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janeiro 25, 2007
Cada vez mais puros
O PCP não perde uma oportunidade para dizer que o BE não votou contra, na Assembleia Municipal, o negócio do Parque Mayer e que só o PCP o fez.

Parece-me que se trata da chamada "dor de cotovelo", pelo facto de hoje em dia ser o BE e José Sá Fernandes que lideram a oposição na CML.
O BE votou a favor. Se fosse hoje, tinha votado a contra, como é óbvio. O José Sá Fernandes já deve ter dito 1000 vezes ao Carlos Marques: “É pena a gente ainda não se conhecer na altura, tinha-te explicado que aquela merda é uma falcatrua pegada”.
O BE na altura não tinha praticamente experiência autárquica. Ainda hoje tem muito pouca, a comparar, por exemplo, com o PCP… E quem diz experiência, diz meios, militantes colocados nos serviços da Câmara, conhecimentos no terreno.
(Isto, já não contando com a questão que ainda não percebi muito bem sobre se tinham sido disponibilizadas todas as informações aos deputados municipais ou não)
Não me admira nada que hajam abstenções do BE da altura, que de facto deveriam ter sido votos a favor ou votos contra, tal como um ou outro voto errado.
Acho muita piada ao facto de um partido que cometeu os maiores erros históricos, assumindo depois que não tinha acesso a todas as informações, etc. (o que, diga-se, é perfeitamente normal… também eu…), venha agora achar absolutamente ultrajante e ponto central no debate sobre a Câmara, que os 2 deputados que o Bloco tinha naqueles tempos, na Assembleia Municipal, tenham errado no voto de uma proposta.

Acho também piada que o PSD repita o mesmo que o PCP: A permuta foi aprovada na Câmara e na Assembleia Municipal e o BE votou a favor.
Sinceramente, parece-me que a estratégia da concelhia de Lisboa está um bocado mal desenhada: eleger como maior inimigo do PCP na cidade o José Sá Fernandes e o BE, é capaz de afastar mais pessoas do que aproximar, por muito que os camaradas sintam depois uma grande auto-satisfação de serem os únicos que... sei lá o quê.

Publicado por [Saboteur] às janeiro 25, 2007 07:17 PM
Comentários
«Parece-me que se trata da chamada "dor de cotovelo", pelo facto de hoje em dia ser o BE e José Sá Fernandes que lideram a oposição na CML. »
O BE "lidera" a oposição na CML do ponto de vista mediático e não na prática, ou seja, no terreno. Daí que não tenha votado contra o negócio no Parque Mayer. É nesse sentido, e bem, que o PCP critica o BE. Quer dizer, para o BE só há problemas na CML quando as televisões aparecem? É a táctica típica do Berloque em todo o lado. Ligação às populações, trabalho de formiga e militante? Isso não faz parte da concepção berloquista de trabalho político. Para o BE é mais importante o palco televisivo do que a luta quotidiana. Não se trata, portanto, de dor de cotovelo mas de duas concepções de trabalho político distintas.
Publicado por [João Aguiar] às janeiro 26, 2007 02:02 AM
Também reconheco essas duas formas distintas (mas não contraditórias ou inseparáveis)do trabalho político. Mas é o próprio Sabouter que compara os meios e a experiência para para compreendermos melhor os palcos. E João Aguiar, afirmar que hoje o PCP se pauta pela luta quotidiano e que está lá junto às populações começa a ser risível. Sabemos bem que não está. (como já esteve ou como teria capacidade de estar)
E temos de concordar que todos os cambalachos que podem deitar este executivo camarário abaixo foram denunciados pelo Sá Fernandes (sem contar com o trabalho do irmão nas ilegalidades do túnel do marquês). Sem essa denúncia e sem meios de comunicação social estávamos a assistir a isto? O palco mediático é também um intrumento de luta. Ou esteve o vereador da CDU tão junto às populações que se esqueceu de ver ilegalidades que lhe passaram à frente dos olhos (epul/edifício da infante santo/túnel do marquês...)?
Publicado por [Jó] às janeiro 26, 2007 10:06 AM
da mesma queixa de que te queixas, há aqui um ataque politico persistente ao PCP... pergunto eu: não estarás tu como dor de cotovelo?
Publicado por [isabel] às janeiro 26, 2007 12:25 PM
Sinceramente acho que não. O ataque político tem a ver com a atitude do PCP face à recente crise na Câmara: virar baterias para a oposição (e logo para a oposição mais aguerrida) e não para o PSD, merece a minha mais forte crítica.
A génese da critica do PCP ao BE é bem diferente. Se deixares a partidarite de parte, concordarás comigo.
O João tem alguma razão. O BE vive obececado com a comunicação social.
Claro que cada vez mais a política passa pela comunicação social, mas o tal trabalho no terreno continua a ser sempre fundamental e o BE não o tem.
O Sá Fernandes até é um gajo que está sempre a fazer visitas às freguesias, às associações, aos serviços. Mas parece-me que esse esforço de estar no terreno não é secundado pelo resto da organização.
Mas aqui não se tratam apenas de 2 partidos com duas concepções de trabalho diferentes (eventualmente a tentarem trabalhar melhor as áreas onde têm mais deficiências). Trata-se de um Partido de esquerda a eleger como principal adeversário outro partido de esquerda porque é mais importante a disputa do seu pequeno terreno do que a perspectiva de assalto ao terreno do verdadeiro adeversário, que é a direita.
Em Lisboa (pelo menos em Lisboa) não tinha lógica que o PCP e o BE trabalhassem juntos? José Sá Fernandes, o BE e a sua burguesia urbana, não é o que faz falta à CDU de Lisboa, fortemente enrraizada nos bairros populares, nas colectividades, etc? E o contrário, não é verdade?
Assim, não vamos longe.
Publicado por [Saboteur] às janeiro 26, 2007 03:13 PM
"Ligação às populações, trabalho de formiga e militante"?
"Forte implantação nos bairros populares e nas colectividades"?
"Isabel"?
Publicado por [Rick Dangerous] às janeiro 26, 2007 05:09 PM
Trabalho de formiga: «[Ants] are divided into infertile female workers and fertile males (drones) and females (queens) - (Wikipédia).» Há escravidão, divisão classista e sexista no maravilhoso mundo da formiga.
Publicado por [Joystick] às janeiro 26, 2007 06:27 PM
Never seen a beettr post! ICOCBW
Publicado por [Mitchell] às maio 26, 2011 06:07 AM
