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fevereiro 09, 2005

Passar à ofensiva

O meu pai, que vota PSD desde que eu me lembro, está indeciso em quem há-de votar.

Segundo ele, o PS é o Partido “mais bem posicionado para fazer as reformas estruturais” e a maioria absoluta “é que os pode abrir caminho a isso, porque eles têm sempre muito medo de ser impopulares”… estão a ver, não é?

Cada vez é mais claro que as forças burguesas apostam numa vitória total do PS, com maioria absoluta, para amarrar o PS ao "centro" livrando o país de acordos com a esquerda. Nesse âmbito, votar à esquerda do PS, lutar para que a esquerda do PS saia reforçada nestas eleições e que o PS não tenha a malfadada maioria absoluta, é um imperativo político.

Digo mais: ao contrário de muitos dos meus camaradas - nomeadamente de blog - a minha insatisfação com a minha escolha de voto no próximo dia 20 é ver que não há nenhuma força de esquerda capaz de tomar a ofensiva e constituir e determinar uma verdadeira alternativa de esquerda…

O BE está cheio de medo que, indo para o Governo com uma força ainda tão pequena, acabe por ser absorvido pelo PS e pelo gosto do exercício do poder neste sistema podre… há mesmo que diga, descontraidamente, entre um copo e outro que “o melhor era o PS ter mesmo maioria absoluta para agente não ser confrontados sequer com essa questão”.

O PCP, está praticamente na mesma. Jerónimo lá acabou por falar, pouco convicto, em “acordos pontuais” na Assembleia da República, lembrando o célebre acordo da Lei de Bases da Segurança Social (que ironicamente, é sabido, Jerónimo e outros foram frontalmente contra e utilizaram essa questão dentro do Partido para atacarem a própria Comissão Política da altura e os seus supostos desvios de direita).

Assim, naturalmente posso pôr-me a mim próprio a incomoda questão:

No dia 20 o PS não tem maioria absoluta. Quais vão ser os seus aliados de programa político? O PP? Os deputados do PPM? Do MPT? Do PSD Madeira? Deputados Limianos? O Governo vai cair passado 1 ano para vir a direita novamente ocupar o seu lugar? Valerá mesmo a pena?

A esquerda devia pôr os olhos na estratégia do perigoso Paulo Portas: Apresenta-se como Partido de poder, como candidato ao Governo e mesmo a Primeiro-ministro!

Assim sim. Teríamos a Condolezza Rice a passar por Portugal, preocupada com o eu se estava a passar…

Publicado por [Saboteur] às fevereiro 9, 2005 11:03 PM

Comentários

"O BE está cheio de medo que, indo para o Governo com uma força ainda tão pequena, acabe por ser absorvido pelo PS e pelo gosto do exercício do poder neste sistema podre… há mesmo que diga, descontraidamente, entre um copo e outro que “o melhor era o PS ter mesmo maioria absoluta para agente não ser confrontados sequer com essa questão”."

É por isso, meu caro, que o BE não é um partido com crédito, com verdade, com transparência.
Era bom que já tivessem discutido democraticamente entre eles qual a estratégia, mas como não a têm estão todos borradinhos. e isto já me foi confirmado por um destaco bloquista da nossa praça.

Dá-me vontade de não votar; dá-me vontade de dizer: "não cresçam e despareçam" é que se a vontade fosse crescer e aparecer de uma forma transparente já o tínhamos sabido há muito tempo.

Publicado por [paradise café] às fevereiro 10, 2005 12:42 PM

parece-me que os meus amigos não andam atentos. o BE já disse e reafirmou qeu não irá para o governo, porque:
1 - o PS posiciona-se à direita nas questões fundamentais para o pais.
2 O compromisso do BE é com @s eleitores e com as propostas que lhes apresenta.
o resto é conversa.

Publicado por [metrografista] às fevereiro 10, 2005 04:21 PM

A minha questão é essa: a esquerda não se deve portar como uma virgem impoluta que não quer sujar as mãos no poder.

Porquê que diz logo que não? Devia dizer que apoiava uma política alternativa de esquerda. E não falo de acordos pontuais. Falo de um programa sistemático negociado com o PS, em que o limite seria um “programa mínimo” de esquerda e o máximo seria o que se pudesse sacar na negociação com os xuxas.

Nem era preciso estar no Governo para fazer isso.

Se eles recusassem, era o ónus deles. Mas a esquerda mais radical, não se deveria demitir de influir directamente nas instituições e acho que o povo penaliza aqueles que falam, falam, falam e ninguém os vê a fazer nada.

Publicado por [Saboteur] às fevereiro 10, 2005 05:01 PM

mas o Bloco não se demite nem diz logo que não. Mas basta olhar para o programa eleitoral do PS para perceber que não há acordo possível, porque um programa minimo à esquerda tem de fazer suas as linhas mestras do programa do Bloco.. só dois exemplos: defesa intransigente dos serviços públicos defendida pelo bloco e fintada com meias palavras pelo PS. recusa do pacote laboral de bagão defendida pelo Bloco, e que sócrates diz querer apenas maquilhar...
Vejamos que vontade tem o PS de fazer políticas à esquerda, quando for confrontado com isso na AR. Em 99, e contrariamente ao que diz Manuel Alegre, não quis fazer uso dessa opção.
O Bloco faz caminho. Chegará o seu tempo.

Publicado por [metrografismos] às fevereiro 10, 2005 05:30 PM