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julho 25, 2006
Memórias
Assinalando o 70º aniversário do golpe fascista em Espanha (com Guerra Civil de 1936 a 1939), o país vizinho decretou 2006 como Año de la Memoria Histórica e, segundo o El País, mencionado num artigo de opinião de Vital Moreira, Zapatero prepara uma lei de acerto de contas com a ditadura franquista. Ao que parece já a prometeu há bastante tempo sem que se conheça, ainda, uma linha. Mas, pelo que parece, existem associações várias que lutam pela memória e juntas regionais que se esforçam por recuperar aquilo que chamam de "passado ausente". Relembre-se que continuam 40.000 pessoas dadas como desaparecidas, que há bastante pouco tempo houve uma abertura de vala comum mas que continuam por abrir muitas outras, ainda que se conheça a sua localização, que milhares de combatentes republicanos sumariamente julgados e fuzilados continuam registados criminalmente como traidores sem que as famílias consigam recuperar a verdade e a dignidade. Isto para não falar de outras coisas como a malta a fotografar-se, bonacheiramente, na Rua Franco, em Santiago de Compostela, como quem se fotografa ao pé do Papa.



A Nossa Santa Comba Dão, por outro lado, recebe missas pela alma do fascista cá do sítio, mas não sem apupos e, para além disso, nós fizemos o nosso exorcismo revolucionário. Saimos à rua de cravo na mão. É verdade que, ao fim de algum tempo e como diz o outro, saimos à rua de cravo na mão sem percebermos que saimos à rua de cravo na mão a horas certas. Mas, ainda assim, saimos à rua. Mas, claro, nem toda a verdade foi dita mas, como se fosse, começámos a ficar apaziguados com o nosso passado. Tão apaziguados que vamos ter um condomínio fechado na António Maria Cardoso. É por essas e por outras que o movimento Não Apaguem a Memória propõe a criação de um roteiro da memória da resistência à ditadura e, como noticia hoje o Público, recolheu o número de assinaturas necessárias para agendamento de reunião plenária do Parlamento sobre o tema, no início da próxima sessão legislativa.




Publicado por [Joystick] às julho 25, 2006 03:09 PM
Comentários
Grande Zapatero. Se o Sócrates fosse assim, lá ía o Bloco por àgua abaixo. E o o PCP também.
Publicado por [Anónimo] às julho 26, 2006 11:33 AM
também há que dizer que a nossa foi uma ditadura "branda" se comparada com a franquista (na questão da violência, ou das várias violências, quero dizer). Devia haver muito mais mais memórias em Portugal. E também concordo, Zapatero em S. Bento já!
Publicado por [renegade] às julho 26, 2006 06:51 PM
A Zapatero co leve o Vento......!
Publicado por [Castelhano zangado] às agosto 5, 2006 08:36 PM
