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fevereiro 25, 2005
Há sempre um referendo na manga

A rentrée política ficou marcada pelo retorno da questão do aborto. O Guedes resume as posições em confronto e diz que lhe parece que a não posição do Sócras sobre a convocação de um referendo é equilibrada. O Vale de Almeida discute o assunto com a habitual destreza intelectual para chegar à quadratura do círculo. A discussão na caixa de comentários é interessante e merece visita.
Antes das eleições, já tinha eu lido e chamado a atenção aqui no Spectrum para este bom texto da jornalista do Público Maria José Oliveira, a pôr os pontos nos ii:
"Eu tenho vergonha deste país: o mais que provável governo socialista que sair das eleições do dia 20 vai repetir o mesmo erro - reincidindo num referendo, com a concordância do Bloco de Esquerda e o protesto do PCP -, num claro sinal dos cordelinhos que o putativo candidato presidencial dos socialistas, António Guterres, já anda a mexer no interior da direcção do partido. Foi este o mesmo homem que em 1998, aparentemente à revelia da sua própria bancada parlamentar, firmou com Marcelo Rebelo de Sousa, então líder do PSD, um acordo para referendar o aborto nas vésperas da alteração da lei na Assembleia da República. Satisfez-se a vontade dos homens da Igreja. Que está já a formar exércitos de gente hipócrita que pragueja contra um dos mais elementares direitos humanos: uma maternidade e paternidade conscientes."
Agora, parece que o PS do Sócras anda a ver se consegue atirar o referendo para as calendas, lá para quando o Cavaco Silva já for Presidente da República, ou pior ainda (deste ponto de vista), o António Guterres.
Quer dizer, nem para resolver isto serve uma maioria absoluta no parlamento e uma maioria sociológica eleitoral conjuntural de 65% dos votos.
Que nojo de gente, só nos saem duques, foda-se...
Publicado por [Renegade] às fevereiro 25, 2005 10:28 AM
Comentários
Que fique bem claro que o que eu quero é ver o problema resolvido (e bem, o que significa uma legislação capaz de resolver de uma vez por todas o problema do aborto clandestino e da criminalização das mulheres).
Não fiquei com ideia de ser intenção do Sócrates atirar o referendo para as calendas. Mas parece-me muito precipitada a realização de um referendo já em Julho.
De igual forma, que fique claro que não concordei com a realização do referendo em 1998. Mas, uma vez feito, não me parece possível evitar a realização de um outro que corrija o resultado do primeiro.
Mais tarde e com mais tempo voltarei ao assunto no meu sítio.
Abraço.
Publicado por [Guedes] às fevereiro 25, 2005 01:30 PM
Assino por baixo Guedes, quanto à necessidade do referendo, e é óbvio que a sua realização em julho é precipitada, por ser verão, porque ainda em fevereiro houve eleições e porque em outubro as vai haver outra vez. Por outro lado, a realização do referendo em conjunto com o acto eleitoral de outubro (autárquicas), ou com as presidenciais parece-me legítimo.
Publicado por [Anónimo] às fevereiro 25, 2005 02:26 PM
caro Renegade, começamos já a engolir em seco o voto em Bloco. Bolas, não esperava que fosse tão cedo.
Publicado por [Pedro Vieira] às fevereiro 25, 2005 03:31 PM
também concordo com o PCP de que esta matéria não devia ter sido referendada, mas foi e aberto o precedente era indecente vir agora aproveitar a maioria na assembleia para aprovar uma lei de despenalizaçao do aborto. A não ser, claro, com muito jeito
Publicado por [operation wolf] às fevereiro 26, 2005 04:31 PM
Era o mais que faltava, lá porque houve um referendo, agora seja preciso outro. Não está escrito em lado nenhum que assim tenha que ser. E digo mais, a verdade é que primeiro foi aprovada uma lei na AR e só depois é que se cedeu ao referendo.
É caso para dizer que se foi possivel aprovar uma lei porque não outra agora?
A Direita com a questão do referendo, vai renascer das cinzas. Custou 3 anos de muitos sacrificios para a derrotar e apenas num referendo vao renascer...é um erro estratégico...inacreditável!
Este BE...
Publicado por [jovem atento] às fevereiro 26, 2005 11:38 PM
