« Pinochet: a sua saúde evoluiu "favoravelmente", dizem os médicos | Entrada | Prós e Contras »

dezembro 07, 2006

Capitão América: como contextualizar o relatório do Grupo de Estudo sobre o Iraque

A história geopolítica da América é a história do Capitão América. Aliás, são tão gémeas que é impossível distinguir se são os fascículos do herói da Marvel que determinam a política externa dos EUA ou se o inverso. Vários são os indícios de que o Capitão América está à frente da política do seu país, marcando o passo da mesma.

Já em 1941, antes de Pearl Harbour, o Capitão América combatia os nazis. Aliás, foi ele que deu cabo de Hitler, sem armas de fogo e sem aliados. Chegou mesmo a dar cabo de Hitler por duas vezes, em 1945 e nos anos 90, com o fim da Guerra Fria, por ocasião da redefinição de conceitos estratégicos dos EUA e da NATO.

Depois da II Guerra Mundial, Capitão América regressa a casa, transformando-se em combatente do crime organizado. Deixa de ter sucesso e a edição dos fascículos é cancelada em 1948.

Nos anos 50, o Capitão América volta à cena, enfrentando perigosos agentes e espiões comunistas nos EUA – acompanhando o clima de caça às bruxas macarthista. O próprio arqui-inimigo nazi, Red Skull, tornara-se – súbita e despropositadamente – agente comunista. Não houve lugar a nenhuma reorientação ideológica da personagem, ele era simplesmente mau e feio e, por isso, era nazi nos anos 40 e comunista nos 50.

Nos anos 60, Capitão América ressurge aliado a outros super-heróis. Era suposto estar envelhecido. Mas não. Explica-se que o Capitão América tinha sido criogenado no final da II Guerra Mundial. Ou seja, o Capitão América Macarthista era outro e não este super-herói exemplar. Uma espécie de relatório Krushev dos Estados Unidos, sob a forma de banda desenhada. Nos finais dos anos 60, acompanhando a luta pelos direitos civis na rua, Capitão América possui um novo companheiro. Trata-se de Sam Wilson, um super-herói negro, ex-marginal e militante da luta dos afro-americanos, e, como os Panteras Negras, um animal é o seu símbolo.

Nos anos 70, com o Vietname e Watergate, o Capitão América combate uma organização que se chama Hidra – um império formado por criminosos norte-americanos cujo cabecilha é o chefe da Casa Branca! E nos anos 80, saturado, demite-se. Juro que é verdade.

Na passagem do milénio, o Capitão América tem um assalto de consciência. Já elegeu a luta contra o terrorismo como a sua maior batalha, mas, conhecedor profundo da história americana – não fosse ele mesmo essa história – descobre que as armas tecnológicas dos terroristas são de fabricação americana e, num fascículo, aparece martirizado por imagens terríveis de vilas palestinianas e asiáticas completamente destruídas. Há um número também em que defende um americano de descendência árabe da xenofobia dos seus compatriotas. O argumentista – John Ney Rieber – é obviamente demitido. Para o seu lugar veio um outro que defendia um Capitão América mais comprometido com a guerra no Iraque. Não teve assim tanto sucesso junto dos leitores e, então, surgem as 79 recomendações de Baker ao Presidente Bush.

Publicado por [Joystick] às dezembro 7, 2006 06:27 PM

Comentários

Joystick imparável! Muito boa história. Excelente.

Publicado por [Anónimo] às dezembro 7, 2006 07:18 PM

A notar também que o Capitão América se pôs do lado Anti-Registo (Anti-Patriot Act) na série Civil War. O Capitão América é um americano como deve ser, não um neo-con :p

http://en.wikipedia.org/wiki/Civil_War_%28comics%29

Publicado por [João] às dezembro 8, 2006 11:40 AM

grande capitao america, grande patriota.
La pelos anos 60-70 ainda houve uma fase de détente em que o capitao e os Vingadores andaram temporariamente aliados aos herois sovieticos contra o crime internacional.

E se me lembro acho q tambem andou pelo espaco a combater ameacas intergalacticas.

Publicado por [Anónimo] às dezembro 8, 2006 03:21 PM

Boa investigação

Publicado por [Anónimo] às dezembro 10, 2006 01:22 PM

Comente




Recordar-me?

(pode usar HTML tags)