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julho 11, 2005

L'amore mio non muore

Congresso de fundação da Autonomia Operária
3 e 4 de Março de 1973, Bologna
Moção aprovada

O encontro de trabalho e de análise das assembleias autónomas e dos comités operários que se realizou em Bologna a 3 e 4 de Março debruçou-se, num confronto político a partir das diversas realidades representadas, sobre o tema do desenvolvimento e das organizações da autonomia operária. O contributo militante dado pelos camaradas organizados nas várias situações permitiu-nos não ficar submersos num debate ideológico abstracto, e centrarmo-nos concretamente nos problemas da luta de classes em curso no país. A classe operária, hoje na ofensiva contra os programas de reestruturação capitalista e de repressão, exprime a necessidade, evidenciada na reunião de Bologna, de caminhar para níveis organizados e alternativos de autonomia a nível nacional.
A autonomia operária exprimiu neste ciclo de lutas a necessidade de organizar-se acima de tudo em torno de uma linha política e, consequentemente, dos objectivos que dela decorrem. Defender os interesses reais da classe operária significa na prática agudizar a crise da burguesia - agindo sobre objectivos que bloqueiem a recuperação da produção - e superar as organizações revisionistas que buscam a construção de uma alternativa.


A base de tudo isto é o comportamento político da autonomia operária, que age enquanto negação do desenvolvimento pretendido pelo capital e contra a sua componente reformista, funcional a esta pretensão (sindicatos e partidos do arco constitucional).
Esta recusa da organização capitalista do trabalho, que se exprime também através do absentismo como forma espontânea de reacção operária, articula-se com os objectivos que a autonomia foi capaz de pôr em prática em cada uma das realidade representadas, com a perspectiva política da luta contra a reestruturação, contra a repressão, contra a organização capitalista do trabalho.
Objectivos relacionados com esta perspectiva são:
- recusa da mobilidade e da polivalência;
- luta contra a intensificação dos ritmos e a sua nocividade;
- 36 horas;
- luta contra os despedimentos;
- salário igual para todos;
A prática revolucionária alternativa destes objectivos deve desenvolver o ataque para rebentar com a hierarquia empresarial, que se manifesta directamente através dos dirigentes e chefes e indirectamente através dos fura-greves organizados e das tentativas de provocação fascistas, desenvolvendo continuamente um processo tendente à ingovernabilidade da produção. Defrontado com este específico ataque, o capital precisa de fazer a classe operária pagar a sua crise.
A classe operária responde, com um nível de organização assente no salário garantido em todas as suas várias articulações. Salário garantido também como programa de lutas sociais que encara o território como um momento organizativo entre fábricas, escolas e bairros, juntamente com todos os objectivos de um projecto de reapropriação de classe que exprima uma luta generalizada e cuja qualidade irá impôr reacções cada vez mais duras e violentas da parte do Estado burguês. As propostas organizativas devem concretizar as linhas políticas expressas nesta moção.

Estruturas: Estabeleceu-se a constituição de uma comissão que reúna periodicamente com as tarefas abaixo enunciadas, ficando claro que tais soluções têm necessariamente um carácter provisório e caminham no sentido de construir estruturas mais sólidas na base do crescimento unitário e das capacidades de todas as realidades representativas.
1) A comissão é composta de dois camaradas por zona: Porto Marghera, Roma, Nápoles, Milão, Turim;
2) Tal comissão assume a responsabilidade de garantir continuidade ao processo de construção da autonomia ao nível mais geral possível. Assume-se pois a responsabilidade política de tudo o que vier a ser feito e promovido a nível comum (nomeadamente a promoção de contactos e relações políticas com novas realidades autónomas);
3) As estruturas de trabalho (sedes, imprensa, etc…) de cada situação particular estão disponíveis para sustentar a comissão neste início de estrutura unitária, com a perspectiva de vir a criar uma estrutura unitária mais completa;
4) A comissão deverá ampliar a base estrutural ao nível de apoio mútuo revolucionário, autodefesa, financiamento, etc…
5) Considerando todas as diferenças, na base do processo de concreta construção e promoção unitária, a comissão propõe um encontro nacional a todas as realidades autónomas.

Publicado por [Rick Dangerous] às julho 11, 2005 03:11 AM

Comentários

Vai levar na peida ó cabrão

Publicado por [John Chuchas] às julho 13, 2005 07:10 PM