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outubro 08, 2006
O amor quando nasce é para todos
Hoje vou falar de gays, lésbicas, bi, heterossexuais e adjacentes.
A ideia vem deste artigo do Expresso que nos vem falar algo superficialmente da revolução legislativa do governo do Zapatero que garantiu a adopção de crianças por homossexuais e o casamento entre homossexuais. E pus-me a pensar como esta é provavelmente a reforma social por via legislativa mais radicalmente inovadora no sentido progressista a que já assisti no meu tempo de vida.

E por que é que isto pode ser tão revolucionário?
Durante os curtos meses em que vivi no Reino-Unido vi pela primeira vez na minha vida dois rapazes de mão dada na rua a passear ao sol com uma naturalidade tipo água do luso, num registo de quem conquistou e usufrui do anonimato a que tem direito. Eu pensava que era uma pessoa relativamente cosmopolita e tolerante. E devo ser, se comparado à esmagadora maioria dos meus concidadãos portugueses. Fui ensinado a respeitar. E a não moralizar. Mas também aprendi, quase desde a escola primária, que há um certo conjunto de comportamentos que a sociedade em que aprendi a viver condena de forma transversal e hegemónica. Dois rapazes darem a mão na rua como expressão de afecto (quanto mais de amor) é uma delas. Já desconfiava, mas no dia em que isto aconteceu percebi a amplitude da revolução social que está a acontecer em Espanha.

Pela primeira vez desde que andamos por cá (eu e a malta que escreve aqui no blog) a direita conservadora e os católicos a cheirar a mofo e inquisição foram cilindrados. O machismo hegemónico de séculos perdeu em toda a linha. Abriu-se uma nova área legal para a existência de milhões de pessoas. Foram alargados direitos de forma que só a geração dos meus pais alguma vez viu. E este é um caminho sem retrocesso no quadro das instituições vigentes. Quer dizer, não haverá maneira de a Igreja e os seus aliados políticos voltarem a meter no armário legal os milhões que dele saíram sem provocar o caos na sociedade espanhola.

A malta que escreve aqui no spectrum e muit@s outr@s zangou-se e saiu ou foi corrida do PCP e com esse processo acabou também a última esperança genuína de alguma iniciativa política do PCP em torno da questão da igualdade de direitos para LGBTs na sociedade portuguesa, o que vem provar mais uma vez, se necessário fosse, que não é revolucionário quem quer mas quem é capaz de definir e actuar segundo uma linha política que conduza a mudanças revolucionárias na sociedade. Como fez o PSOE com o Zapatero. Portanto, aí em Portugal a bola ficou do lado do BE e associações periféricas e, ocasionalmente, da JS. O que se tem revelado pouco para a força que existe no outro lado da barricada, infelizmente.



Publicado por [Renegade] às outubro 8, 2006 02:39 PM
Comentários
a foto da china está besial
Publicado por [Anónimo] às outubro 10, 2006 05:47 PM
digam nao a0 preconceito
Publicado por [jennifer] às janeiro 2, 2007 01:21 PM
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Publicado por [Jalia] às julho 7, 2011 05:23 AM
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Publicado por [Lonitra] às julho 9, 2011 03:49 PM
