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janeiro 31, 2007
Nem pensar

É absolutamente fascinante a forma como os liberais deste pedaço encaram toda e qualquer medida que venha pôr a limpo a forma como foram obtidos rendimentos.
Parece-me lícito pensar que, para um liberal, a riqueza é fruto do seu trabalho honesto e por isso mesmo nada terá a temer em demonstrar a sua proveniência.
Mais ainda, para quem acha que criar riqueza é a função social por excelência da livre iniciativa, da propriedade privada e do mercado, e que deve ser uma função do Estado proteger tudo isso de apropriações indevidas, não pode senão ser um incómodo constatar que há detentores de cargos públicos que enriquecem ilicitamente.
Tudo isto me parece claro. E não é que, a propósito das propostas de Cravinho, Eduardo Nogueira Pinto insurge-se contra a inversão do ónus da prova?
Ao que parece, o Estado deve provar que a casa de campo deste ou daquele autarca ou secretário de estado foi comprada com dinheiros ilícitos, ainda que, como todos sabemos, a corrupção não seja em Portugal propriamente um negócio de amadores.
Caso não haja escutas telefónicas, documentos ou testemunhas disponíveis, paciência. "Passarmos a ser todos presumíveis culpados porque o Estado não tem capacidade para investigar é que nem pensar."
Já a simples matemática que nos leva a colocar questões embaraçosas a quem possui património com valores muito acima dos rendimentos declarados e que, por acaso, detém cargos públicos (o "todos presumíveis culpados" é a habitual dramatização - como é evidente, nem todos somos detentores de cargos públicos), é uma ameaça à liberdade.
Nogueira Pinto chama-lhe "rule of law". A que lei se refere? Evidentemente à da oferta e da procura. A corrupção não é mais do que um serviço.
Como dizia Ricardo Araújo Pereira, no "Preço certo em euros", um autarca dá sempre jeito...

Publicado por [Rick Dangerous] às janeiro 31, 2007 06:15 PM
Comentários
Caríssimos, preciso aqui de uma ajuda para divulgar as coisas que se passam na Fundação D. Pedro IV. Dêem uma vista de olhos no meu blog, mas sobretudo no dos pais.
Abraços
Publicado por [Tiago Mota Saraiva] às janeiro 31, 2007 09:55 PM
