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junho 10, 2005
Fear and loathing in carcavelos

Alguns gajos efectuaram um assalto em massa na praia de Carcavelos. A bófia chegou e terá havido um tiroteio, de que resultaram duas feridas, ao que se sabe atingidas por fogo amigável. A polícia confessou as suas dificuldades em efectuar detenções porque os meliantes, entre os quais se encontravam pretos retintos e loiros de olhos azuis, se terão espalhado pela praia entre os banhistas.
Há cinco anos um comboio, agora uma praia. O lumpen proletariado está cada vez mais ambicioso. O simbolismo da data não deixa de ser impressionante.
Note-se que poucas horas antes houve uma concentração nacionalista no Camões e uma contra-concentração no Martim Moniz, que ali rumou para ser carregada pela polícia.

Mas a verdadeira ofensiva contra portugal decorreu noutro lado. Lá onde uma nova guerra colonial toma forma, das selvas de zinco e de cimento às praias da linha, com tácticas de guerrilha e ataques decididos ao estado de direito e à bolsa da classe trabalhadora.
À esquerda, como de costume, lamentar-se-à um roubo indiscriminado em vez de uma mobilização paciente e uma luta credível por direitos sociais.

Mas não terão o neoliberalismo, a crise, o desemprego, a precariedade, os movimentos migratórios conferido às relações sociais uma violência e uma urgência que pouco se compadecem com as receitas moralistas e bem intencionadas do costume?
A 2ª geração de emigrantes, que não encontramos nas manifestações da Solidariedade Emigrante e tampouco no 1º de Maio, move-se noutros terrenos, com outros motivos e problemas que não o de contribuir para o aprofundamento da democracia neste país. Com eles movem-se outros tantos putos, brancos e portugueses da velha cepa, como eles pobres, numerosos, cínicos, hedonistas e pouco pacientes.
No mar de resignação com que se vem vivendo a crise, no agravar do défice mais importante de todos - o da conflituosidade social -, estes assaltos têm pelo menos o mérito de exprimir até que ponto a burguesia portuguesa vem resolvendo os seus problemas à nossa custa.
Na sua nova ordem, a questão social não se pode exprimir senão de dois modos: o assistencialismo miserabilista com que se evita que os indigentes morram nas ruas ou a violência dirigida contra a propriedade privada e protagonizada pelas franjas do proletariado que menos têm a perder.
No meio disto tudo ficam os eleitores de esquerda e os trabalhadores sindicalizados, a repetir concentrações, protestos simbólicos, abaixo-assinados, moções de censura e greves parciais contra a crise. No meio disto tudo fica a impotência de quem se passeia numa praia da linha num feriado, a tentar apanhar sol por entre as gotas da tempestade e é assaltado.
Lamentável sem dúvida, mas de modo nenhum incompreensível. Quem alinhar no coro securitário, mesmo que através da versão "democrática" da polícia de proximidade, não faz mais do que entrar no partido da ordem para aí animar a sua ala esquerda.
Na cidade dos ghettos e dos condomínios, ninguém estará seguro.
Publicado por [Rick Dangerous] às junho 10, 2005 07:28 PM
Comentários
A violência policial não tem desculpa, é injustificável, exagerada, desproporcionada (e o que mais lhe queiram chamar) e é sem dúvida o mais grave de todo o incidente.
Além de que é o único crime dos deste acontecimento que tem um carácter permanente, reincidente, duradouro e impune.
Mas, um roubo é um roubo. É um crime menos grave que a violência física e o uso de armas de fogo. Tem todas as atenuantes das condições sociais, mas é um crime.
Obviamente, sendo crianças, devem é ser apoiadas e inseridas, e não julgadas. Mas o que fizeram não deixa de estar errado.
Além disso, quem é que eles assaltaram? Os ricos? Pessoal, esses estão no Algarve ou nas ilhas gregas! Assaltaram os que aproveitaram o diazito para ir à praia (que têm todo o direito e não é um luxo), gastando a gasolina de 30km ou bilhete de comboio! Como se pagarem a bicazita do dia com mais 2% de IVA não fosse já um roubo!
É que é sempre o mesmo mexilhão que paga a crise, a deles e a dos outros!
Neste caso, concluo que (e por ordem de prioridades):
1- a polícia tem que começar a ser julgada pelo que faz. As decisões são analisadas, vê-se quem dá ordens e quem age por iniciativa própria, apuram-se responsabilidades e faz-se um julgamento. Estes procedimentos não são inéditos, isto é feito em operações com consequências muito graves. É altura de começar a sê-lo também quando não há mortos.
1 ex-aequo - Aceitar e integrar os imigrantes. Legalização, direitos de cidadania, direito de solo e não de sangue, ajudas à chegada, aprendizagem gratuita do português. Dar neste aspecto o exemplo aos outros paíse, em vez de continuarmos a desculpar-nos com "lá fora ainda é pior...". Pois é, e depois? Lá fora é lá fora e aqui não é lá fora.
3 - Encontrar modo de evitar que estes miúdos repitam o que fizeram hoje. Não sei de que modo exactamente, sei que não punitivo.
4 - Formar a polícia para os direitos de cidadania e a ética, em vez dos "perigos" dos "grupos sociais de risco".
E não acho que isto seja entrar no partido da ordem. Acho que uma coisa é a desobediência civil, outra é a anarquia completa.
E passo a dar um exemplo:
a nível legal, julgo eu, ocupar uma casa vazia é mais grave do que entornar um contertor de lixo na rua.
Mas na verdade, uma casa ~ão se rouba, ~ão deixa de pertencer a quem pertence, mas pode aproveitar-se se está desocupada. Não é danificada, não faz mal efectivo a ninguém, porque não estava aproveitada, não é levada embora.
Mostra-se a revolta face à falta de medidas verdadeiras para a solução dos desalojados, ou a falta de espaços gratuitos para actividades artísticas.
Virar um caixote do lixo também não magoa ninguém, mas como princípio está errado. Os únicos prejudicados por este acto são aqueles que de qualquer modo já têm uma das profissões que menos gente quer: os funcionários que recolhem o lixo. Eles são os únicos prejudicados! A conclusão que se tira deste acto é de uma aversão aos únicos prejudicados.
Além de que, como estratégia política, é a melhor maneira de perder o voto destas pessoas! Não vnao votar na esquerda, se a esquerda é quem os obriga a mexer no lixo com as mãos (o que aliás é muito perigoso - não se sabe se vão encontrar algum objecto cortante ou até seringas), em vez de colocarem apenas os contentores nos suportes.
Publicado por [Helena Romao] às junho 11, 2005 12:30 AM
Gostei do teu ponto de vista. Contudo, há uma coisa que importa focar: Não foi a burguesia que sofreu com estes actos de vandalismo. Essa estará sempre a coberto das investidas. No dia em que Les misérables os demitirem ficarão com umas confortáveis reformas graças ao trabalho destes. Outros se seguirão e parece que andamos num carrocel circular.
A minha opinião? Merda para tudo isto!!!
Publicado por [francis] às junho 12, 2005 12:18 AM
Ando eu aqui a pagar impostos para estes pretos se reproduzirem que nem coelhos !!!???
Eles so teem crias para receber mais subsidios!
Depois dá nisto!!!
Já nem se pode meter uma criança numa escola que ela chega a casa a falar chipanga! isto mete nojo!
Dos 500 animais, quantos foram ou vão ser deportados!? sabem quantos ZERO!!!
Publicado por [Anónimo] às junho 12, 2005 12:21 AM
não há sítios no mundo que mereçam receber este anónimo porque ele é que devia ser deportado
Publicado por [operation wolf] às junho 12, 2005 12:43 AM
Francis, foi isso que eu disse.
Quem sofreu com o ataque foram os que tinham um fim de semana para gozar, mas não tinham dinheiro nem para ir ali ao Algarve. Exactamente como os que roubaram. Evidentemente que sabiam que se roubassem em Vale do Lobo tinham "melhor colheita", não tinham era dinheiro para lá chegar.
No fundo, são sempre duas misérias a discutir qual das duas é maior.
Publicado por [Helena Romao] às junho 12, 2005 02:59 AM
não é que não tenham p chegar a vale do lobo, sabem é qu seriam apanhados imediatamente. A diferença é essa
Publicado por [operation wolf] às junho 12, 2005 04:35 PM
Apenas uma pequena consideração ao texto de rick: "2ª geração de emigrantes" é uma expressão que parte desde logo do lamaçal de categorizações mal formuladas... Não se passa a emigração de pais para filhos. A emigração não é hereditária.
Publicado por [shift] às junho 14, 2005 01:46 PM
E eu sou o pai natal...
Publicado por [Rick Dangerous] às junho 14, 2005 06:52 PM
Desculpem la quem cometeu um crime deve ser punido.
E neste caso foram assaltos e agressoes, umas bastonadas nao faziam mal nenhum, se eles "carregam" porque a policia nao ha-de "carregar" e ao que parece nao carregou muito.
Depois se quiserem aplicar penas corretivas muito bem. criemos programas com actividades, programas que possam abrir o contacto com outro tipo de realidades e compreensoes.
criemos sociedades, colectividades, grupos desportivos , grupos culturais que os permitam ocupar o tempo e desviar a atençao e despertar o interesse para outras coisas.
Agora esta visto que portugal nao tem condiçoes ( economicas, culturais, infrastruturais ,....) para acolher os emigrantes que depois ao fim de algumas geraçoes sao depositados em ghetos e degeneram tantas e tantas vezes numa faixa etaria ( quase sempre dos 10-11 aos 20-25) em potenciais criminosos ocasionais e pontuais. entao filtrem-se as fronteiras e as entradas e passem a fazer um controle de entradas e passagem de vistos segundo as necessidades do pais.
"tolerancia para com os emigrnates que estao a ajudar a construir o pais" ( qq coisa assim ) opa crie-se uma boa publicidade e boa imagem do gajo que trabalha nas obras , deem mais condiçoes de trabalho e porque esse nao pode ser um trabalho apetecivel.
O trabalho manual porque e nao ha-de ser tao valorizado como o trabalho intelectual, gostava muito de ver certas pessoas a construir qq artefacto em madeira, ou levantar uma parede, nao e isso tb uma forma de arte.
Dai reduzir as entradas,dar uma boas bastonadas quando e preciso e vamo-nos la criar penas corretivas e preocupar em criar programas, que ao que parece neste pais com tanto corte, parece que estamos mais a andar para tras do que andar para a frente.
(desculpem o desabafo mas estava entalado ha um tempo)
Publicado por [magary] às junho 15, 2005 03:08 AM
