« Operários da produção educativa em luta! | Entrada | PS em alta »
outubro 18, 2006
O problema
O problema do Governo, como disse Paulo Sucena é que «Desde que tomou posse o ministério não tem feito outra coisa a não ser insultar os professores e os sindicatos, e mentir descaradamente, para usar a mesma linguagem do ministério» sem perceber que é com os agentes educativos e com os cidadãos em geral que se tem de (re)construir um sistema educativo de maior qualidade.

O problema da Fenprof é que tem centrado toda a questão numa mera luta em defesa dos direitos/regalias dos professores, colocando de fora do discurso sindical o ataque aos problemas de fundo do sistema, em defesa da Escola Pública de qualidade, mesmo que isso implique reconhecer que há jovens professores (e outros não tão jovens) que só o são porque essa era a melhor saída profissional que arranjaram num dado momento da sua vida, e que há velhos professores (e outros não tão velhos) que serviriam melhor a Administração Pública se estivessem a fazer outras tarefas.
A luta dos professores vai ser perdida porque não há apoio social para ela, como está a haver, por exemplo, com o caso do RIVOLI…
...Tenho pena, porque este Governo tem de ser travado. Não porque quer impor um sistema de avaliação dos professores, mas porque está a ser muito profissional e eficiente a cumprir o essencial do programa neo-liberal que está na moda na europa.
Nota: Para além disso, creio eu, não ajuda muito que quem esteja sempre a dar a cara seja o Mandatário Nacional do Jerónimo Sousa à Presidência da República, que foi o cabeça de lista da CDU por Coimbra, que tinha sido o cabeça de lista da CDU nas autárquicas… Não é por acaso que o Carvalho da Silva sempre se manteve como militante de base do PCP… Não é preciso ser um crânio da estratégia política.

Publicado por [Saboteur] às outubro 18, 2006 08:00 PM
Comentários
Parece que no Rivoli a luta também não corre lá muito bem
Publicado por [Anónimo] às outubro 19, 2006 12:33 AM
Rivoli: não corre muito bem porque houve recurso a repressão. Está convocada uma concentração de solidariedade com os ocupantes e manifestantes, em Lisboa, frente ao S. Luiz Teatro Municipal, hoje às 22h00.
Publicado por [Joystick] às outubro 19, 2006 11:32 AM
Não é às 22h00, é às 20h00. Desculpem
Publicado por [Joystick] às outubro 19, 2006 11:35 AM
Tirando o seu sindicato onde é tratado como o querido líder, o tasqueiro de Coimbra nunca ganhou nada. Nas últimas legislativas a CDU foi o 5º partido ficando atrás do Bloco e do CDS.
No entanto, O ex. mandatário do Jerónimo de Sousa será o próximo secretário geral da Fenprof mesmo tendo o PC perdido a direcção do SPGL.
Só em sindicatos onde a vida interna é tudo menos democrática é que estes tipos se safam.
Publicado por [Cadáver Esquisito] às outubro 20, 2006 12:22 AM
Tirando o seu sindicato onde é tratado como o querido líder, o tasqueiro de Coimbra nunca ganhou nada. Nas últimas legislativas a CDU foi o 5º partido ficando atrás do Bloco e do CDS.
No entanto, O ex. mandatário do Jerónimo de Sousa será o próximo secretário geral da Fenprof mesmo tendo o PC perdido a direcção do SPGL.
Só em sindicatos onde a vida interna é tudo menos democrática é que estes tipos se safam.
Publicado por [Cadáver Esquisito] às outubro 20, 2006 12:27 AM
também é pena que ouças metade do que a Fenprof defende...talvez aquela que tem mais eco na comunicação social, aquela que interessa para denegrir a classe. As moções aprovadas pela generalidade dos sindicatos pugnam essencialmente pela defesa do modelo público de ensino de qualidade e a defesa dos direitos (tenho muita pena que vejas direitos como regalias, esse discurso não se esperaria ouvir aqui no spectrum) tem sido feita em bases não corporativistas.
Publicado por [Jó] às outubro 20, 2006 03:04 PM
Aconselho a leitura deste texto: http://almocrevedaspetas.blogspot.com/2006_10_01_almocrevedaspetas_archive.html#116122895593670685
Tens razão na tua nota sobre a personagem
Publicado por [Jó] às outubro 20, 2006 04:50 PM
A culpa é da Comunicação Social, claro. Mas como eu acompanho o caso pela comunicação social, é por aí que faço os meus juizos.
Resta saber se é só dificuldade em transmitir bem a mensagem para fora ou se realmente a tónica do discurso é posta mais num lado do que noutro.
Eu não vejo os direitos como regalias. Acho que são coisas diferentes e que há uma linha de fronteira em que se confundem.
Ex: Receber 20% do salário para ter isenção de horário é um direito ou uma regalia? e receber 33% como numa empresa pública que eu cá sei? e 40% noutra? e um suplemento de 3000 euros de ordenado por fazer uma comissão de serviço? e se a isenção de horário incidir no suplemento?
Como vez, podemos ir dos direitos às regalias num instante e às vezes é difícil saber onde acabam uns e começam outros.
No post pus “direitos/regalias” porque às vezes tenho essa dúvida.
Publicado por [Saboteur] às outubro 20, 2006 05:55 PM
Muito bem. Eu subscrevo inteiramente o post no almocreve das petas sobre esta proclamada reforma no ensino, especialmente (e aquilo que empurrou 25 mil professores para uma marcha) a proposta de alteração do Estatuto de Carreira Docente. Está lá tudo e nem de perto nem de longe eu o diria tão bem.
Aqui não há vontade política de reformar seja o que for, de submeter os professores a uma avaliação sério no sentido, que é o que esperamos todos enquanto sociedade, de termos um ensino de qualidade (público univeral e gratuito acrescentamos nós). E se não é disso que se trata não vejo como achas necessário aproveitar a boleia do discurso da ministra e do teu pai para vires bater na fraca qualidade de docentes e nas suas supostas regalias.
Já uma vez aqui tinhas vindo com semelhante discurso comparando-os aos enfermeiros, esses sim no meio de uma luta justa(àcerca do aumento da idade da reforma). Eu desconheço o que são 20 % de ordenado de isenção de ordenado, o que são 3000 mil euros de comissão de serviço na carreira docente. Conheço muitos professores que trabalham 40 ou mais horas por semana, com actividades desgastantes e das mais variadas e também conheço professores que nem 22 dias úteis de férias (e uma, esta no privado, que a mandaram casar no período de férias porque não lhe iam dar os dias a que tinha direito no período normal. E outra que esteve uma semana inteira a corrigir exames nacionais à borla. E outro que iniciou o estágio este ano (26 horas semanais lectivas!!imagina as outras-este tu também conheces) estágio à borliuu, nem um chavo, o Estado agradece :)
Há outros. Concerteza que não são todos uns desgraçadinhos, concerteza que terão mais tempo para se organizarem que outros profissionais. Isso é mau??? Mau é haver pessoas que trabalhem 40 e 50 horas semanais, devíamos estar nas 35 (em França já vão quase duas décadas)
Em relação às ESE`s, nunca compreendi como se poderia conceber um curso que servisse só para ensinar a dar aulas, que servisse só para isso, que alguém andasse a estudar 4 anos e depois aquele diploma só serve para o ensino, se por um motivo percebe que não é isso que quer fazer deita fora 4 anos de vida. E como é QUE existem cursos feitos para ensinar a dar aulas de matemática aos 1º e 2º ciclo? Não compreendo. Mas há uns anos lembro-me da JCP ter tido uma posição interessante na matéria ao defender que não faz sentido existirem dois sistemas de ensino supeior tão díspares. Talvez devessemos exigir licenciaturas para todos os níveis de ensino. E licenciaturas nunca em banda estreita, uma pessoa que prossegue os estudos depois do secindário nunca deve ir para uma área fechada sem caminho para trás nem para os lados. Um gajo que tire um curso de ensino de geografia nunca é um geógrafo e um geógrafo pode ser um professor.
Isto já vai longo, dá pano p mangas
Publicado por [Jó] às outubro 21, 2006 12:08 AM
errata: 20% de ordenado para isenção de horário(?)
Publicado por [Jó] às outubro 21, 2006 12:12 AM
Isenção de horário é o acordo que fazes para deixar de ter horário fixo.
Basicamente deixas de ter direito a horas extraordinarias, mas como para pagarem horas costuma ser o cabo dos trabalhos, toda a malta quer isenção de horário.
Na empresa onde estava correspondia a um suplemento 20% do salário. Mas há empresas públicas em que isso é mais 33% e 40% do salário.
Os 3.000 Euros por ocupar um cargo de direcção não é numa escola. Só falei disso para vermos que há algures uma fronteira entre os direitos e as regalias no mundo do trabalho.
Nem todos os trabalhadores são expropriados de uma parcela do valor do seu trabalho - a mais-valia - pelo empregador. Esta premissa articulada com o conhecimento de que existe um determinado produto per capita, um determinado salário mínimo, salário médio e um horário que é relativa comum no país (ou na Europa, se preferires) leva-me à conclusão de que nem todas as lutas por aumento ou manutenção de "regalias económicas" são automáticamente justas
Publicado por [Saboteur] às outubro 23, 2006 07:37 PM
Hey, that post lvaees me feeling foolish. Kudos to you!
Publicado por [Judith] às julho 6, 2011 05:56 PM
YMMD with that ansewr! TX
Publicado por [Monkey] às julho 8, 2011 10:42 PM
