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junho 18, 2006

Ide e matai-vos uns aos outros

Estou a ouvir a emissão gravada do Jornal da Tarde de hoje. A coisa abriu com um balanço provisório sinistro da "Operação Estrada Segura": 10 mortos, 26 feridos graves e 300 feridos ligeiros em 4 dias. A jornalista vai narrando estas coisas com uma voz de púlpito que me enche de comichão entremeada de alusões a excesso de álcool e de velocidade. E deixa deste lado uma perplexidade. A Associação dos Cidadãos Automobilizados tem um site e tem propostas.
Admitindo que ninguém gosta de olhar para estes números lembrei-me de postar aqui uma ideia que aprecio sobre a política das estradas e que ninguém tem tomates para adoptar (e que vale o que vale):

Limitação administrativa (homologação) das velocidades máximas dos veículos. Se não é legal conduzir nas estradas portuguesas a velocidade superior a 120 KM/h, então os veículos devem ter a sua potência máxima limitada a esta velocidade. Não faz parte das liberdades individuais o direito a conduzir nas estradas a velocidade superior a 120 KM/h. Penso que ajudava.

No fundo se calhar todo o drama das estradas se resume à chegada tardia a Portugal da sociedade de consumo automóvel com o cavaquismo. Um desfazamento entre as possibilidades de acesso aos brinquedos e o tempo disponível para educar o povo nas regras do manual de instruções.

Publicado por [Renegade] às junho 18, 2006 11:31 PM

Comentários

É uma ideia... mas o grande perigo, o que causa mais acidentes, são as manobras perigosas, muitas vezes abaixo do limite de velocidade. As ultrapassagens com pouca ou nenhuma visibilidade, duplas ultrapassagens, mudança de faixa brusca, entrada na autoestrada directamente para a faixa da esquerda, conduzir literalmente colado ao carro da frente... e outras pérolas do género, nem sempre ligadas à velocidade.

Publicado por [Helena Romao] às junho 19, 2006 01:04 AM

A isso podemos sempre contrapor que o limite ja era de 120 antes de se inventar o abs, direcçoes assistidas e outras n invençoes no ramo automovel e esse limite nunca foi alterado...alem disso o limite nao e de 120 em todos os paises e portanto com essa argumentaçao nao iriamos muito longe...penso eu de que....

Quanto ao segundo comentario eu diria que o cavaquismo deu foi pra fazer auto-estradas e aumentar as mafias do betao/alcatrao, quanto a comprar carros quanto muito deu para alguns...ai se aquelas empreitadas todas fossem fiscalizadas....

Publicado por [O Gato] às junho 19, 2006 10:09 AM

O drama das estradas é o mesmo drama do copianço e da corrupção: é o drama de a malta mentalizar-se que se vai safando com uma ultrapassagem pela direita pois não há mal nenhum ("mas alguém se aleijou?"), que um gajo tem é que se desenrascar ("o zé-maria ganhou 20mil contos só a aparecer na TV, pá!").
Uma espécie de país inteiro de putos repetentes a fumar às escondidas e às claras.
Isto é um modus viventi activamente ensinado e cultivado por quem lucra com isso: parece que vai ser difícil de resolver.

Publicado por [Anónimo] às junho 19, 2006 04:53 PM

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