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junho 23, 2005
Um comentário no Barnabé
Sobre o direito dos fascistas (deixemo-nos dessas do "orgulho branco" do "nacionalismo" e de cantores-do-hino-e-a-ver-se-chove, tá?) se manifestarem, entendo que o devem ter. Quanto mais não seja para lhes recusar o direito de dizerem que não têm direito à livre expressão – coisa que, como se sabe, era bem cultivada no tempo do “botas”.
A luta contra o racismo não se faz por via administrativa, isto é, o facto de a Constituição não permitir o direito de manifestação das tendências fascistas não representa nada, nem um ponto contra a tendência xenófoba que se vai desenvolvendo na sociedade portuguesa. Não é esta mesma Constituição que garante o Direito ao Trabalho, à Saúde, à Educação e... vejam.
Derivemos para a Constituição. Quase ninguém a conhece e quem a conhece - quem ganha dinheiro a ser o seu "guardião" - só pensa em revê-la porque "está desactualizada". A Constituição é o rolo de papel higiénico nacional com que se limpa o cu das conquistas de Abril.
Convenhamos, a Constituição não tem nada a ver com o país que somos e pretendemos ser: primeiro, porque não consta que a Lei da Selva possa ser objecto de regulação; segundo, alguém por aqui pretende ser alguma coisa? Miguel de Vasconcelos a padroeiro nacional, já! Não, não alinho em nacionalismos e Olivença que se f.***.
Arrastemos. Primeiro deixaram que se desenvolvessem bairros como o da Cova da Moura, da Bela Vista e outros, porque aquela gente lhes fazia jeito para construir a ”grandes realizações dos portugueses”, deixaram-nos sem direitos no Trabalho, abandonaram-nos às ONGs da treta, às senhora da caridade da Santa Casa da Misericóridia e ao YMCA e, claro, quando as coisas ficavam pretas, "Todos Diferentes , Todos Iguais". Obrigámos os seus jovens a ouvirem na Escola que não fazem parte da nossa História e eles adoptaram a cultura que estava aos seus olhos, a dos guetos norte-americanos.
Agora, carradas de putos que de africanos só têm a cor que herdaram dos pais, vêm assaltar a malta na praia, novidade? Só para os jornalistas que vêm a realidade dos bares da moda ou dos bairros classe média/alta onde moram. A pilha de pólvora há muito que estava a ser construída e vocês, azar, estavam distraídos com outras coisas que dão mais audiência. Podem estar descansados que vão continuar a ter imagens espectaculares (daquelas que a malta gosta de ver) para passarem nas Têvês.
Há tempos li um artigo de uma cronista qualquer de um jornal qualquer que manifestava a sua indignação por as pessoas "brancas" da linha de Sintra viajarem juntas deixando aos "pretos" os outros locais da carruagem. A senhora ficou surpreendida, mas se viajasse com regularidade nesses comboios saberia que isso acontece por uma questão de bom-senso: para não se ser assaltado. Politicamente incorrecto, que se lixe, é verdade e não me considero fascista por afirmá-lo.
Voltemos aos fascistas. Eles só prosperam ou não consoante a "democracia" lhes permite. Com tantos anos de modelos de “integração” e “urbanismo” como este, só agora os democratas andam assustados, porque acabaram de provar o sabor das baratas que há anos vêm nadando na sopa. Estavam à espera de que acontecesse o quê em resultado da vossa "cozinha" política?
Insegurança, racismos “arrastados” ou de taco de basebol em riste, a melhor forma de os combater é respeitando os direitos de todos quantos partilham esta terra connosco, considerar português quem aqui nasce e garantir direitos e obrigações iguais para todos. Combater todos os racismos, vindos dos “brancos” dos subúrbios da margem sul ou dos “pretos” da Cova da Moura.
Num país e numa sociedade destas, pedir que a insegurança e o racismo não existam é o mesmo que pretender ir à cagadeira e não querer sentir o cheiro da merda.
Publicado por CausasPerdidas em junho 21, 2005 03:33 AM
Publicado por [Operation Wolf] às junho 23, 2005 08:28 AM
Comentários
Nem mais...
Publicado por [emplastro] às junho 23, 2005 11:50 AM
Nem mais!...
Publicado por [francis] às junho 23, 2005 02:04 PM
Pois que se saiba que também há pretos racistas na Margem Sul, sobretudo os tais de 2ª geração de que tanto agora se fala. E, se eles não o fossem, muitos dos brancos daqui também não o seriam... Garanto que são os brancos, na maior parte das vezes, as actuais vítimas de agressão.
Já decorre talvez um ciclo vicioso de (contra-)racismo, em que as diferentes partes da história se vão encaixando e dando razões para que todos possamos ser racistas.
Vivendo aqui há muitos anos, não foi só agora que acordei para o problema das desintegrações e reintegrações forçadas, com consequências também para os que estão integrados.
Pelo contrário, tenho tentado compreender que, não sendo o indivíduo fruto da sociedade, pois a semente é própria, é na sociedade que esse fruto amadurece, com mais doçura ou amargura. Tento compreender, pois já se sabe, que há bons e maus em todo o lado e em todas as raças. Tento contrariar qualquer racismo, apesar de inevitavelmente sentir essa tal insegurança.
Publicado por [Voice ON] às junho 24, 2005 07:21 AM
O Causas Perdidas deu mesmo isto como uma causa perdida?
É pena, depois de levar a sensatez a tantos pontos insensatos...
Pois eu sugiro que se acabe com as guerrinhas das manifestações e as manifestações às manifestações, e se faça uma manifestação à séria, contra o racismo e contra a criminalidade. O que é que acham?
Publicado por [Voice ON] às junho 24, 2005 07:32 AM
Vocês estão em destaque logo no início no meu blogue.
Um grande bem-haja para todos vós daqui do "Spectrum"!
Publicado por [Golfinho] às junho 25, 2005 10:27 PM
