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novembro 14, 2006
Notícias da imprensa brasileira III
Na Folha de S. Paulo, antes do regresso a casa, vimos a coluna do Pereira Coutinho que não consigo reproduzir porque me esqueci do recorte e não aparece na Folha online. Mas então, este colunista discorre sobre Saramago, mais propriamente sobre o Nobel atribuído a Saramago por razões de “solidariedade com a irrequietude política”, apesar do valor literário “mediano” do autor. Pior do que Agustina Bessa-Luís (claro!) – essa literata exímia que, ao contrário de Saramago, diz Coutinho, é uma gaja politicamente casta. E é por isso que não ganhou o Nobel. Saramago, por sua vez, é pró-Coreia do Norte e pró-Cuba (e assim se generalizam partidos, líderes parlamentares do mesmo, secção internacional do PCP, Saramago e sua obra tudo no mesmo saco, sem pingo de vergonha). E, claro, há os truques de baixa intelectualidade de sempre, como que querendo dizer que o papel de Saramago como director do Diário de Notícias – é do povo, não é de Moscovo – é a prova final de que o “Ensaio sobre a Cegueira” é um livro pior do que “A Sibila”.

Coutinho é uma espécie de Soeiro Pereira Gomes dos tempos modernos (só que de direita) – não importa se um romance é bom se ele for mau politicamente falando, se sair dos cânones do neo-realismo-rural-família-portuguesa-nossa-senhora-aleluia. E isso aproxima-o em demasia do que ele pretende criticar. Um nojo de tiro no pé.

Como ele diz numa outra crónica sobre o mesmo escritor (obsessivo, heim?): “Saramago não é Borges. Saramago não é Kafka”. Felizmente para nós, Pereira Coutinho não é Saramago... nem Kafka, nem Borges... nem nada.
Publicado por [Joystick] às novembro 14, 2006 05:04 PM
Comentários
João pereira coutinho é um intelectual daqueles que só traz mau nome à classe:
Betinho endinheirado, pôde sempre viver sem trabalhar, mas em vez de andar a fazer jet-ski como qualquer playboy da sua laia, optou por se dedicar à leitura e à escrita. Bom para ele.
Acontece que apesar de tanto tempo disponível para tanta leitura e tanta escrita, do estudos em cultura geral (é licenciado em história e tem uma pós-graduação em ciência política), e das milhentas conversas mundanas que mantém com outros intelectuais, nunca se conseguiu elevar muito acima do nível "bonzito" no seu nicho de mercado que é a direita conservadora. Por exemplo: é rara a tese que defenda que não seja apoiada em meias-verdades ou mesmo factos falsos que sublinha como se fossem verdades incontornáveis já provadas e demonstradas por toda a gente (tipo que a reforma agrária levou o país para uma enorme crise económica nos anos 70)
Pior: Acha-se o melhor do mundo. “O criador da Blogosfera em Portugal”, li eu há dias, escrito por ele!
Ou seja o pior dos estereótipos: aristocrata, superficial (com uma pontinha de charlatão, fala-barato) e ainda por cima com a mania que é um grande pensador… dá um arzinho de extravagância ao posicionar-se à direita do razoável para um gajo de direita, e assim pensa que já é uma grande referência intelectual.
Grande referência será para meia-dúzia de fãs que consegue captar no seu nicho de mercado. Gente pouco recomendável, de quem a maioria das pessoas tem mais vergonha de ser amigo do que outra coisa.
Publicado por [Anónimo] às novembro 15, 2006 12:53 AM
ora nem mais...
Publicado por [renegade] às novembro 15, 2006 01:03 PM
Exacto: No http://luiscarmelo.blogspot.com/ perguntam-lhe "O que é que lhe diz a palavra "blogosfera"?"
E ele responde:
«A memória nostálgica de um tempo em que, com toda a imodéstia, praticamente a criei. Na companhia de Pedro Lomba»
Trata-se de uma pessoa que gostaria de ter nascido nobre, em inglaterra, no séc. 19. É um triste, portanto.
Publicado por [Anónimo] às novembro 16, 2006 11:42 AM
