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abril 26, 2006

25 de Abril Sempre, outros Movimentos Perpétuos, Vieira e Todas as Crianças Invisíveis


Edgar Pêra é "Herói Independente", o primeiro português, na 3ª edição do IndieLisboa. O seu cine-tributo a Carlos Paredes, "Movimentos Perpétuos", está em primeiro lugar na votação do público. O filme é muito bonito, uma dedicatória à altura de Carlos Paredes. A música, claro, invade a sala de cinema e traz força aos exercícios estéticos de vídeo; não poderia ser de outra forma.

No 25 de Abril, o Edgar Pêra passou por mim a correr, a filmar o desfile na Avenida da Liberdade em movimento rápido e em Super 8. Será outro cine-tributo ou a versão política do "És a nossa fé"? Espero que a banda sonora seja tão boa como Paredes.

Talvez com música de Manuel João Vieira, que deu um concerto comemorativo na madrugada de 24 de Abril, no Maxime (com fila para entrar às 4 da manhã) e que nos presenteou com músicas de intervenção com arranjos à Irmãos Catita, e segunda voz de Suzy da Suazilândia, e a espontaneidade que lhe é característica: Lenine - vencedor de vários prémios Lenine, segundo informação do camarada Rei Bonga - ter-lhe-á dito para preferir o cavaquinho, instrumento do povo, à guitarra eléctrica, objecto da burguesia. "O cavaquinho tem 4 cordas como os dedos da mão de um operário fabril que perdeu um dedo".

E depois do desfile e da ginginha habitual, retorno ao Indie com "All the Invisible Children", curtas de vários realizadores que trabalharam à borla para que o produto da distribuição comercial reverta para a UNICEF e para o WFP - World Food Programme. São sete crónicas de sobrevivência com crianças como protagonistas. Um aplauso grande para a curta de Spike Lee, sobre uma criança infectada com HIV, e para Kátia Lund, sobre duas crianças que vivem da recolha de lixo para reciclagem na selva de São Paulo e que anseiam por materializar o sonho de comer um bife com batatas fritas. A curta de Kusturica é divertida, mas é irónico que o seja, afinal nada há de divertido no puto sérvio que prefere o reformatório à família disfuncional. A curta chinesa é uma soap opera para puxar a lágrima, mas o tema, esse nunca tinha visto tratado: as diferenças de classe entre duas meninas chinesas, uma toca piano, tem uma mansão com chão de mármore e a outra vende flores na rua e trabalha por um prato de noodles, não vai à escola porque não tem 900 yuan. 25 de Abril Sempre!

Publicado por [Joystick] às abril 26, 2006 02:52 PM

Comentários

já há anos que vejo o edgar pêra a filmar manifes e a explicação é bastante mais terra-a-terra: ele é contratado pelo bloco para captar imagens p os tempos de antena.

Publicado por [paradise café] às abril 26, 2006 05:22 PM

já há anos que vejo o edgar pêra e a explicação é bastante mais terra-a-terra: ele é para imagens.

Publicado por [Anónimo] às abril 27, 2006 10:24 AM

bem... eu do pouco que conheço do edgar pêra, limito-me a dizer que pelo que conheço dele, concordo inteiramente com o anónimo...

Publicado por [rafa] às abril 27, 2006 08:43 PM

"explicação terra-a-terra"??! Que merda é essa?

Publicado por [Anónimo] às abril 28, 2006 12:36 AM

O que ninguém ainda disse é que o verdadeiro artista, o génio, é o Manuel João Vieira.

Publicado por [Saboteur] às abril 29, 2006 06:33 PM

puta que o parriu

Publicado por [puta] às janeiro 4, 2007 05:02 PM

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