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setembro 12, 2006
Milionários de Guerra
No Diário Económico (4 set), por Nuno Guerreiro
Os Estados Unidos são, acima de tudo, um país subordinado aos princípios do mercado. Por isso mesmo, nas guerras no Afeganistão e no Iraque, em vez de confiar na lenta burocracia federal, a Casa Branca optou por confiar em empresas privadas para fornecer serviços, garantir a reconstrução e apoiar as tropas no terreno. Com lucros recorde para alguns.
Num livro acabado de publicar nos EUA, intitulado “The new El Dorado”, o jornalista do “Los Angeles Times” Christian Miller , mostra que a esmagadora maioria do dinheiro despendido desta forma por Washington tem ido directamente para meia dúzia de grandes empresas, como a KBR, uma subsidiária da Halliburton. Segundo Christian Miller, estas grandes empresas têm demonstrado uma enorme capacidade de “ineficácia, desperdício e incompetência”. Miller conta que a KBR facturou ao governo americano 200 milhões de dólares em refeições que nunca foram servidas e cobrou gasolina importada a 2,64 dólares por galão, ao mesmo tempo que uma agência do Departamento de Defesa estava a fazer exactamente o mesmo por menos de metade do preço. A KBR cobrou também 617 mil dólares para fornecer refrigerantes a 2500 soldados (à razão de 247 dólares por cabeça). Por outro lado, em 2005, os contratos do Pentágono renderam ao sector privado 269 mil milhões de dólares, contra 143 mil milhões em 2000. Em Abril deste ano, o gabinete do Inspector Geral Especial para a Reconstrução do Iraque revelava a existência de 72 investigações relativas a corrupção e lucros indevidos. Por enquanto, a ausência de uma participação militar dos Estados Unidos no Líbano, parece ter vedado, pelo menos para já, a reconstrução do país a empresas norte-americanas. Entretanto, segundo um estudo intitulado “Excesso Executivo”, divulgado recentemente pelo Institute forPolicy Research, sedeado em Boston, 34 CEOs de empresas norte-americanas ligadas à defesa receberam cerca de mil milhões de dólares desde os atentados terroristas de 11 de Setembro de 2001.

Segundo o estudo, antes dos atentados, o salário do CEO de uma empresa fornecedora do Pentágono ganhava em média 190 vezes mais do que um soldado do exército. Actualmente, o mesmo CEO ganha 308 vezes mais: o salário médio de um soldado é de 25 mil dólares anuais, contra o salário de 7,7 milhões de dólares de um CEO médio de uma empresa de defesa. Ainda de acordo como documento, os directores-gerais que mais lucraram desde 11 de Setembro foram o da United Technologies (200 milhões de dólares), da Lockheed Martin (50milhões) e da Halliburton (49 milhões). Muito, se considerarmos que a ajuda europeia para a reconstrução do Líbano, aprovada esta semana pela UE, se cifra em 42 milhões de dólares.
Guerra no Líbano paralisa fábrica nacional
A fábrica da Ciment de Sibline no Líbano, detida a 28% pelo Grupo Secil, está encerrada desde o dia 17 de Julho de 2006,mas segundo declarações de responsáveis da cimenteira ao Diário Económico na altura da paralisação da produção, esta deverá abrir assim que existam condições de segurança e que haja abastecimento de electricidade. Para já a fábrica continua fechada, mas deverá abrir em breve uma vez que o sul do Líbano, onde se situa a fábrica, vai receber forças militares internacionais, incluindo portuguesas, para ajudar a estabelecer a paz depois do anúncio do cessar-fogo há cerca de duas semanas. De acordo coma cimenteira, a paralisação da produção não terá um impacto demasiado negativo, uma vez que será suportado pelo aumento da produção esperado para quando o conflito armado acabar. O cimento é um dos bens mais preciosos em tempos de guerra, usado para se proceder à reconstrução das cidades. A cimenteira assegura estar preparada para responder a esse aumento de procura e diz mesmo que, a médio prazo, este conflito vai trazer benefícios ao desempenho da participada da Secil. Aliás, o grupo cimenteiro português tem já experiência desta realidade, uma vez que através da Ciment de Sibline, beneficiou coma guerra do Iraque e o posterior plano de reconstrução promovido pelos norte-americanos. A participada da Secil passou de uma expressão nula na vertente exportadoraem2002, para 200milhões de toneladas de exportação no ano seguinte e para 399milhões de toneladas em2004, grande parte para o país antes liderado por Saddam Hussein. No ano passado, a exportação baixou para 121milhões de toneladas.
Lucros da guerra taxados a 90%
“Não quero ver um único milionário feito nos Estados Unidos à custa da guerra, aproveitando-se deste desastre mundial.” As palavras do Presidente Franklin Roosevelt, à medida que os Estados Unidos entravam na Segunda Guerra Mundial. marcavam com uma ameaça o tom da participação americana. Harry Truman, na altura senador, referiu-se àqueles que aproveitavam a guerra para enriquecer como “traidores”.
Das palavras à acção foi um pequeno passo. Depois de ouvir rumores segundo os quais algumas empresas tiravam partido da guerra para aumentar imensamente os seus lucros, Truman aproveitou as férias parlamentares, meteu-se no seu Dodge e fez 48 mil quilómetros pelo país todo, visitando escritórios e fábricas.
A comissão do Senado que Truman chefiava lançou uma feroz investigação às práticas empresariais em tempo de guerra, encontrando “desperdício, ineficiência, má gestão e especulação”, segundo o próprio Truman, que defendia que este comportamento era “antipatriótico”. Instado por Truman e por outros congressistas, o Presidente Roosevelt aumentou em 90% o imposto sobre lucros empresariais excessivos. Truman, que se tornou um herói nacional depois da sua cruzada contra a especulação e os lucros indevidos em tempo de guerra, foi convidado por Roosevelt para concorrer como seu vice-presidente em 1944.
Publicado por [Saboteur] às setembro 12, 2006 03:55 PM
Comentários
War Business…
JAC
Tecnologias de Informação e Comunicações
http://o-meu-computador.blogspot.com/
Publicado por [JAC] às setembro 12, 2006 11:37 PM
Pois, nunca é mau para todos, há sempre alguns, poucos, que se safam.
Publicado por [Barão da Tróia] às setembro 13, 2006 12:01 PM
Um artigo mais ou menos sobre o mesmo assunto:
http://krugblog.wordpress.com/2006/08/21/tax-farmers-mercenaries-and-viceroys/
Publicado por [Miguel Madeira] às setembro 13, 2006 12:59 PM
Nada disso! Se viram o Pacheco Pereira na Segunda-feira na tv, devem saber que os próprios americanos, coitados, são vitímas da GEOPOLÍTICA!
Publicado por [Francis] às setembro 14, 2006 12:42 AM
Site do PCP/Valongo em http://pcp.valongo.googlepages.com/
Visitem e divulguem!
Publicado por [PCP Valongo] às setembro 14, 2006 06:41 PM
