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julho 25, 2006

XIXI

Minha gente, esta noite urinei no Tejo. Não foi novidade. A doca é um sítio perfeito para isso. É uma concretização da ideia inata que nos diz ser a natureza uma gigante casa-de-banho, mas num cenário citadino, o que lhe acrescenta algum conteúdo subversivo.

Ao contrário do que se passa quando mijo de pé encostado a uma árvore ou a um muro, mijar numa doca é um acto livre de obstáculos. O facto é que a distância entre a fonte emissora e o receptor é absolutamente segura. Não há perigo de ricochete - aliás, este é um aspecto que merece atenção especial, dado que pode transformar-se no pior inimigo de alguns tipos de calçado e da roupa abaixo do joelho (em casos graves o problema pode chegar acima...). Não há qualquer hipótese de incómodo posterior a novos utentes do espaço, dado que, como dizia Heraclito, tudo flui e não menos as águas de um rio, que, como se sabe, nunca passam duas vezes debaixo da mesma ponte nem ao largo da mesma doca. Além disso, o som que anuncia a mistura dos dois líquidos acaba por ter um efeito relaxante.

Pode argumentar-se que a coisa vai contra as normas escritas e não escritas que promovem a urbanidade dos comportamentos, o que é verdade. Mas o que se ganha em experiência de cidade é incomparavelmente superior. A cidade é um conjunto de lugares submetidos à pressão do socialmente correcto. Raramente estamos à vontade para fazer o que nos dá na gana sem pensar em terceiros.

Urinar num espaço público sem prejudicar terceiros ajuda a libertar esse espaço da privatização colectiva de cariz totalitário em favor de uma socialização privada de cariz libertário e é um contributo, portanto, para a humanização da cidade.

Atente-se na fotografia acima: o urinol como incontestável ex-libris da cidade de Lisboa

Ao mesmo tempo que se constitui como experiência no espaço, aparece como experiência no tempo: há memória(s) associada(s) ao acto que partilhamos ou não com outros em momentos preci(o)sos das nossas vidas, que acabam por carregar de sentido o presente. Hoje, por exemplo, enquanto mimetizava o acto na grande foz do Tejo lembrava-me de uma bela mijadela no Sena uma noite há uns três anos.

Mais haverá para dizer, espero ter oportunidade de voltar a este assunto apaixonante.

Publicado por [Renegade] às julho 25, 2006 12:07 AM

Comentários

Estás em Lisboa? Esta noite vou ver o Antonioni ao Nimas. Wana go?

Publicado por [Saboteur] às julho 25, 2006 09:51 AM

o urinol no castelo de s.jorge...é realmente um marco nesta cidade. ir ao castelo e n tirar uma foto ao urinol não é de gente.
leio todos os dias o teu blog :)
um abraço.

Publicado por [rita] às julho 25, 2006 10:57 AM

Mijar é preciso...

Publicado por [Barão da Troía] às julho 25, 2006 11:07 AM

Se fores à praia, experimenta fazer o teu xixi dentro de água! É diferente, mas também altamente subversivo.

Publicado por [Anónimo] às julho 25, 2006 06:13 PM

belo regresso. Enquanto lia o post, sem lhe ver ainda a assinatura, adivinhava-lhe a autoria. Só tenho a lamentar não poder ter o prazer de poder acompanhar-te na partilha do acto (sem que isso seja nenhuma tese para o primado da dominação masculina).
Benvindo a casa.

Publicado por [Jó] às julho 25, 2006 11:41 PM

Obrigado mas isto foi baseado numa experiência há uns meses. A casa só voltarei daqui a um mesito, em 31 de Agosto. Ciao

Publicado por [renegade] às julho 26, 2006 06:57 PM

anonimo, gostava que dissesses quando e que me viste a mijar fora da agua na praia.

Publicado por [renegade] às julho 28, 2006 08:20 PM

Bom post!

Publicado por [Anónimo] às julho 31, 2006 12:00 AM

Mas meu caro amigo... Eu cá sou do Barreiro, da outra margem e já mijei no Tejo não uma, mas às duzias de vezes... É por isso que dizem que a subversão começa nos subúrbios.

Publicado por [Jose] às agosto 3, 2006 04:02 AM

Mas meu caro amigo... Eu cá sou do Barreiro, da outra margem e já mijei no Tejo não uma, mas às duzias de vezes... É por isso que dizem que a subversão começa nos subúrbios. E já me esquecia, já mijei na porta de várias Igrejas e se tudo correr bem hei de ir um dia mijar a Santa Comba, na campa rasa do Salazar. Isto se a campa ainda lá existir... coisa que eu duvido...

Publicado por [Jose] às agosto 3, 2006 04:03 AM

Ah, ah! E Fátima?

Publicado por [renegade] às agosto 4, 2006 01:38 AM

mijar so pr mijar n da...
e entao nakelas caxax d banho imindas...bah...
mijar em espaços piblicos e tem realmente associado 1 enorme praxer...
entao mijar dentro d agua...
e dcima d uma ponte..

Publicado por [maria] às julho 23, 2007 03:50 PM

que gd nojeira... mijar e so no wc

Publicado por [anonimo] às setembro 30, 2007 02:04 PM

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