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abril 27, 2005

Poema para o Carrilho

Ia eu descendo a António Augusto Aguiar
(Já viram esta categoria toponímica?)
Quando eis que uma figura anémica
Ou será anímica?
Surge de um placard a brilhar
Com a sua camisola térmica.
Está a trabalhar num projecto,
E eu, que não gosto do dejecto,
vomito-me na esquina com a Avenida de Berna
só de pensar na figura terna
da Bárbara no eleitoral trajecto.
E o Diniz Maria....
Que horror, que família...
Todos juntos em Monsanto
E eu sem estômago para tanto,
Borro-me à esquina com a Avenida Marquês de Tomar.
E começo num tão exaltado pranto
que tive de dois valiums tomar
só de imaginar.
Mas a cólica era de tal barda
Que já na Avenida Miguel Bombarda
Me voltaram a sair os intestinos
por tão malfadados eleitorais destinos.
Sosseguei, pensei eu, na António José de Almeida
Eis senão quando, da monumental peida,
Me sai um frenesim sinfónico
Deixando um transeunto atónito.
"Desculpe, é o Carrilho"
"Pois a mim me pareceu flatulência"
"A diferença não é muita, Sua Excelência"
E segui caminho.

Publicado por [Joystick] às abril 27, 2005 07:00 PM

Comentários

poema genial de Joystick.

Estou apaixonado...

Publicado por [Morcego Vermelho] às abril 29, 2005 12:03 AM

Boa boa, bocage a frutificar, estou a ver. com pozinhos de o'neill. Continua que qualquer dia publicamos isto no livro do blog!

Publicado por [renegade] às abril 29, 2005 01:28 AM