dos trabalhos. E por isso é que em barcelona deixou de se fazer, este ano não houve.

Os italianos riram-se quando lhes contei que tinha sido o bloco a promover uma versão light da coisa. bolas de tinta? lembro-me bem delas, não do 25 de abril (onde não estive) mas precisamente do mayday de milão. ah pois.

Publicado por [tmao] às maio 4, 2007 09:40 AM

he he, tmao e rick dangerous, co-fundadores da tal escola filo-italiana a porem na linha os pupilos e os que têm a mania que são professores...o gordo até deve ter rebentado pelas costuras...e claro, os "punkitos" vão tanto à bola com o mayday como com as marchas por um mundo melhor e por mais emprego e etc etc etc...há assunto?

Publicado por [Anónimo] às maio 4, 2007 12:51 PM

Bom artigo. Obrigado pela tua opinião e lucidez, coisa rara nos dias que correm...


RJA

Publicado por [RJA] às dezembro 11, 2007 02:37 PM

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