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julho 21, 2005

De onde vem a Barbárie

Os atentados que vitimaram em 7 de Julho a população londrina, tal como os que vitimaram há pouco mais de um ano os madrilenos, são actos de terror que atingem gente sem culpa.
Mas a ninguém escapa a ligação entre estes factos e a activa participação do governo britânico (tal como antes o de Aznar) na agressão ao Iraque.A barbárie dos métodos de luta usados em Londres ou em Madrid é um pálido reflexo da bárbara guerra colonial conduzida desde há anos pelo imperialismo EUA, com o apoio de Blair e de outros governantes europeus, contra os povos do Médio Oriente. Se na Europa as vítimas inocentes se contam por centenas, no Iraque, na Palestina, no Afeganistão sobem já às centenas de milhares.
Os atentados de Londres são uma retaliação e não um primeiro ataque. São uma resposta, com terror, ao terror massivo e desmedidamente maior que os EUA desencadearam e que o governo de Blair subscreve e apoia desde a primeira hora.Bush e Blair, seguidos pela maioria dos dirigentes europeus, repetiram o argumento de que "estamos a ser atacados, temos de nos defender". Mas é precisamente o contrário. Longos anos de opressão e de humilhações, de apoio a ditaduras primitivas, de espoliação de recursos económicos pelo imperialismo é que desencadearam o ódio desses povos. E a declaração da "guerra infinita" do governo norte-americano apenas fez alastrar a lógica de terror contra terror.
”Temos de defender a democracia e o nosso modo de vida", dizem. Mas é o inverso que sucede. São eles mesmos que, para conduzirem a guerra ao
Iraque e para se manterem no poder, vão dando golpes profundos na
democracia - mentindo, falsificando documentos, suspendendo direitos
cívicos e fabricando leis de excepção, dando poderes discricionários às polícias, criando prisões fora da alçada da lei, incentivando a denúncia entre cidadãos, promovendo a cargos de poder os indivíduos mais reaccionários e avessos à democracia, dominando os grandes meios de informação e fazendo-os falar pela mesma cartilha.
E são eles mesmos, simultaneamente, que degradam drasticamente o "modo de vida" das populações - pelo desemprego crónico, a precaridade de trabalho,a quebra real de salários, a liquidação dos apoios sociais.

As populações ocidentais sentem-se naturalmente abaladas por ocorrerem
atentados nos seus países. Mas a maioria assiste de modo passivo às
políticas criminosas dos seus governos. É nesta passividade que governos e meios de comunicação se apoiam para fazerem a máxima exploração dos atentados, procurando novos argumentos para limitar liberdades, cortar direitos e prosseguir a agressão externa. Essa passividade permite que continuem no poder os responsáveis por violações dos direitos humanos e das leis internacionais - e esse é que é o verdadeiro perigo.
Não se pode aceitar que a resposta aos atentados seja o reforço das
medidas policiais. O fim do terror passa por uma oposição de massas à
política de agressão aos povos árabes e muçulmanos encabeçada pelos EUA e pelo Reino Unido.Em Portugal isso significa exigir que o governo retire o apoio dado à agressão e à ocupação do Iraque, exigir a anulação do acordo com os EUA sobre a base das Lajes, exigir o regresso das tropas enviadas para o Afeganistão e não permitir a montagem de um sistema pidesco de vigilância dos cidadãos a pretexto da segurança.
Propomos a todas as forças de esquerda um entendimento urgente para
levantar um vasto movimento em torno destas exigências.
POLÍTICA OPERÁRIA
14 de Julho de 2005

Publicado por [Operation Wolf] às julho 21, 2005 10:41 PM

Comentários

Excelente texto de opinião.
Abomino todas as formas de terrorismo, sejam elas representadas através de ataques suicidas ou através de alegadas "Cruzadas democraticas". Também acredito que o fim destes ataques passe pela retirada das tropas da chamada coligação do Iraque e do fim do apoio que os americanos dão ao israelitas. Democracia encapuçada não é democracia.

Publicado por [varela488] às julho 22, 2005 01:56 PM

"Essa passividade permite que continuem no poder os responsáveis por violações dos direitos humanos e das leis internacionais - e esse é que é o verdadeiro perigo."

Não, esse não é o verdadeiro perigo. Mas sim a democracia é uma coisa perigosa: tomam-se más decisões, adoptam-se medidas irracionais e algumas até contra a expansão do direito internacional, vejam bem.

Apesar disso, a "passividade" dos povos ocidentais em relação aos seus chefes políticos não justifica o que quer que seja, incluindo obviamente atentados terroristas. Esta ideia atravessa de uma forma muito pouco súbtil o texto. Sendo esquerdista, fico especialmente triste com este tipo de discurso. Mas esse é o outro lado das democracias dos povos passivos e burros que levam com bombas no metro (estranhamente, não consta que as bombas matem só os que votam mal em eleições ou aqueles que não se juntam em bando para manifestações anti-guerra ou anti-globalização): é-nos dada a oportunidade de ler opiniões de que não gostamos e de entristecer com elas.

Abraços.

Publicado por [Filipe] às julho 23, 2005 01:36 AM

isso não é desculpa.... o lema não pode ser olho por olho dente por boca!!!!!!!!!!

Publicado por [Anónimo] às julho 24, 2005 06:06 AM