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julho 31, 2006
Empresa líder de mercado recruta, para a sua sede em Lisboa, neo-conservador (M/F), idade até 35 anos

No Público de hoje, na Revista de Economia, vem um artigo de opinião de um jovem chamado Sérgio dos Santos.
Naturalmente o jovem é do campo do costume. O Público não iria dar espaço a um economista heterodoxo, que começasse a questionar as leis sagradas daquela ciência… Qualquer dia ainda alguém se lembrava de dizer que a Economia não era uma ciência exacta e depois é que era o caos!
Ainda assim, este novo “opinador”, diferencia-se de alguma forma de todos os outros: Para além do excessivo barroquismo do texto (que tenho visto ser habitual na malta jovem que escreve para o grande público); o tom pedante, invocando os fundamentos básicos e abstractos da economia clássica – «O indivíduo x não pode “explorar” o indivíduo y quando ambos concordam e aceitam as condições» – é pouco habitual.
Normalmente estes “opinadores” saltam logo a parte da teoria (porque não a dominam) e vão logo para as suas consequências concretas: Os sindicatos são maus, a Lei dá muitos direitos aos trabalhadores, os salários estão muito elevados, isto só vai lá se o pessoal apertar o cinto, e vejam que homem extraordinário é o Dr. Paulo Teixeira Pinto. O Sérgio parece mais refinado.
O artigo traz publicidade ao Blog dele. É do mesmo género, apesar de – face à guerra do Líbano – esta malta já tenha esgotado todos os argumentos minimamente sérios e esteja já só a chamar terrorista” e nazi a quem critique esta política externa baseada na violência do Governo de Israel. Aqui o Sérgio é menos refinado.
Tenho curiosidade acerca de todo este processo de recrutamento e selecção de elites que a direita faz. Por exemplo: como é que um gajo destes tem um artigo de opinião no Público: Por via familiar? Por pró-actividade do próprio? Ou será que andam nas universidades e na net à procura das pessoas… uma espécie de head hunting neo-conservador?
Publicado por [Saboteur] às julho 31, 2006 05:40 PM
Comentários
Isso tudo e um universo de referências culturais mastigado e cuspido pelo maoísta amnésico João Espada. E a língua inglesa faz figura de autoridade.
Publicado por [renegade] às julho 31, 2006 08:12 PM
O jovem liberal apagou comentários incómodos sobre a questão de Israel e do Terrorismo.
Há coisas em que estes liberais não são nada liberais.
É o tal relativismo moral...
Publicado por [Anónimo] às agosto 1, 2006 10:13 AM
". O Público não iria dar espaço a um economista heterodoxo" Mas que é um economista heterodoxo? Em Portugal, a grande maioria dos economistas são keynesianos ou marxistas (para aí 90% dos licenciados antes de 1985), por isso um neo-clássico é bastante heterodoxo.
Publicado por [hmmm?] às agosto 1, 2006 04:33 PM
Não brinques comigo. Isso parece o Pacheco Pereira a dizer que a comunicação social é toda de esquerda.
Não me digas que és daqueles loucos que dizem que a TSF é a Al'jazira da Europa?
Publicado por [Saboteur] às agosto 1, 2006 04:58 PM
Não, sou daqueles que dizem que a maioria dos economistas portugueses são marxistas ou keynesianos. Aliás, há pouco mais de uma década tinhamos um a primeiro-ministro que dizia "somos todos keynesianos".
Publicado por [hmmm?] às agosto 2, 2006 01:40 AM
Bem, é melhor irmos ver à página das Faculdades de Economia (a começar pelas mais influentes - UN e UCP) e verificarmos quem são os keynesianos.
Quanto aos economistas marxistas, estás a falar do Carvalhas ou do Octávio Teixeira? Bem, só são 2 e mesmo assim não sei se ambos concordariam contigo.
Não podes utilizar conceitos de avaliação que só tu e mais meia-duzia concordam com eles. Uma pessoa que defenda, p.ex, que existem alguns bens importantes que não podem ser integrados numa lógica de mercado, e que por isso propõe nesse caso específico um planeador central, não é necessáriamente um perigoso marxista.
É como disse em relação ao Pacheco Pereira: Para ele, como os jornais não dizem todos exactamente aquilo que ele pensa, ele afirma que a comunicação social é esquerdista. No fundo é um exemplo de profunda intolerância para com as opiniões diferentes (e algum orgulho no "estar só contra o resto do mundo", um problema de personalidade, portanto)
Publicado por [Anónimo] às agosto 3, 2006 10:52 AM
preconceitos tem o anónimo. Faculdades mais influentes de Economia? Realmente o Porto, que só tem uma das escolas mais conceituadas da Europa, não deve ter nada a dizer.
Publicado por [Anónimo] às agosto 4, 2006 07:42 AM
