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fevereiro 17, 2005
A banalidade da leitura

Quem nunca se perguntou quantos livros lê e quantos lerá até morrer? Em palavras menos cruas, uma vida equivale a quantos livros? Resolvi fazer as contas.
Se eu lesse 100 páginas por dia, leria 700 por semana. Na previsão de alguns ataques voluntários e temporários de cegueira, é melhor descer isto para as 550 páginas. Multiplicadas por 4 semanas, ficam cerca de 2000 páginas por mês. Multiplicadas por 52 semanas do ano, menos 6 semanas de férias distribuídas pelo Verão, Natal e Páscoa, dá o belo total de 21000 páginas lidas por ano, mais coisa menos coisa. Quantos livros? Isto levanta um nada complicado processo de subdivisão das páginas pelo suporte. Assim, admita-se que cerca de 25% são artigos, capítulos isolados, consultas ocasionais em pesquisas bibliográficas. Outros 25% são as leituras inúteis que me colocam todos os dias em fase com a loucura do mundo - a imprensa. Sobra metade para o suporte livro. E ficou de fora toda a gama de meios de acesso à leitura proporcionados pela Internet, porque não têm a dignidade do papel. Ora, 50% de 21000 dá aproximadamente 11000 páginas.
Mas é preciso ir mais longe, visto que a pergunta a que se tentava dar uma resposta era "quantos livros vais ler na tua vida?". Admitindo uma média de 250 páginas por livro, baseada numa consulta mental apressada às leituras do último ano, e sem levar em linha de conta os diferentes tamanhos de letra, composição, imagem etc, temos assim que este ano eu lerei, ora deixa lá ver..., nada mais nada menos que 50 livros. Sem contar com o resto, que é, pelas contas apresentadas acima, equivalente a outros 50 livros, mais o acumulado pela internet.
E no entanto, ainda posso alargar as contas. Se este ritmo se mantiver durante 10 anos, admitindo que pode aumentar ou diminuir mas mantém valores próximos da média, eu leria 500 livros, talvez um pouco mais, correspondendo à libertação de tempo das leituras fragmentárias. Portanto, numa vida que se poderá prolongar até, digamos, aos 70 anos, eu teria lido, com uma base zero nos meus 28 anos, cerca de 2000 livros. Nisto não entra o período de reforma que, como se sabe, já não existirá quando eu tiver 70 anos. Ora, estas contas rápidas impõem a consciência clara da importância das escolhas a fazer, da dimensão quase transcendental do acto de abrir um livro pela primeira vez e decidir lê-lo. Como é possível, a partir de agora, fazer de conta que ler um livro é um acto banal?
Chiça!!
Publicado por [Renegade] às fevereiro 17, 2005 09:22 PM
Comentários
na faculdade lia 300 por dia :)
Publicado por [J.R.] às fevereiro 19, 2005 06:27 AM
