« Coisas doces sem açucar | Entrada | Daquilo que nos espera »

abril 13, 2005

Somos tod@s salgueiro maia

Lisboa continua uma cidade morta. Continua encerrada sobre si própria e disputada entre uma herança arquitectónica, social e existencial dos longos anos do fascismo e um carácter supostamente novo, cosmopolita e sofisticado, representado tanto pelo afluxo massiço de turistas, erasmus, etc, como por uma nova classe urbana que se assume representante de vanguardas financeiras e/ou culturais importadas do estrangeiro. Continua fechada porque as ruas parecem estar codificadas num labirinto que se esvazia fora dos horários úteis, feito de prédios feios de portas fechadas a sete chaves por pessoas apavoradas porque ouviram na televisão da boca de um otário qualquer que a cidade estava entregue aos lobos. Continua aborrecida porque nunca há nada para fazer para além de trabalhar e de beber copos num sitío onde já és parte da mobilia da casa. Continua parada porque está submergida e limitada pela ideologia mediática, porque não consegue propor a si própria mais possibilidades do que as veiculadas e sugeridas pelos partidos politicos, pelos programas das velhinhas ou pelos magazines culturais da SIC Noticias, porque não percebe nem nunca imaginou que a sua riqueza e liberdade podem ultrapassar largamente a de uma oferta mais diversificada de meras mercadorias, culturais, politicas ou fisicas.

No dia 24 de Abril, domingo pela tarde, a cidade será invadida pelas pessoas, num arraial pelas ruas fora. A ideia, simples, é a de fazer uma festa na rua, uma festa que ande, que tenha música, carnavalices e que festeje a rua, a primavera, os abris. Mas é ainda uma festa que reinvidica o rejuvenescimento da cidade de Lisboa, que exige menos carros, menos casas abandonadas, menos tristeza e pobreza. É uma festa contra a lógica imposta de um quotidiano que oscila entre o trabalho, o consumo, e o isolamento. É uma festa contra a degradação dos bairros da cidade e de um centro que se esvazia de habitantes e se preenche de Bancos&Lojas, contra a segregação das minorias étnicas e sociais em guetos geográficos e culturais, contra a deriva securitária que invade a europa. É em suma uma festa contra este progresso, este eterno movimento para lado nenhum. Queremos não fazer nada e fazer tudo mas com outro referencial, que não o do dinheiro e do sucesso.


Publicado por [Rick Dangerous] às abril 13, 2005 03:33 PM

Comentários

Essa é mesmo para evitar a verdade aterradora que só o José Mário Branco teve coragem de dizer: "saímos à rua de cravo na mão/sem dar conta que saímos à rua de cravo na mão a horas certas, hã filho?".

Publicado por [Joystick] às abril 14, 2005 01:25 PM

vocês já repararam que faltam 7 dias para o 25/4 e não há nada marcado para esse dia? o ano passado falava-se em evolução ao menos, e este?

Publicado por [Golfinho] às abril 19, 2005 01:53 AM