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abril 30, 2007

Da infâmia - era uma vez uma manifestação

Banalidades de base:
1- Quem tomou como boa fonte as declarações da assessora de imprensa da polícia vai pelo bom caminho.
2- Quem contrapõe à carga policial o lançamento de algumas bolas de tinta e a pintura de paredes, destacando ainda os ferros e paus que suportavam bandeiras, é extremamente lúcido e tem a perfeita noção das proporções.
3- Quem se atira aos "anarquistas" e "vândalos" que "fazem favores à extrema-direita" por se manifestarem contra o fascismo, em vez de deixar esse trabalho à polícia, conhece bem a história do século XX .
4- Os que insinuam que alguns dos manifestantes gostam de andar à porrada com a polícia e nada sabem das ideias políticas que defendem, merecem um bónus.

Porque sabemos que a polícia tem um compromisso fundamental com a defesa da verdade, da democracia e do estado de direito democrático. Porque sabemos que escrever grafitti é ilegal e que a polícia existe precisamente para espancar quem os pinta. Porque sabemos que em Itália, na Alemanha, em Portugal ou em Espanha, a polícia foi o último bastião de resistência contra o fascismo. Porque sabemos que é possível afirmar praticamente tudo sem o mínimo sentido do ridículo.

O prémio porta-voz policial é para Pacheco Pereira, pelos seus considerandos acerca da "violência de extrema-esquerda" e do "vandalismo claramente organizado da auto-defesa": "Um interessante revelador dessa politização, duplamente "politicamente incorrecto" porque não cabe nem no discurso oficial, nem "popular" (ou seja do PCP e seus aliados) foi a "manifestação anti autoritária contra o Capitalismo, contra o Fascismo" que esteve na origem de distúrbios, vandalismo e prisões na zona do Chiado. A violência da extrema-esquerda não encaixa no discurso oficial e por isso não pode ser tratada como tal (diferentemente da violência da extrema-direita) pelo que as reportagens noticiosas valorizaram a carga policial e não o vandalismo claramente organizado da "autodefesa"."
Pacheco Pereira, que se deu ao trabalho de ir procurar a convocatória da manifestação às profundezas do ciber-espaço, não quis em todo o caso perder tempo a ler os vários testemunhos disponíveis e que desmontam os argumentos policiais segundo os quais os manifestantes se manifestavam violentamente. Nem as fotografias o desviaram do seu propósito de manter no ar a versão da polícia. Pacheco Pereira, mais do que escrever sobre um assunto que está na ordem do dia, desenha cenários onde podem ser representadas todas as farsas. Neste, os actores principais eram a violência da extrema-esquerda e a violência da pólícia, amanhã poderá ser o anti-semitismo da esquerda, o anti-americanismo na Europa ou o controlo socialista sobre a comunicação social. A verdade e o rigor andarão sempre igualmente longe.

O prémio da infâmia estalinista vai para o Pedro Penilo, pelos comentários no Arrastão: "Um amigo nosso tinha sido espancado. Infelizmente, tenho de reconhecer, pertence àquele tipo de jovens (que fazem as notícias de abertura dos telejornais, sobre as manifestações anti-globalização) que fazem a "apologia do desacato" e que se pelam por uma boa batalha campal com a polícia. Esta minha amiga ficou surpreendida: em vez de compaixão, encontrou irritação. Ela diz-me que é necessário radicalizar a luta, e eu pergunto-lhe se quer dizer com isso atirar bolas de tinta para dentro de lojas (onde estes jovens, aliás, costumam comprar roupa). Também acho que é preciso radicalizar a luta. Temos um mês para preparar a Greve Geral. Entretanto, estes jovens vão prestando um belo serviço ao inimigo (e não é só à extrema direita)."
A melhor parte é aquela em que o Pedro, de forma tão original como se pode esperar, acusa os manifestantes de terem prestado um belo serviço ao inimigo. Acompanhada de perto pelo comentário (jocoso ou simplesmente otário?) segundo o qual os "jovens manifestantes" compram roupa nas lojas às quais atiraram tinta.

Para o Daniel Oliveira apenas o prémio da desonestidade intelectual : "Isto, independentemente da já habitual excitação de pessoas que, na minha opinião, confundem a tradição anarquista e libertária com uma moda tribal adolescente e que se comportam como qualquer hooligan de uma claque de futebol. "
O Daniel não quis dar lugar a confusões e portanto criticou a carga policial mas sentiu a necessidade, não apenas de se distanciar dos manifestantes, mas de reproduzir o último grito da moda em termos de imbecilidade reaccionária, provavelmente inspirada nos comentários do seu blog.
De resto todos sabemos que os hooligans de uma claque de futebol carregam faixas contra o racismo e gritam palavras de ordem anti-fascistas. Obcecado pela conquista do centro, o Daniel presta-se a este tipo de retratos robot de quem discorda politicamente dele. Obcecado pelo seu próprio estatuto de comentador político, o Daniel fala de uma tradição anarquista e libertária acerca da qual percebe tanto como o corpo de intervenção percebe de democracia. Fica-lhe bem.

Finalmente, o prémio idiota de esquerda vai para tod@s os e as que se sentem felizes com a sua militância e os respectivos resultados. Não perderam ocasião para comentar os acontecimentos da Rua do Carmo como uma chatice provocada pela infantilidade de quem ainda não percebeu que votar no Louçã ou no Jerónimo, sair à rua de cravo na mão a horas certas e telefonar para a RTP a protestar por causa da vitória de Salazar no concurso dos "Grandes Portugueses, é que é.
Alternativa de esquerda, democracia avançada, modernização democrática parecem ser a única coisa de que já ouviram falar. Morrer de tédio em comícios e organizar greves gerais a que ninguém ader parece ser a sua especialidade. Gostam dos movimentos sociais que conseguem controlar e denunciam todos os outros como irresponsáveis, infantis ou simplesmente provocatórios. Gostam, em suma, dos movimentos que menos se movimentam.
Abençoados sejam, pois viverão (?) uma longa vida acerca da qual nada de relevante se poderá dizer.

E por agora é tudo.

Publicado por [Rick Dangerous] às abril 30, 2007 06:12 PM

Comentários

Parabéns, excelente post. Eu tive na manifestação vi tudo, e fico orgulhoso por ler este post. Acertas-te em todos os alvos, já agora eu não sou anarquista,sou militante do bloco de esquerda e sinto vergonha por o meu partido ainda não ter dito nada.

Publicado por [tiago] às abril 30, 2007 08:25 PM

Rick Dangerous, tenho todo o direito a discordar deste tipo de acções. Tomei, sobre a carga policial, a posição que devia tomar.

Sou pacifista, contra qualquer acção violenta. Defendo a resistência pacífica e, em casos extremos, a desobdiência civil não-violenta. E não sou desde a semana passada nem desde que sou comentador. Bem sei que os pacifistas não são muito caros a muita esquerda. Não choro por não ter o seu apoio. Não vejo porque devem chorar por não terem o meu, que, aliás, imagino dispensarem. Aliás, dos ditos "anarquistas" (fico contente por saber o que eu sei ou deixo de saber sobre a matéria) nunca encontrei um único gesto de solidariedade política. Descubro agora que a esperavam de mim.

Por isso, sim, não tenho qualquer respeito por quem gosta de dar umas porradas ou partir uns vidros nas manifestações. Até porque demasiadas vezes (na verdade quase sempre) só o fazem quando devidamente enquadrados ou próximos de mais manifestantes, não se preocupando especialmente se os restantes que ali fazem número concordam com aquele tipo de acção. Refiro-me às manifestações internacionais, onde invariavelmente estes manifestantes obrigam todos os demais a ser responsabilizados por actos para os quais não foram tidos nem achados.

Ninguém me perguntou o que eu achava desta manifestação, nos moldes e com os objectivos que foi organizada (refiro-me à segunda parte da manifestação - o regresso). Nem tinham de perguntar, como é evidente. Mas não me sinto obrigado a apoia-la. Não falava mesmo mais nada.

Dito isto, disse o que tinha a dizer sobre o a carga policial, condenando-a de forma clara. Que tenha dado por isso, fui o único dirigente partidário a fazê-lo. Descubro agora que não só não chega, como o meu silêncio teria sido recebido com maior simpatia. Segundo este post, eu, falando sobre o assunto, estaria obrigado a aplaudir os métodos dos manifestantes, mesmo que deles tenha sempre discordado.

Sim, acho que fizeram um favor à extrema-direita. Acho aliás que a utilização da violência no combate político é sempre um favor que se faz ao inimigo. E mesmo que me chame imbecil e reaccionário, vou continuar a acha-lo. Permite-me?

Sim, de facto não quero dar lugar a confusões. Nenhuma desonestidade intelectual. É apenas um direito que me assiste. Quem acha que os outros estão todos muito recuados, que andam a perder tempo em comícios que são uma seca, corre o risco de ir muito à frente, mas, se não levam a mal, sozinho. Digamos que eu só vou para onde quero ir. Condeno a polícia que espanca e fi-lo repetidamente e sem ningué me pedir no meu blogue. Mas não passei a ser "compagnon de route" de uma malta enfadada com a maçada do combate político. Não me põem na mão pedras que eu não atiro.

Publicado por [Daniel Oliveira] às abril 30, 2007 09:42 PM

De resto, como leu, fiz perguntas e dei voz aos testemunhos de quem lá esteve.

Publicado por [Daniel Oliveira] às abril 30, 2007 09:47 PM

Leio o teu post - Rick - e parece-me que, estás a ver esta coisa em linguagem binária: Ou 'zeros' ou 'uns'.

Ou se está com os manifestantes ou se está com a polícia. Ou se vai ao desfile da Av. da Liberdade, e logo se anda feliz com a militancia e resultados PCP/BE, e logo se anda a ligar para RTP por causa dos grandes portuguese e se é um idiota, ou és dos fixes que foram à outra manifestação.

Ou confia-se na polícia para fazer frente à extrema direita, ou confia-se nos jovens de cara tapada e ferros na mão.

Creio que não tem de ser assim: Eu, por exemplo, não encaixo nessa matriz. Estive na confusão frente ao cartaz do PNR, estive nas comemorações populares (em várias organizações), vendi o Le Monde diplomatique, e estive na primeira parte da manif anti-autoritária e anti-capitalista.

Neste blog e fora dele faço o meu combate à extrema-direita. Não sou sequer um pacifista por princípio e acho que há muito a fazer fora do plano mais institucional (embora ache que um eixo importante desta luta seja tornar claro que as organizações fascistas, são essencialmente organizações de criminosos). Mas acho que a forma como as coisas se passaram, não ajudaram ao movimento... Desde logo, lá está, por culpa nossa (ou vossa, se fizeres muita questão disso), por causa da imagem de violência da manif-antiautoritaria, sobretudo da 2ª...

Claro que a violência policial e o próprio poder que a instituição-polícia tem na nossa sociedade é claramente excessiva e perigosa, mas isso não me pode inibir de dizer à malta, que está do mesmo lado da barricada que eu, que grafitar "o 25 de abril passou mas a merda é a mesma" na fachada de uma igreja no chiado, é uma parvoíce e causa repúdio à generalidade das pessoas. (nem sequer me estou a debruçar sobre conteúdo da mensagem, estou-me a referir à preservação e limpeza do espaço público, que é um bem de todos, a que todos temos direito e que - muito justamente - cada vez é mais valorizado). Idem para os passa-montanhas, as barras de ferro e os very lights...

Porque será que a repressão policial de manifestações, costuma causar uma onda de indignação em toda a sociedade, muitas vezes até ajuda a potenciar exponencialmente a luta (o caso das propinas no tempo do cavaco é de estudo), e neste caso, apesar da extrema violência polícial, com pelo menos 1 braço e uma perna partidas, cacetetes directamente na cara, etc, são tão poucas as vozes de repúdio?

Publicado por [Saboteur] às abril 30, 2007 11:25 PM

Acho piada ao post do Rick Dangerous, mas escrevo isto porque fiquei surpreendido com o comentário do Saboteur, com o qual concordo em (para aí) 90%.

"Claro que a violência policial e o próprio poder que a instituição-polícia tem na nossa sociedade é claramente excessiva e perigosa, mas isso não me pode inibir de dizer à malta, que está do mesmo lado da barricada que eu, que grafitar "o 25 de abril passou mas a merda é a mesma" na fachada de uma igreja no chiado, é uma parvoíce e causa repúdio à generalidade das pessoas. (nem sequer me estou a debruçar sobre conteúdo da mensagem, estou-me a referir à preservação e limpeza do espaço público, que é um bem de todos, a que todos temos direito e que - muito justamente - cada vez é mais valorizado)."

É aqui que reside o problema. Os verdadeiros anarquistas distinguem-se nestas atitudes.

Publicado por [Miguel Vaz] às maio 1, 2007 12:26 PM

"Os verdadeiros anarquistas distinguem-se nestas atitudes"

este conceito dos "verdadeiros anarquistas" sempre me deixou pasmado. Uma corrente ideológica que sempre se definiu por não ter hierarquias é no entanto susceptivel de ter uma vertente considerada "verdadeira" e outra "falsa".

é óbvio que tudo é susceptivel de consideração e de debate, mas qualquer argumento quando sublinhado pelo comentário "os verdadeiros anarquistas são assim" o que é revelado é uma profunda incomprensão de tudo o que está em questão.

Como dizia um verdadeiro comunista através de uma personagem de um filme seu: "nós os facistas somos os verdadeiros anarquistas, porque fazemos o que nos apetece" então como é que ficamos? os verdadeiros anarquistas são cidadãos preocupados com a limpeza do espaço público? ou os pervetidos sadianos de saló?

discutir tudo isto em portugal é extremamente inglório

Publicado por [Anónimo] às maio 1, 2007 12:52 PM

"Os verdadeiros anarquistas distinguem-se nestas atitudes"

este conceito dos "verdadeiros anarquistas" sempre me deixou pasmado. Uma corrente ideológica que sempre se definiu por não ter hierarquias é no entanto susceptivel de ter uma vertente considerada "verdadeira" e outra "falsa".

é óbvio que tudo é susceptivel de consideração e de debate, mas qualquer argumento quando sublinhado pelo comentário "os verdadeiros anarquistas são assim" o que é revelado é uma profunda incomprensão de tudo o que está em questão.

Como dizia um verdadeiro comunista através de uma personagem de um filme seu: "nós os facistas somos os verdadeiros anarquistas, porque fazemos o que nos apetece" então como é que ficamos? os verdadeiros anarquistas são cidadãos preocupados com a limpeza do espaço público? ou os pervetidos sadianos de saló?

discutir tudo isto em portugal é extremamente inglório

Publicado por [realanarchist] às maio 1, 2007 12:52 PM

Dizem-me que tu és uma pessoa que conheço e me conhece. Se é verdade, acho extraordinário que uses da violência verbal que usas sobre mim e sobre o Pedro Penilo sem eu ou ele sabermos que és tu.

Mas devolvo: desculpa se não te acompanho quando és o mais radical dos comunistas, o mais radical dos autonomistas, o mais radical dos renovadores, o mais radical dos anarquistas... Cada uma delas durante seis meses e sem espaço para alianças espúrias. Se és quem me dizem que és, digamos que tens demasiada pedalada para mim. E, pela força do hábito, sou obrigado a dizer-te o que odeio que se diga: isso passa-te!

Se me enganaram na tua identidade, fica já aqui a minha desculpa.

Publicado por [Daniel Oliveira] às maio 2, 2007 04:37 AM

Independentemente do direito à indignação, à manifestação, à liberdade de expressão, à crítica à carga policial, que deve sempre ser comedida e bem justificada, digo só uma coisa: vão borrar as paredes das vossas casas!

felicidades

Publicado por [jpt] às maio 2, 2007 10:19 AM

Podem achar muito injusto que se fale só das paredes borradas, quando vocês levaram porrada. Para a próxima já sabem: Não borrem as paredes!

Publicado por [Anónimo] às maio 2, 2007 11:15 AM

Daniel,
De facto conhecemo-nos. A violência verbal tem o seu lugar. Repara bem no teu comentário que eu reproduzo e põe a mão na consciência. Quem me compara a uma claque e me apelida de excitado obcecado por uma moda adolescente não está propriamente a prestar-se ao debate.
Honra te foi feita por teres condenado a carga policial directamente. Também foi sublinhado que sentiste a necessidade de te demarcar, não de argumentos e posições realmente expressas por pessoas, mas de uma representação idiota dos mesmos. Isso é intelectualmente desonesto. Essa representação é efectivamente imbecil e reaccionária porque cria a figura do "outro" na forma de caricatura e lhe atribui intenções e actos que o mesmo não reivindica.
Sinceramente, não me parece que fosse necessário ser assim tão radical para tomar uma posição acerca desta manifestação sem qualquer ambiguidade. Não está em causa a legitimidade do pacifismo, mas a facilidade com que se passa do pacifismo à criminalização de quem não é pacifista.

Quanto às afirmações do teu irmão não tenho mais comentários a fazer. Estalinistas e infames. E de facto não é essa a imagem que tenho do teu irmão, por quem nunca tive senão simpatia. Ás vezes as pessoas surpreendem-nos.
Não sou anarquista e não tenho a pretensão de dar lições de radicalidade a quem quer que seja. Acho injusto que me digas que não estou disponível para "alianças espúrias". Nunca estive indisponível para trocar pontos de vista com quem pensa de maneira diferente. E nunca tive a necessidade de caricaturizar as suas posições para esse efeito.
Também não é de há 6 meses que penso como penso. Acerca da polícia aliás, lembro-me de uma discussão deste género há mais de 8 anos, quando eu ainda era "o mais radical dos comunistas"
Por último, e respondendo à questão da "imagem" que ficou da manifestação. Ela não é controlável. Evidentemente que as televisões passam o que preferem passar e neste caso subscreveram o comunicado da polícia.
Podemos discutir que tipo de inteligência táctica é necessária para actuar neste contexto. Mas lá está, esse debate só é viável com quem nos respeita e com quem nós respeitamos. Não é necessário ser compagnon de route, e como saberás Daniel, ninguém atirou pedras a ninguém, muito menos para as mãos de quem não as queria.
Não existe um risco na areia a traçar, a não ser para quem se preocupou em insinuar que "os anarquistas andavam mesmo a pedi-las" e "não queriam outra coisa". Naquele dia fomos nós como noutros dias foram e serão outr@s. Não me lembro de alguma vez ter negado solidariedade a quem quer que fosse vítima de uma agressão policial ou fascista. E é tudo.

Publicado por [Rick Dangerous] às maio 2, 2007 03:23 PM

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Publicado por [VASCO] às maio 30, 2007 03:58 PM

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